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tens uma mão cheia de sonhos mas, por ser mulher, estás cinquenta passos atrás.

 

 

és tu que tens de engravidar e passar por nove meses de tortura (agora até estão na moda os posts acerca do que não te contaram sobre a coisa e que, ao contrário da última tendência que dizia que estar grávida eram só unicórnios, relatam horrores e torturas feias).

os homens, mesmo os presentes, não terão de ter mamas em sangue, nem levantar-se dez vezes por noite para servir de vaca leiteira.

és tu que ficas impulsionada, pelas hormonas, a te deixares ficar para trás em função da vida que deste.

és tu que te sentes altamente responsável pela organização, por manteres a casa, o lar e o diabo a quatro à deriva, porque és mulher e porque às vezes é inato e porque, porra, digam o que disserem, a maior parte de nós ainda é influenciada pela ideia da sociedade.

 

e um dia, olha que bem, acordas e o teu filho cresceu e tu tens mais rugas e o teu marido, sempre a tempo de recomeçar o que tu perdeste com a idade - a procriação -  deixou-te por outra de mamas mais firmes, menos cansada, menos velha, menos triste.

e se quiseres recomeçar estás mais amargurada, mais velha, mais desfeita, mais seca.

mais descrente.

e tudo o que resta é um ninho vazio, umas mamas descaídas e visitas ocasionais no natal e na páscoa para umas selfies de família feliz. 


olha que bela merda, não é?


morro de medo de ter filhos por este cenário.

(ponho as duas mãos no fogo de que comigo será diferente, mas não puseram todas?)


não tenho mesmo apetência para mártir.

(alguém tem?

a martirizar-me - como sempre foi - é pelas dores que são minhas e não controlo. 

que grandessíssima egoísta!

(é mesmo?)

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medos

por M.J., em 13.04.17

há poucas coisas que despreze mais do que a ideia de que os pais são mártires em função dos filhos.

o sentimento de alguns progenitores, tão generalizado ultimamente, que ouço e leio e vejo, numa espécie de moda contagiante e perigosa de:

* ah, as coisas que eu faço por eles!

* ah, como me mantenho neste trabalho horroroso porque tenho filhos!

* ah, que não me divorcio porque os meus filhos precisam de uma mãe/pai!

* ah, que não leio porque tenho todo o tempo todo ocupado com os filhos!

* ah, que não viajo porque tenho de canalizar todo o dinheiro para os meus filhos!

* ah, que apanho porrada no lombo mas não saio por causa dos meus filhos!

*ah!

 

este sentimento dominante de que o que eu faço está condicionado por um ou dois ou três ou uma equipa de futebol de filhos que pus no mundo é feio, sobretudo se passado para aqueles por quem se é, supostamente, mártir.

escrevo e sinto isto unicamente através da minha posição de filha. e sei, como toda a gente, que a maternidade e a paternidade exigem uma série de sacrifícios, uns maiores, outros menores. faz parte como faz parte todo o amor. sacrificamo-nos, numa ou outra questão, quando amamos. pomos de lado pouco ou muito ou quase tudo de nós - dependendo da forma que somos e vivemos e sentimos - em função do outro. repito, faz parte.

o que não faz parte é colocar nos ombros do outro o peso da nossa decisão de sacrifício. o peso do que amamos.

o que não faz parte é dar ao outro, num indício aqui, num indício ali - sobretudo daquele de quem se é progenitor - uma série de decisões cobardes que se assumiu como dominadoras da vida.

o que não faz parte é colocar na cabeça do outro que a sua existência provoca tanta coisa menos boa. mesmo que se jure a pés juntos que se ama. mesmo que se diga - sentindo - que se morria em função do outro: de que raio vale morrer pelo outro se todos os dias se vive uma existência miserável - a que o outro assiste - e que provoca dores de morte pela culpa que provoca? 

 

em última instância a decisão de ser mãe/pai está em quem o decidiu fazer. é a lógica da batata mas a nossa vida é consequência das nossas escolhas, por mais pequenas que sejam, por mais banais que possam parecer. e se não pensamos nisso na maioria das vezes, comandados por um instinto de sobrevivência que nos impele a seguir sem questionar ou fazer um resumo de todos os e ses, é estupidamente repugnante quando, directa ou indirectamente, incutimos no outro que permanecemos, que ficamos, que sofremos porque amamos tanto.

é ridículo.

é obtuso.

a decisão de permanecer numa relação, de ficar num trabalho, de ter uma casa minúscula, de não viajar, de não ser feliz é sempre, em última, instância de quem decide e não do condicionante.

a decisão de permanecer numa relação abusiva é de quem escolheu aquela relação e tem medo ou pavor ou incapacidade de se mover, usando como escudo protector um ou dois filhos. e incutindo, mesmo sem querer, que a responsabilidade da sua infelicidade é do condicionante. e quando o condicionante voa e sai de casa e há mil oportunidades de sair também, permanece-se porque "é demasiado tarde, porque quando era possível sair havia filhos e não se podia!".

isto não é amar. ou pelo menos é um amor egoísta que provoca traumas inimagináveis naqueles que sendo os "condicionantes" precisam de lidar com uma culpa que não é deles. 

