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ouvi isto ontem à noite

por M.J., em 09.06.17

ainda estou em choque:

 

eu vou ir.

 

repito:

 

eu vou ir.

 

para que não hajam dúvidas:

 

eu vou ir.

 

só me apeteceu perguntar:

vais ir onde?

morrer na forca por esse homícidio da língua portuguesa?

à merda?

atirar-te de uma ponte?

 

 

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a M.J. viu acontecer um milagre

por M.J., em 02.03.17

não vão acreditar no que acabou de me acontecer.

deviam - que eu não tenho por hábito inventar historinhas da tanga para vosso divertimento - mas é normal que não acreditem. 

até porque eu própria estou ainda paranóica com isso.

 

há cerca de uma hora, enquanto batia alegremente nas teclas do pc, reparei que meu dedo da mão esquerda estava nu.

sim, meus senhores: nu! sem aliança! sem o anel que aqui foi posto há quase um ano.

nuzinho da silva.

nesse instante fui acometida de um pânico seco.

e isto porque:

  • nos últimos dois meses parti o ecrã do telemóvel, completamente em frangalhos, uma vez.
  • nos últimos dois meses voltei a partir o ecrã do telemóvel, completamente em frangalhos duas vezes, ficando agora metade dele completamente preto.
  • nos últimos dois meses, o meu telemóvel de 200€ ficou a custar €350 com os ecrãs novos que o rapaz mandou vir.
  • mais quatro horas perdidas em montagens do mesmo.
  • nos últimos dois meses abri um precedente para aquilo que o rapaz chama de falta de cuidado pelo que deixei de poder dizer coisas como "tem mais cuidado com as toalhas molhadas espalhadas na cama" ou "tem mais cuidado com as almofadas do sofá caídas pelo chão" e ainda "tem mais cuidado com as meias que não ficaram no cesto".
  • ter mais cuidado é em não partir telemóveis e custa-me muito não ter razão.

 

além disso, a aliança é muitíssimo importante para mim porque:

  • simboliza o que mais de importante tem a minha vida;
  • simboliza o que mais de importante tem a minha vida;
  • simboliza o que mais de importante tem a minha vida;
  • simboliza o que mais de importante tem a minha vida;
  • foi cara.

 

portanto, meus senhores, conseguem perceber que, quando dei conta do meu dedo nu, saí a correr do trabalho, entrei no carro e fui a voar até casa.

ou melhor: tentei ir a voar até casa.

é incrivel que quando mais pressa temos mais obstáculos encontramos:

  • o único semáforo estava vermelho;
  • na rotunda uma senhora de certa idade decidiu travar a meio, perdida.
  • encontrei um camião que transportava carros novos a comer toda a minha faixa.
  • na subida que antecede a minha casa, um idoso atravancava toda a rua em amena cavaqueira com os senhores do lar ilegal.

 

depois de soltar muitas pragas cheguei finalmente a casa.

na minha cabeça uma só ideia: a aliança tinha escorrido do meu dedo quando eu lavava a louça ontem à noite.

oh-meu-deus!

já não bastava gostar de fazer sopas e bolos e pensar em alimentações saudáveis e merdas de dona de casa que há dois anos desprezaria com a alma! não! nããããããão!

o culminar de tudo isso era perder a aliança enquanto lavava a louça. num toma lá que já almoçaste! não é na praia, enquanto banhas os presuntos. não é a escalar. não é a andar de cavalo. não é a andar de montanha russa. não! é a fazer aquilo que mais excitante tem a tua vida: a lavar louça!

 

 

subi as escadas.

na cozinha atirei casaco, lenço e mala para o chão. acometida de coragem abri o armário que fica por baixo da pia e olhei para as tubagens com ar de pânico: para meu bem ia precisar de desmontar aquilo. 

acometida de um frenesim sem lógica, pus a mão num dos canos onde poderia ter ficado retida a aliança e dei em desenroscar. no entanto, como podem compreender, a minha apetência para canalizadora está ao mesmo nível de ser magra e, em vez de desenroscar enrosquei ainda mais!

só a mim! 

aquilo não saía por mais esforço que fizesse. toda eu transpirava e depois de puxar, empurrar, rodar um dos canos soltou-se, exactamente o mesmo que tinha uma espécie de reservatório de porcaria onde a minha aliança poderia ter ficado encalhada.

assim, desato a bater com ele no chão na tentativa de que a dita saísse de lá (repleta de bactérias mas impune).

pois que nada.

nada.

