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entrei numa fase de resignação.

encolho os ombros e já nem suspiro. perdi a paciência e a vontade. era a semana em que devia escrever coisas bonitas mas estou-me a cagar para a beleza da coisa e preferia meter a cabeça debaixo da roda da carrinha de entregas que me deixou o frigorifico há minutos do que ter o trabalho de explicar ou esclarecer que isto é uma merda mas a decisão correta. 

sa foda. neste momento literalmente sa foda. escrevo para e por mim e perdi a vontade do resto.

este antro também serve para isso.

desistências de última hora, pequenices de última hora. coisinhas. niquentices. merdinhas. não tenho paciência. preferia perder a orelha direita do que entender como há gente que gosta disto, que passa um ano a planear isto com gosto, que sente saudades quando isto acaba, que sente um vazio na falta de planear coisas. chega. preciso de me deitar no sofá e ficar estatelada a pensar que a vida é idiota enquanto imagino a listinha das tarefas arder depois de rasgada em mil, mergulhada em água e calcada com saltos agulha. 

arranjo idiotices para distrair o cérebro e engano-me com emoções que não são reais. zango-me com coisas que não são minhas só para não me zangar à séria com as que me dizem respeito. é uma técnica boa. costuma resultar.

perdi horas no filho da mãe do cabeleireiro. não fazia a mínima ideia que ter cabelo dá muito trabalho, sobretudo comprido, e fui-me deixando andar com a crina áspera, com brancas a dar com pau e sem os reflexos que tem agora, depois de suspirar e perder horas de vida que nunca mais recupero num salão ouvindo o tagarelar de meninas.

deus do céu!

parece que é suposto perder tempo em unhas também e, sinceramente, já olhei para elas dez vez hoje com instintos assassinos ponderando cortá-las rentes. a mamã sempre me disse que mais do que umas unhas pintadas o importante é não terem porcaria por baixo, escondida pelo vermelho selvagem do verniz.

acredito piamente e estava capaz de assegurar que a maioria da nail art esconde um quilo de merda.

mas isso sou eu que sou uma má língua.

dizem-me que não devia escrever estas estupidezes porque isso só dá razão a quem não podendo casar diz, muito alto, que não serve de nada e é uma decisão inútil. encolho os ombros e lembro-me daquelas duas amigas que discutiram uma vez porque a que não tinha seguido o ensino superior dizia à outra, recém licenciada e ainda no desemprego, que ainda bem que não gastara rios de dinheiro a estudar porque assim não estava no desemprego. 

ou a outra que apregoa ao mundo que é bom não ter namorado porque assim não tem chatices enquanto vê, com ar glutão, se pode sacar algum no tinder.

ou ainda a outra que assegura que ainda bem que é gorda porque assim não é assediada na rua.

sabem a fábula da raposa e das uvas?

pois. 

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oh vai ver ali:

publicado às 10:00


3 comentários

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De josef a 11.05.2016 às 10:14

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De Maria Araújo a 11.05.2016 às 19:57


A mamã tem muita razão.
"a mamã sempre me disse que mais do que umas unhas pintadas o importante é não terem porcaria por baixo, escondida pelo vermelho selvagem do verniz."
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De Anónimo a 12.05.2016 às 11:56

Tens de ter um bocadinho de paciência, que depois isso passa tudo . Faz as unhas o cabelo, a pédicure a depilação, a esfoliação, a maquilhagem, o bronzeador, faz tudo , faz o que te apetece ....

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