 

há poucas coisas que mais despreze do que mártires por opção e que sendo mártires decidam colocar a responsabilidade do seu espírito de messias na existência do outro.

e é por isso - também - que tenho tanto medo de ser mãe. 

 

 

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eu fugitiva me confesso

por M.J., em 22.03.17

não sei quando os meus fins de semana se transformaram na imensidão de nada que são actualmente.

 

não que tivessem sido, em tempos, largos dias de animação, festas, saltos, maquilhagem e saídas nocturnas (essa época foi curta e directa e não acabou da maneira esperada). no entanto, ao longo dos meses e dos anos e do correr da vida fui amainando, numa espécie de embarcação parada por falta de vento enquanto as horas correm, empurradas por uma brisa suave e uma inexistente agitação marítima.

 

os fins de semana são dias de nada, repletos de tudo:

ele trabalha, numa imensidão de projectos que o têm envelhecido e carcomido o tempo livre, eu ocupo-me das mil coisas que desprezei um dia.

faço bolos com farinhas estranhas, sopas sem batata, bolachas que não são bolachas.

transformo tomate em polpa, descasco nozes para bolos e cozinho um arroz duro, integral e esguio, que demora tempos infinitos.

planeio refeições semanais, demolho feijão e acondiciono legumes vindos da serra, com raízes ainda repletas de terra, todos juntos numa caixa a lembrar o amor da mamã.

rego as plantas e arranco ervas daninhas dos vasos.

arrumo livros e desocupo roupeiros.

varro as varandas e planeio as semanas.

às vezes, num dia ou outro, combinamos jantares e visitas, curtos, rápidos, num serão ou num almoço que o tempo é escasso e aproveitamo-lo na necessidade dos dias ou naquilo que nos faz sentir bem.

 

e é isto que não entendo: em que momento estranho deixei de calcular o tempo em função da dor menos forte para esta mansidão dos dias?

em que momento, em que altura houve esta reviravolta que não vi e que me transformou numa espécie de cuidadora plenamente satisfeita por dominar a própria vida?

 

em tempos fui aquilo a que, muito sabiamente, a minha psicóloga chamou de fugitiva.

eu fugia de todos e de tudo aquilo que me desse palpitações ou fizesse torcer os ossos.

tinha uma mochila preta - que ainda andará por aí em qualquer gaveta - repleta dos bens que achava necessários para um recomeço.

usava cada casa arrendada como uma armazém temporário de mim, sem nenhum objecto que não fosse estritamente necessário. nem livros, nem roupa em exagero, nem coisas decorativas nem nada que não pudesse acondicionar em três caixas.

eu era uma fugitiva e fugi de tantas situações que há uma imensidão de coisas passadas por resolver, numa espécie de casa cheia de frestas e frinchas e portas só encostadas porque os donos desapareceram com medo do que por ali entrava.

 

e agora aqui estou.

com medo do tempo em que constatarei ser rija de carnes, um bigode no lábio superior, o puxar dos óculos com gestos firmes na cana do nariz e o soltar ordens de governança de uma casa. o arregaçar das mangas nos braços fortes e lavar no tanque cobertas e tapetes, calças e lenços, assumindo que tudo se cria, que onde come um comem cinco e que as mulheres vieram ao mundo para dar vida à vida.

 

uma consumição, bem vos digo, que me corrói a alma aos fins de semana, nos únicos cinco minutos em que me desocupo.

 

e confesso aqui que percebi - há uns tempos - que a coisa que mais me amedronta na maternidade é a irreversível perda da juventude.

é a última pedra na vida de fugitiva.

é a certeza que depois disso não haverão mochilas pretas nem bens acondicionados em três caixas.

que depois disso eu não sou de mim mas de outrem e não posso recomeçar sozinha.

 

e o tamanho de tal responsabilidade, a imensidão atroz desse pensamento provoca-me tantas palpitações, tanta ansiedade que dou comigo a olhar sobre o ombro na procura de tudo aquilo que posso doar, dispensar, vender, deixar para trás antes que seja tarde de mais para recomeçar.

 

ainda que nunca se recomece na sua totalidade:

trazemos sempre muito do que achamos - erroneamente - que ficou para trás. 