 

quer dizer, saíram grãos de arroz, restos de vegetais, três ossos pequenos e ainda - não perguntem - cascas de ovo. mas aliança nada.

nadinha. nicles!

(mas pickles, acho que sim).

 

foi nesse instante que percebi que, pronto, estava lixada e comecei a praguejar alto. eu tinha:

  • desfeito as tubagens;
  • as mãos repletas de bactérias;
  • o dedo nu;
  • a aliança perdida.

minha santa maria das pias!

 

no chão da cozinha havia resquícios de comida pelo que peguei no garrafão de lixívia e espalhei, ao calhas.

apanhei a tempo o casaco, o lenço e a mala e voltei a pousá-los com nojo porque as minhas mãos ainda não tinham sido devidamente desinfectadas.

tentei pôr os canos no sítio.

usei meio gel anti-bacteriano nas mãos e depois, desanimada e lixada da vida sentei-me na cama, numa choradeira: eu perdera a aliança.

 

e sabem o que aconteceu nesse exacto momento, depois da choradeira?

a aliança apareceu na cama. quer dizer, não apareceu exactamente, uma vez que, na verdade, creio que esteve sempre lá. no entanto, na minha mente, ela havia aparecido pelas minhas lágrimas.

era o meu pequeno milagre.

de que importavam as minhas mãos irritadas com tanto desinfectante? ou o chão da cozinha com cheiro a comida putrefacta e lixívia? ou os canos todos lixados? as minhas lágrimas, meus senhores, toda uma vida desperdiçadas e vistas como chatas e persistentes são causadoras de milagres!

são melhores do que responsos: fazem aparecer coisas perdidas!

 

e é isto.

logo tenho de ligar ao senhorio para que me ajude nas canalizações. também tenho de limpar o chão com toda a lixívia que conseguir comprar e, nos entretantos, no caminho para cá, voltei a despejar o resto do frasco anti-bacteriano nas mãos pelo que, preciso de me abastecer disso também.

mas fiz um milagre!

quantos de vós podem orgulhar-se do mesmo?

 

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conheço duas pessoas

por M.J., em 23.01.17

DUAS meus senhores, duas pessoas do sexo masculino que já têm bilhetes para a ante-estreia do filme onde a fulana apanha porradinha nas fuças como gente grande.

repito: 

* duas pessoas (tendo em conta as minhas capacidades de socialização duas pessoas é quase uma multidão);

* do sexo masculino (para fazer as vontades às respectivas)

* com bilhetes para a ante-estreia (que é mais caro e tudo e não aceita descontos de cartões e afins).

 

há aqui qualquer coisa que me está a falhar:

serão as maminhas da menina (que poderiam passar pelas de uma adolescente precoce), os abdominais do menino ou a possibilidade de repetirem em casa o que veem no escurinho do cinema?

 

mas que consumição. 

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risinhos

por M.J., em 16.11.16

uma vez conheci uma moça que andava, invariavelmente bem disposta. quer dizer, não falamos em boa disposição mas em constante optimismo, risinhos, risadas, cara contente e ar feliz.

uma consumição. 

não vou dizer que me incomodava o ar de quem teve dois orgasmos nos últimos cinco minutos, de forma ininterrupta todos os dias. isto a felicidade mede-se da maneira que cada um quer e se a mulher andava feliz bom para ela. não meus senhores, o que me causava repulsa na espinha era o facto de eu nunca saber o que a mulher estava a pensar e achava que, mais segundo menos segundo, ia explodir, cortar os lábios nos cantos e tentar assassinar o joker.

- hoje acordei com uma unha encravada, hihihihihi.

- tenho dois macacos no nariz, ehheh

- acabei de vomitar no bidé, ahahahahahaha.

- o meu avô fez cocó nas calças e eu limpei, ehehehehehehe.

- tenho caspa na sobrancelhas, lol.

 

deus!

a pessoa mais optimista que conheço é a magda e mesmo a magda tem os seus dias menos bons, os seus desabafos e as suas crises de pragas. é por isso que gosto dela, também.

pessoas que riem sempre, irradiam constante boa disposição mesmo quando o seu cão foi empalado por uma matilha, assusta-me, provoca-me calafrios e leva-me invariavelmente a pensar que, mais dia menos dia, aquela pessoa é presa por matar dois idosos numa tarde de verão. 

ninguém aguenta.

 

(conhecem alguém assim?)

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oh vai ver ali:

contem a mim

por M.J., em 28.09.16

na pendência de um trabalho que não vos apetece nadinha fazer qual é a vossa média de pausas por hora?

seja para dar uma olhada no facebook, ir largar umas pinguinhas, beber um café ou fingir que precisam de fazer um telefonema?

