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na saúde e na doença

por M.J., em 03.03.17

disse o padre. e nas piadinhas também:

 

depois do milagre da aliança, eis a resposta do rapaz:

reação aliança.PNG

 

 

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oh vai ver ali:

na saúde e na doença,

por M.J., em 25.02.17

disse o padre, e em aplicações de telemóveis que não lembram ao demónio também.

 

explico:

é um despertador que ao despertar vem acompanhado de enigmas matemáticos, problemas de lógica e merdas do género.

e enquanto aquela porcaria não for resolvida o filho de mil animais quadrúpedes do despertador não se cala.

em gritos sonantes de desespero.

 

e depois dizem que as pessoas se divorciam por dá cá aquela palha!

 

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na saúde e na doença

por M.J., em 16.02.17

disse o padre, e nas nerdices também.

 

depois de muito falarmos sobre o assunto o rapaz convenceu-me que precisava de um monitor novo. para trabalho, evidentemente, porque para programar preciso de ter várias janelas abertas. porque a resolução do antigo era uma bosta. porque há coisas que são mais fáceis de fazer num monitor maior.

assim seja!

pronto, que se compre o monitor novo, com as polegadas que quer, que os instrumentos de trabalho são isso mesmo, e se se pode melhorar, nada contra.

 

pois meus senhores, no dia em que chega a caixa com o dito a casa sabem o que tinha escrito em letras garrafais?

sabem?

GAMER.

repito,

GAMER.

 

como se não bastasse, isto é como ficam as minhas tretas nele:

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eu, de facto, mereço.

a PS4, os jogos, os star wars e treks da vida eram indícios mais do que suficientes do que me esperava, antes do casamento. 

se não antevi, problema meu!

 

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no dia dos namorados tenho medo

por M.J., em 14.02.17

um medo absurdo da perda de mim, enquanto eu.

da perda da minha sanidade mental.

da perda do que sou enquanto pessoa.

 

de me transformar noutra coisa, sem traços do que creio ser.

de ver imagens que não existem.

de acreditar em coisas que não são reais.

de me perder daquilo que sou transformando-me noutra coisa, meio louca, meio estranha.

de me tornar dependente de outros para sobreviver sem a réstia da dignidade que sou.

 

de te esquecer.

de olhar a tua cara e não ver mais do que olhos e pele e lábios e dentes e não seres tu mas um outro qualquer. de não saber da tua voz, do teu cheiro e dos teus gestos. de não reconhecer os teus traços. de não me lembrar das tuas mãos. de não recordar o teu corpo junto ao meu. de não saber o sabor da vida que partilhamos. de não ver já as gargalhadas.

tenho medo de esquecer as coisas que nos faziam enquanto nós. 

 

tenho medo de, um dia, por mais longínquo que seja, não te ver. 

não posso viver cega de amor. 

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na saúde e na doença

por M.J., em 13.02.17

disse o padre, e nos clichés do casamento também.

 

fui cortar o cabelo.

não é que tenha tirado grande coisa no comprimento mas dei-lhe forma, que aquilo parecia uma peruca escorrida, com demasiado cabelo e sem jeito nenhum.

como não gosto que o estiquem muito esticadinho, a cabeleireira só o enxugou e fez uma trança, que eu carreguei toda orgulhosa até casa.

 

quando o rapaz chegou, beijinho, beijinho, como foi o dia, jantarinho, sofá, banalidades e conversetas não mencionou nada quanto ao visual novo, pelo que, desfazendo a trança perguntei, ao jeito das novelas de infância:

- não notas nada de diferente em mim?

pergunta proibida, claro está.

 

depois de olhar, inspeccionar, sabendo de antemão que qualquer resposta dada seria errada, confessa:

- não. que é que fizeste desta vez?

aponto para a cabeça:

- o cabelo! não notas nada no cabelo?

 

olhou, mirou e acabou por murmurar:

- sim. está um bocado mais... farfalhudo.

- mas estás gira, estás gira!

 

e é isto, meus senhores.

não tenho cabelo.

tenho crina.

tenho pelo.

tenho uma coisa FARFALHUDA  na cabeça.

 

isto tem de ser motivo justificativo de um divórcio!

 

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na saúde e na doença,

por M.J., em 10.02.17

disse o padre, e nos dispensadores de guardanapos também:

 

uma pessoa está na cafetaria, a saborear um chá e a dizer parvoeiras acerca dos transeuntes na rua, e ele não responde porque está muito ocupado a pensar sobre que mecanismo podia arranjar para o dispensador dos guardanapos ser mais eficiente.

 

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publicado às 12:21

na saúde e na doença

por M.J., em 07.02.17

disse o padre, e na paciência também!

 

depois do rapaz ter a boca operacional (toda a saga aqui) e de ter posto um ponto final aos seus jantares compostos de nestum com açúcar (matem-me, matem-me já. só escrever nestum com açúcar dá-me arrepios) fiz um jantarinho catita para comemorar:

espetadas de frango (daqueles do campo, que a mamã cria quase como animais de estimação) acompanhadas de brócolos e batata doce. por norma uso abacaxi nas espetadas, mas à falta dele optei por pedaços de maçã e pêra a intercalar o frango.

(bem bom, por cinco euros dou-vos a receita).