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e depois o que fica?

por M.J., em 21.02.17

não sei se já vos aconteceu.

a mim uma vez ou outra.

e ontem vi acontecer a alguém de quem gosto:

 

um daqueles eventos, daquelas fatalidades da vida que a transformam de tal modo que nada mais é o que era.

de repente a vida deixa de ser aquela estrada com uma curva ou outra, um buraco maior ou menor, um obstáculo aqui e ali transforma-se num abismo de escarpas íngremes.

há um acontecimento que revira rumos e travessias e quando damos conta sabemos que, inevitavelmente, não seremos jamais iguais ao que éramos.

acontecimentos de segundos. 

que alteram a eternidade do que fica.

 

tenho tanto medo que me aconteça tal.

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oh vai ver ali:

no dia dos namorados tenho medo

por M.J., em 14.02.17

um medo absurdo da perda de mim, enquanto eu.

da perda da minha sanidade mental.

da perda do que sou enquanto pessoa.

 

de me transformar noutra coisa, sem traços do que creio ser.

de ver imagens que não existem.

de acreditar em coisas que não são reais.

de me perder daquilo que sou transformando-me noutra coisa, meio louca, meio estranha.

de me tornar dependente de outros para sobreviver sem a réstia da dignidade que sou.

 

de te esquecer.

de olhar a tua cara e não ver mais do que olhos e pele e lábios e dentes e não seres tu mas um outro qualquer. de não saber da tua voz, do teu cheiro e dos teus gestos. de não reconhecer os teus traços. de não me lembrar das tuas mãos. de não recordar o teu corpo junto ao meu. de não saber o sabor da vida que partilhamos. de não ver já as gargalhadas.

tenho medo de esquecer as coisas que nos faziam enquanto nós. 

 

tenho medo de, um dia, por mais longínquo que seja, não te ver. 

não posso viver cega de amor. 

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saudade, uma dor feliz.

por M.J., em 12.02.17

ontem relembrei um texto que escrevi há uns anos.

e percebi - numa conversa que não pensara ter - que há almas "que se reconhecem".

daqui até à lua. sempre.

 

fica novamente.

há textos que pelo muito que senti, podem ser repetidos.

 

não consigo, por mais que pense sobre isso, imaginar até que ponto vão os limites da dor a suportar pelo ser humano.

sei mais ou menos os meus limites, o esticar das emoções até às últimas consequências, até o cérebro se transformar numa esponja adormecida e tu, enquanto tu, seres apenas um pedaço de corpo andante, sem qualquer emoção ou sensação.

não sei qual o limite dos outros.

 

não sei qual a capacidade plena e absoluta de suportar, sem desistir, sem o desespero inundar tudo e quebrar os sentidos, o olhar, o odor, o tacto, o palato. qual o exacto ponto que a maioria das pessoas consegue sentir, sem quebrar, o manto tenebroso de escuridão colado aos ossos.

sem acabar por desistir por completo.

 

ontem, sem querer, dei de caras com alguém, pequeno, frágil, do tamanho de mil pequeninas partículas, ar de menina de rosas, que vive no limiar da dor.

olho para ela, observo-lhe a face, os lábios e não sei, juro que não - ainda que tenha passado um bom bocado hoje de manhã, sentada na esplanada com o vento a bater-me o corpo, a pensar nisso - como consegue não sucumbir.

como os ombros permanecem erguidos.

não sei.

 

saber que a pessoa que é o nosso mundo, pela qual nutrimos um sentimento de absoluto amor, a quem nos entregamos em tudo o que somos, com a qual rimos em ingenuidade, com a qual choramos em dias de tristeza, da qual conhecemos os mais pequenos silêncios, da qual sabemos o brilhante do olhar, da qual sabemos pedaços de toque, da qual ouvimos a respiração... saber que esse alguém pode morrer, que tem mais hipóteses de desaparecer do que o outro, o comum dos mortais, e trava um luta, gigante, contra o próprio corpo...

como se aguenta isso?

 

que dose sádica de esperança é preciso carregar nos ombros para ver a outra pessoa, o outro pedaço de nós definhar, lentamente, perder o que era e só restar um corpo, quase sem alma, perdida numa batalha contra a vida, e só ver trevas e morte?

que quantidade absurda de coragem, de batalhas travadas consigo próprio é preciso ter para adormecer todas as noites e seguir vivendo, um dia e outro, com a pessoa a morrer, ainda em vida?

 

como se sobrevive? como se sente o cheiro a terra molhada em dias de verão?

como se absorve as cores vivas das primeiras flores da primavera?

como se respira o odor de canela e maçã em dias de outono?

como se sente a chuva forte de inverno ou o vento fresco em mil voltas nos cabelos?

de que sabor se transforma o café quente na pastelaria do bairro ou de que cor fica o vestido favorito, aquele que vestíamos para seduzir, conquistar o pedaço de nós que morre, aos nossos pés, sem podermos fazer absolutamente nada senão agarrar-nos à desgraçada da esperança?