 

sou só eu que dou mais voltas à cabeça para adiar o inadiável do que para arranjar maneiras de o acabar mais rápido?

 

mas que consumição, pá!

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oh vai ver ali:

a rtp bêbada nos olímpicos.

por M.J., em 08.08.16

vi toda a cerimónia de abertura nos jogos olímpicos.

seria de louvar se não fosse deprimente: uma gorda idiota deitada no sofá, a comer pedacinhos de fruta fingindo que eram rebuçados e a olhar para a tv, com um ar entendido (e completamente ignorante) de algo que ela não faz: mexer o próprio cu. 

esperava algo muito mais fraquinho e fui surpreendida. essa é uma das coisas fantásticas da expectativas. achamos que não pode ser grande coisa e aceitamos tudo aquilo que o ultrapasse com emoção.

bastante interessante.

segui através da rtp1 e até à entrada das várias delegações não foi mau de todo. os apresentadores, em fundo, não escondiam o seu entusiasmo mas mantinham uma aura de seriedade que se quer. descambou quando entraram as delegações (sim, duzentas são muitas) e eles decidiram que ninguém os estava a ver e se podiam comportar como num reencontro da turma do nono ano, todos juntos já com uma bebedeira na ponta da língua, a falar com os amigalhaços que não viam há anos. 

foi absolutamente deprimente.

durante a entrada de todas as delegações aquelas alminhas não tiveram um único momento bom. e meus senhores, se não havia material para desenvolver. bastava uma curiosidade, por exemplo, acerca de cada delegação. quem levava a bandeira? qual era o atleta mais conhecido? em que é que são mais fortes? já participam nos jogos há muitos anos? têm muitas medalhas? tanta coisa! 

mas não.

durante as duas ou três horas, nem sei, os senhores da rtp1 mandaram cumprimentos aos amigos em portugal, aos amigos do camarote ao lado e contaram histórias de outros jogos olímpicos. lembraram momentos em que andaram noutras andanças e voltaram a mandar muitos beijinhos. numa conversa ininterrupta, sem sentido nenhum. às vezes, quando o assunto esgotava e tinham já passado umas vinte comitivas, decidiam perguntar "onde é que estamos?" e, mais para o fim, ficavam longos minutos em silêncio acabando por soltar um grunhido de "aqui estamos no estádio do maracanã! é maracanã ou maracaná?".

foi quase como assistir a dois estagiários bêbados, recrutados por falta de gente para fazer um grande evento e que não conseguem manter a seriedade tal é o entusiamo de dizer aos pais que estão ali e são famosos.

absurdo.

quando a delegação portuguesa entrou foi mesmo o descalabro. nos seus dez segundos de fama - como todas as outras - fomos presenteados pelos senhores jornalistas, adiantando que apesar de nós só os vermos durante dez segundos eles estavam ali e com os seus "próprios olhos" - cito - poderiam contar-nos o que se passava o resto do tempo. 

e então? esperei eu quando depois desta frase ficaram em silêncio. vais contar-nos o que dizem os teus olhos?

não! a frase foi dita mas não houve a continuação acabando por me levar a acreditar que o jornalista constatou que nós ficávamos felizes por ele ver. apenas isso. 

 

foi exactamente o mesmo cenário hipotético de ver um concerto do rodrigo leão pela tv relatado pelo toni carreira. ou pela rosinha.

 

e é para ali que vão (também) os nossos impostos. 

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oh vai ver ali:

a tanga e a maluca.

por M.J., em 03.08.16

isto anda parado.

a clientela está a banhos e não me apetece fritar pataniscas que acabam rançosas a dois cantos.

esta manhã fui tomar o pequeno almoço à pastelaria do bairro. uma coisa desenxabida, velha, com uma senhora obesa a servir, que nunca sorri, não cumprimenta (começo a perceber que o problema sou eu, visto que é o segundo sítio onde tal acontece) e que serve o que pedimos aos solavancos.

li o diário de coimbra para não ler o correio da manhã que estava abandonado na mesa do lado. parcas páginas de coisa nenhuma. fiquei a olhar em frente com aquilo que se avizinhava ser uma valente dor de cabeça.

na mesa do canto uma senhora falava alto, na tentativa desesperada de ter atenção. todos nós conhecemos alguém que usa do tom de voz para se fazer ouvir, com piadas que não metem piada nenhuma. tento evitar isso (não a parte das piadas) de tal maneira que até escrevo tudo em minúsculas (nunca se tinham perguntado o motivo de?) ainda que, nem sempre seja bem-sucedida.

