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na saúde e na doença

por M.J., em 16.02.17

disse o padre, e nas nerdices também.

 

depois de muito falarmos sobre o assunto o rapaz convenceu-me que precisava de um monitor novo. para trabalho, evidentemente, porque para programar preciso de ter várias janelas abertas. porque a resolução do antigo era uma bosta. porque há coisas que são mais fáceis de fazer num monitor maior.

assim seja!

pronto, que se compre o monitor novo, com as polegadas que quer, que os instrumentos de trabalho são isso mesmo, e se se pode melhorar, nada contra.

 

pois meus senhores, no dia em que chega a caixa com o dito a casa sabem o que tinha escrito em letras garrafais?

sabem?

GAMER.

repito,

GAMER.

 

como se não bastasse, isto é como ficam as minhas tretas nele:

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eu, de facto, mereço.

a PS4, os jogos, os star wars e treks da vida eram indícios mais do que suficientes do que me esperava, antes do casamento. 

se não antevi, problema meu!

 

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no dia dos namorados tenho medo

por M.J., em 14.02.17

um medo absurdo da perda de mim, enquanto eu.

da perda da minha sanidade mental.

da perda do que sou enquanto pessoa.

 

de me transformar noutra coisa, sem traços do que creio ser.

de ver imagens que não existem.

de acreditar em coisas que não são reais.

de me perder daquilo que sou transformando-me noutra coisa, meio louca, meio estranha.

de me tornar dependente de outros para sobreviver sem a réstia da dignidade que sou.

 

de te esquecer.

de olhar a tua cara e não ver mais do que olhos e pele e lábios e dentes e não seres tu mas um outro qualquer. de não saber da tua voz, do teu cheiro e dos teus gestos. de não reconhecer os teus traços. de não me lembrar das tuas mãos. de não recordar o teu corpo junto ao meu. de não saber o sabor da vida que partilhamos. de não ver já as gargalhadas.

tenho medo de esquecer as coisas que nos faziam enquanto nós. 

 

tenho medo de, um dia, por mais longínquo que seja, não te ver. 

não posso viver cega de amor. 

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na saúde e na doença

por M.J., em 13.02.17

disse o padre, e nos clichés do casamento também.

 

fui cortar o cabelo.

não é que tenha tirado grande coisa no comprimento mas dei-lhe forma, que aquilo parecia uma peruca escorrida, com demasiado cabelo e sem jeito nenhum.

como não gosto que o estiquem muito esticadinho, a cabeleireira só o enxugou e fez uma trança, que eu carreguei toda orgulhosa até casa.

 

quando o rapaz chegou, beijinho, beijinho, como foi o dia, jantarinho, sofá, banalidades e conversetas não mencionou nada quanto ao visual novo, pelo que, desfazendo a trança perguntei, ao jeito das novelas de infância:

- não notas nada de diferente em mim?

pergunta proibida, claro está.

 

depois de olhar, inspeccionar, sabendo de antemão que qualquer resposta dada seria errada, confessa:

- não. que é que fizeste desta vez?

aponto para a cabeça:

- o cabelo! não notas nada no cabelo?

 

olhou, mirou e acabou por murmurar:

- sim. está um bocado mais... farfalhudo.

- mas estás gira, estás gira!

 

e é isto, meus senhores.

não tenho cabelo.

tenho crina.

tenho pelo.

tenho uma coisa FARFALHUDA  na cabeça.

 

isto tem de ser motivo justificativo de um divórcio!

 

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na saúde e na doença,

por M.J., em 10.02.17

disse o padre, e nos dispensadores de guardanapos também:

 

uma pessoa está na cafetaria, a saborear um chá e a dizer parvoeiras acerca dos transeuntes na rua, e ele não responde porque está muito ocupado a pensar sobre que mecanismo podia arranjar para o dispensador dos guardanapos ser mais eficiente.

 

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publicado às 12:21