 

depois de jantarmos, satisfeita de mim própria, comida saudável, colorido no prato, toda uma alimentação fit e afins, pergunto-lhe:

- estava bom, não estava?

- hum... mais ou menos, responde baixinho, olhando de soslaio um monte de código sem fim no monitor.

- mais ou menos? foi dos brócolos? insisto.

- hum... não, voz mais fininha, quase num fio.

- do tempero do frango? o meu tom mais frio do que duas naifas.

- nã. deixa isso, não interessa.

- foi da batata doce! - constato revirando os olhos.

- não! agora já me habituei.

- então quéquefoiquequalquerdiacozinhastu?

- foi da fruta: ficou muito doce!

 

muito doce, meus senhores, maçã e pera.

já açúcar no nestum...

 

 

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comer nestum só com leite?

por M.J., em 31.01.17

isso é para meninos!

 

na saga do dente do siso extraído o rapaz ficou com limitações quanto à alimentação. e de nada valeram as alternativas que comecei logo a apresentar, feliz e contente por haver tanta coisinha que poderia socorrer-se, como fossem papas de aveia, sopas, purés de fruta e afins.

não senhora.

para alguém com dores, a jorrar sangue que nem uma fonte, a coisa não se resolvia recorrendo ao saudável mas antes ao calórico: 

- quero nestum!

murmurou, a boca a mal se mexer, o lenço no nariz, uma vítima do infortúnio, assim, a implorar.

 

M.J. vai comprar nestum.

 

depois de horas perdida entre prateleiras que por norma nunca frequento (as minhas idas aos super mercados estão limitadas a alguns corredores) dei de frente com a secção dos cereais e, mais precisamente, com o nestum.

pois meus senhores, e o que vejo?! apenas nestum simples, agarrar a primeira embalagem e vir embora?

era o eras!

é que, daquilo que me lembro, havia uma panóplia que jamais poderia imaginar da coisa:

* nestum de arroz.

* nestum de bolacha maria.

* nestum de cereais integrais (cinco, para ser mais precisa).

* nestum de chocolate.

* nestum com aveia com chocolate.

* nestum com aveia e caramelo.

* nestum mel.

* nestum. 

 

pego neste último - isto o rapaz com dores é picuinhas e não queria arriscar o integral - e venho para casa. toda orgulhosa preparo aquilo seguindo à risca as instruções (nunca como nestum. pensava até que era feito com água) e apresento a taça ao rapaz.

que come.

duas colheradas.

e faz cara má.

e torce o nariz.

 

mau, mau maria, começo a pensar.

 

mais uma colherada.

mais uma torcidela!

 

- olha lá, pergunto avessa a tanta torcida, isso faz-te doer o dente que já não tens?

- não. cara na taça, ar contrafeito.

- então quéuqefoi? expludo já.

- nada.

- mas fazes o favor de me explicar o que é que foi?

a minha paciência no limite.

 

ao que sua excelência responde:

- esqueceste-te de pôr açúcar!

 

açúcar meus senhores. no nestum!

o rapaz queria açúcar!

 

e a gorda sou eu!

 

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na saúde e na doença

por M.J., em 16.01.17

disse o padre, e na hipocondria também.

 

rapaz em sms:

* que andas a fazer?

 

eu:

* nada de jeito, porquê?

 

rapaz:

* estou a morrer.

tem pena de mim.

 

eu:

* estás a morrer de quê?

 

rapaz: 

* acho que é o dente do siso. tenho a gengiva inflamada e agora dói-me a cabeça.

 

eu:

mas...

 

rapaz:

* acho que é fatal.

PODES FICAR COM TUDO. 

e ensina aos nossos filhos o valor dos jogos que lhes deixo. 

 

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na saúde e na doença,

por M.J., em 28.10.16

disse o padre, e nas discussões parvas também.

 

[dez da noite e estás a trabalhar desalmadamente no que não trabalhaste durante o dia. o teu marido assume que o bonito é mostrar-te um vídeo sobre o funcionamento do cérebro. rolas a cadeira até à secretária dele. um senhor, em quatro minutos, explica uma experiência em que se corta o cérebro ao meio e o dito continua a funcionar, mesmo separadamente mas com peculiaridades: o lado direito nem sempre concorda com o esquerdo e dá-se o caso da tua mão (já não sei qual) ganhar vida nova indo contra a outra mão. o vídeo termina com a pergunta do qual és tu? o cérebro direito ou o esquerdo?

achas aquilo uma parvoeira. já não basta não saberes quem és entre emoções, racionalidade e hormonas e agora ainda há quem pergunte que consciência é verdadeiramente a tua. dizes isso mesmo. o teu marido revira os olhos claramente por seres tão obtusa que não queiras nem discutir a coisa. pensas no trabalho e nas marmitas por fazer e lanças um "somos o conjunto completo do que somos, o resto é perder tempo". o homem quase que salta da cadeira. um discurso retórico acerca do pensamento e do cérebro. perdes-te.  a coisa continua. respondes por uma questão de princípio: o vídeo é idiota versus o vídeo é fascinante. não chegam a conclusão nenhuma, ambos os dois tão frustrados por visões tão diferentes que e acabas a noite a ver tv para esquecer a estupidez de uma hora naquilo perdida.

há quem discuta por futebol. depois há pessoas como nós.]

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