quando a fitei percebi que era a fulana da ginástica que já me fazia revirar os olhos na altura, por falar mais alto do que a professora e dizer coisas como "vamos meninas, que temos de ir mostrar a tanga no verão".

deus!

a ideia daquele cu com uma tanga não era agradável!

não satisfeita a senhora decidiu embrenhar-se numa conversa com uma idosa da mesa do lado. tudo bem, não fosse o tema: renda? gatinhos? sopa de tomate? não! evidentemente, como não podia deixar de ser: política, numa coisa soft inicial de "antigamente-é-que-era" para "antigamente-é-que-era" versus "antigamente-era-mais-ou menos" para concluir "antigamente-é-que-era-sua-pirralha-que-vivi-nesse-tempo" versus "antigamente-era-uma-bosta-e-as-mulheres-não-podiam-usar-tanga-sua-velha-fascista".

a coisa atingiu tamanho estardalhaço que a velha saiu esbaforida do sítio, a dizer que com os seus oitenta e sete anos não estava para ser insultada.

uma tristeza que isto da idade é um posto mesmo que seja um posto de estupidez. 

 

assim como assim, quando o ambiente acalmou, peguei nos fones e acabei a ver o vídeo que segue abaixo. foi constrangedor porque quando dei conta estava a rir às gargalhadas, muito alto, acabando por concluir que a senhora da tanga pensava o seguinte:

a) estava a rir-me com ela (e por isso não se calava - péssimo!).

b) estava a rir-me dela (e por isso podia atirar-me com a tanga - um pesadelo!).

c) estava a rir-me sozinha (e por isso era mais maluca que a idosa do salazar - do mal ao menos!).

paguei e sai muito mais bem disposta do que quando entrara. 

claro que podia ter visto o vídeo em casa.

mas perdia a oportunidade de passar por maluca e, em consciência, quem quer isso?

 

 

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oh vai ver ali:

incompreensões

por M.J., em 01.08.16

nesta coisa dos blogs há - como é normal e até compreensível - embirrações, antipatias, falta de vontade de gostar, incompatibilidades e discordâncias.

perfeitamente natural.

a maior parte dos blogs são escritos por pessoas que não ganham absolutamente nada com isso - às vezes nem um cif cremoso - e, como tal, limitam-se a esparramar nas palavras o que lhes apetece, o que lhes vai nos dedos sem pensar grandemente em quem lê. também há quem só escreva a pensar em quem vai ler. é como aquela coisa: há gente que se preocupa pouco com o que os outros vão pensar da sua saia amarela ou gente que só veste o amarelo da saia se souber que a maioria vai gostar.

não é problemático.

nem sequer teria importância se, grande parte de nós, não passasse por aqui algum tempo e procurasse na leitura, na escrita e na interacção, um bocadito de companhia, passatempo e distracção das horas mais longas.

assumamos portanto que as birrices, as antipatias, as picardias, a troca mais ou menos acesa de palavras escritas são naturais e nada de espantar.

este é o primeiro nível facilmente acessível a qualquer compreensão. mesmo de pessoas com problemas de aprendizagem.

agora coloquemos outro cenário: é possível entender aqueles casos em que a picardia é tão grande que impede ao comum dos mortais perceber coisas tão lógicas que até um macaco amestrado consegue?

possivelmente a culpa é minha. sei que não devo muito à inteligência (diz-se que as pessoas nascem bonitas ou inteligentes: no meu caso alguém me roubou "ambas as duas" características) - e entro tantas vezes em contradição que se fosse ganhar um euro por cada uma que digo, escrevo ou pratico estava ali taco a taco com o cristiano ronaldo. mas, ainda assim, há coisas evidentes:

sendo todos nós, na grande maioria, gente que escreve sem ganhar nada em troca, usando das palavras para expressar o que queremos e perdendo tempo nisso poderemos, em consciência, defender o plágio dessas mesmas palavras? desse tempo investido?

 

cum mil raios!

isso é mais ou menos aquela coisa de ser mulher e defender a burka!

ou ser gay e defender o putin!

ou ser judeu e defender o hitler!

ou sei lá: estar com diarreia e defender as ameixas quentes!

ou ser bacalhau vivo e defender o sal!

defender certas coisas apenas porque não gostamos da pessoa que foi delas vítima, mesmo que em potencial nós próprios possamos ser vítimas também, não é só uma contradição gritante: é uma burrice tão grande que nem um cardume de burros (evidente tentativa de provar a minha parca inteligência) consegue igualar!

defender um travesti de ideias apenas porque as ideias roubadas são de alguém que não se gosta é a mesma coisa que bater palminhas ao roubo do vizinho que faz barulho às duas da manhã quando a nossa porta está com problemas na fechadura e arrisca-se a ser a próxima.

não é só contradição. ou burrice.