 

e depois?

como sobreviver ao absurdo e infinito vazio, após a partida?

como retornar a lugares comuns, olhar a cama onde ambos dormíamos, o sofá onde explorámos vidas e sonhos, a árvore da frente onde os pássaros cantavam a marcha nupcial das manhãs de domingo?

que dose absurda de vida é preciso injectar nas veias para viver após tudo isto?

 

amar meus senhores é muito complicado. amar é o maior desporto radical, a maior dose de adrenalina, a maior bebedeira ou moca de droga que o ser humano consegue sentir. e é também as consequências de quando a corda da escalada se parte, da ressaca do álcool ou da falta de droga, quando o corpo sucumbe ao desespero da ausência.

tem dias, creio, que amar é uma merda.

e ainda assim, a minha vida só faz sentido amando.

amando-o.

 

se um de nós tiver que passar por isso, que seja eu a morrer aos poucos meu amor.

não teria a dose de coragem das pedras, necessária à sobrevivência.

 

 

 

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do amor

por M.J., em 24.03.15

não consigo, por mais que pense sobre isso, imaginar até que ponto vão os limites da dor a suportar pelo ser humano.

sei mais ou menos os meus limites, o esticar das emoções até às últimas consequências, até o cérebro se transformar numa esponja adormecida e tu, enquanto tu, seres apenas um pedaço de corpo andante, sem qualquer emoção ou sensação.

não sei qual o limite dos outros.

 

não sei qual a capacidade plena e absoluta de suportar, sem desistir, sem o desespero inundar tudo e quebrar os sentidos, o olhar, o odor, o tacto, o palato. qual o exacto ponto que a maioria das pessoas consegue sentir, sem quebrar, o manto tenebroso de escuridão colado aos ossos.

sem acabar por desistir por completo.

 

ontem, sem querer, dei de caras com alguém, pequeno, frágil, do tamanho de mil pequeninas partículas, ar de menina de rosas, que vive no limiar da dor.

olho para ela, observo-lhe a face, os lábios e não sei, juro que não - ainda que tenha passado um bom bocado hoje de manhã, sentada na esplanada com o vento a bater-me o corpo, a pensar nisso - como consegue não sucumbir.

como os ombros permanecem erguidos.

não sei.

 

saber que a pessoa que é o nosso mundo, pela qual nutrimos um sentimento de absoluto amor, a quem nos entregamos em tudo o que somos, com a qual rimos em ingenuidade, com a qual choramos em dias de tristeza, da qual conhecemos os mais pequenos silêncios, da qual sabemos o brilhante do olhar, da qual sabemos pedaços de toque, da qual ouvimos a respiração... saber que esse alguém pode morrer, que tem mais hipóteses de desaparecer do que o outro, o comum dos mortais, e trava um luta, gigante, contra o próprio corpo...

como se aguenta isso?

 

que dose sádica de esperança é preciso carregar nos ombros para ver a outra pessoa, o outro pedaço de nós definhar, lentamente, perder o que era e só restar um corpo, quase sem alma, perdida numa batalha contra a vida, e só ver trevas e morte?

que quantidade absurda de coragem, de batalhas travadas consigo próprio é preciso ter para adormecer todas as noites e seguir vivendo, um dia e outro, com a pessoa a morrer, ainda em vida?

 

como se sobrevive? como se sente o cheiro a terra molhada em dias de verão?

como se absorve as cores vivas das primeiras flores da primavera?

como se respira o odor de canela e maçã em dias de outono?

como se sente a chuva forte de inverno ou o vento fresco em mil voltas nos cabelos?

de que sabor se transforma o café quente na pastelaria do bairro ou de que cor fica o vestido favorito, aquele que vestíamos para seduzir, conquistar o pedaço de nós que morre, aos nossos pés, sem podermos fazer absolutamente nada senão agarrar-nos à desgraçada da esperança?

 

e depois?

como sobreviver ao absurdo e infinito vazio, após a partida?

como retornar a lugares comuns, olhar a cama onde ambos dormíamos, o sofá onde explorámos vidas e sonhos, a árvore da frente onde os pássaros cantavam a marcha nupcial das manhãs de domingo?

que dose absurda de vida é preciso injectar nas veias para viver após tudo isto?

 

amar meus senhores é muito complicado. amar é o maior desporto radical, a maior dose de adrenalina, a maior bebedeira ou moca de droga que o ser humano consegue sentir. e é também as consequências de quando a corda da escalada se parte, da ressaca do álcool ou da falta de droga, quando o corpo sucumbe ao desespero da ausência.

tem dias, creio, que amar é uma merda.

e ainda assim, a minha vida só faz sentido amando.

amando-o.

 

se um de nós tiver que passar por isso, que seja eu a morrer aos poucos meu amor.

não teria a dose de coragem das pedras, necessária à sobrevivência.

 

 

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