é mesquinhez!

frustração.

inveja.

e um "foda-se, se ao menos eu também tivesse sido alvo da coisa podia agora ter mais uma qualquer treta para escrever".

 

há pessoas desprezíveis: depois há mil fraldas com cocó, mil sacos vomitados e as ditas em baixo, aos saltinhos por estarem no seu elemento. 

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oh vai ver ali:

integral, daquele escuro.

saí de lá com:

* duas taças herméticas com uma cena que se pode pôr no congelador e mantém o conteúdo frio a metade do preço;

*  um avental de cozinha florido a metade do preço;

* um desinfectante em spray a metade do preço;

* um regenerador de pontas espigadas a metade do preço (pasmem-se, compro essas coisas no supermercado e nunca se for muito caro);

* e um livro a metade do preço, de um autor que nunca li e que agora, visto ao longe, me parece que não vou gostar.

 

esqueci-me:

* que tenho dezenas de taças numa caixa na garagem e que não uso por já ter muitas na cozinha;

* que nunca uso avental;

* que tinha comprado na semana passada imensos produtos de limpeza, incluindo desinfectantes;

* que vou cortar o cabelo depois de amanhã;

* que tenho uns quinze livros em lista de espera e não precisava mesmo de mais nenhum;

* do pão!

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disto do desporto

por M.J., em 13.07.16

a equipa que representa o país em futebol (pelo amor de deus não digam que a mesma é portugal porque da última vez que reparei ainda não vivia num mamilo do ronaldo nem o marcelo era presidente da pila do fernando) ganha uma competição europeia.

parece-me bem sobretudo pela parte dos não sei quantos milhões que origina de impacto no país. 

dá jeito que tantas bolas saltitantes e lágrimas de terror puro por um joelho partido encham assim os bolsos da nação ainda que, sejamos sinceros, haja quem afirme que em dois mil e quatro entrou uma dinheiraça da grande acabada por se perder nas cuecas metálicas que albergaram tanta bola e que agora estão a apodrecer ao vento (o desgraçado do estádio de aveiro, por exemplo, teve dias em que trocou a glória brilhante pela escuridão derivado de  não ter uns cêntimos para a electricidade).

é tudo muito subjetivo, diz-se.

juro que não me aqueceu nem arrefeceu a vitória. sou assim, uma espécie de pedante idiota que não consegue vibrar com a histeria de uma bola (se não soubesse que me iam fazer uma espera quase que confessava que num dos jogos queria que os heróis nacionais perdessem, só para eu poder escandalizar os vizinhos com golo alheio). irrita-me sobremaneira os gritinhos, as lágrimas e os cabelos suados em forma de arte de quem preferia perder as duas orelhas do que um jogo. não entendo e bem se vê que a culpa é minha porque tanta gente não pode estar errada. é como aquela coisa da religião. camandro! se os pastorinhos viram uma virgem em cima de uma árvore e se se construiu um império numa aldeola rural à conta disso, com milhares de pessoas a fazer calos nos pés a caminhar para lá, como podem todos estar enganados e eu certa?

está claro que a idiota sou eu!

o engraçado da coisa é que sendo o futebol um desporto deveria estar ali taco a taco com os outros, mesmo aqueles que não dão milhões a ganhar, no que diz respeito aos nossos representantes políticos. não me indigna nadinha que o marcelo salte com as duas bolitas e dê às mãos para apertar as ditas (mãos, vá) do herói nacional, esse portento de de salvação do país. mas já me irrita um tanto que o mesmo presidente, sempre com faladura, sempre tão disponível para estar e ser visualizado por aí, desde o camilo que morre à ágata de biquini, não dê um saltito aos sapatos para ir assistir ao ouro do triplo salto e da  meia maratona de atletismo ou o bronze da meia maratona e do lançamento de pesos.

não dizem os papás que os filhos são todos iguais, mesmo aqueles que lhes enchem os bolsos e os outros que, pobrezitos, só conseguem dar dedicação?

neste caso parece que não.

até no orgulho desportivo uns são filhos da mulher legitimada pelo santo matrimónio, deitadinha quietinha a fazer o amor e os outros da concubina, uma louca na cama com quem se pina e sem maneiras à mesa.

valha-me santa eufémia!

ou outra santa qualquer!

 

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