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tempo e amigos

por M.J., em 11.05.17

a ideia de que temos o triplo dos amigos aos 15 do que temos aos 30 pode ser verdadeira mas comigo não cola. 

e talvez isso aconteça por diversos motivos:

porque não entendo totalmente a dimensão da palavra amigo;

porque nunca fui propriamente a rainha do social;

porque me sei dotada de uma total inabilidade do relacionamento com o outro em várias vertentes.

talvez porque por esse(s) facto(s) me sinto mais acompanhada agora do que outrora, mesmo que a quantidade das pessoas que habitam os meus dias vá substancialmente diminuindo.

 

é que na verdade a fórmula é batida mas razoávbel: não interessam os muitos, interessam os bons.

e desculpem lá, desconfio sempre das pessoas que se assumem como tendo mil amigos, uma constante entrada e saída de gente disposta a estar, ser, permanecer, dar atenção e companheirismo, acompanhar nas derrotas mas, sobretudo e o mais difícil, vibrar com as vitórias.

é muito simples e basta pensar: quantos amigos tinham aos 15 que ficassem verdadeiramente felizes com as vossas conquistas, por mais irrisórias que fossem à época (vistas com os olhos de hoje, bem entendido, que na altura era enormes na sua dimensão)? que sentissem quase como deles as vossas vitórias e se alegrassem genuinamente com a vossa felicidade?

talvez não muitos, como não muitos serão os de hoje.

as coisas são como são e basta enumerarem mentalmente as pessoas que fazem parte da vossa vida e pelas quais sentem essa... empatia de felicidade pela felicidade:

não são muitas, pois não?

é normal, faz parte.

 

 

mas se aos quinze era um deixa andar, a vida em grande e completa pela frente, uma eternidade de tempo e dias longos na companhia do outro, mesmo que não soubéssemos quem éramos ou o que procurávamos, a companhia pela companhia, a afinidade pela afinidade, aos 30 a vida é mais do que isso e no meu caso, procuro que o meu tempo seja gasto em mais do que o "porque sim".

não há porque sins.

há a vontade de continuar a conhecer ou estar com quem faz parte e partilho a vida (onde se incluem uns três quatro amigos e alguma família) e os outros.

e relativamente aos outros o meu tempo é limitado e o tempo que lhes dedico é ponderado e pensado. 

 

não tenho agora o tempo em que o tempo nos parecia infinito.

gastá-lo no só porque sim, em convívios que não me trazem nada além de uma sensação de maçada, em pessoas pelas quais perdi empatia, que o tempo levou e não faço tenção alguma de recuperar, é uma tempo totalmente desperdiçado nas mil coisas onde o poderia usar.

 

não se enganem mais senhores: o tempo é a coisa mais valiosa de que dispõem. 

eu faço tenção de o gastar com quem fica genuinamente feliz por mim (e vice-versa). 

e vocês?

 

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oh vai ver ali:

publicado às 11:55


8 comentários

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De Happy a 11.05.2017 às 13:12

Que texto tão, mas tão bom. Senti cada palavra e é uma verdade.
Parabéns!
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De Olívia a 11.05.2017 às 14:25

Exatamente como tu!
E daqui para a frente não penso que vá ser muito diferente, é que eu estou com quase 37...
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De Cá coisas minhas a 11.05.2017 às 15:24

Concordo. E pratico.
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De Aninhas a 17.05.2017 às 14:46

Há k saber separar amigos ou colegas, tanto faz na escola, como no trab! Amigos, amigos há poucos! Conhecidos, mtos mtos mesmo! É assim k penso, e já tenho um com par de ANOS!:-) Nem sei onde vão já os meus 15anos! :-)
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De merceariamagina a 17.05.2017 às 17:04

Não fecho a porta a novas amizades mas também sei diferenciar o que é um amigo, de um "amigo de copos", de um bom colega de trabalho, etc. Considero amigos aqueles com quem posso ser como sou, sem filtros. Que me respeitam, que se interessam, que estão lá quando é preciso, seja para rir ou para chorar. Não fecho a porta a novas amizades mas cada vez menos faço ou alinho em coisas "só porque sim". O tempo é escasso e não deve ser perdido com pessoas que não nos fazem bem, sejam eles novos ou velhos amigos (também acontece).
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De Ladys a 17.05.2017 às 17:18

Como te entendo.... tembém penso assim ;). Bjs, Marina
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De David Marinho a 17.05.2017 às 22:31

Fantástico mas totalmente verdadeiro! Bom post!
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De C.S. a 17.05.2017 às 23:48

Estou muito de acordo com aquilo que escreves aqui. Na verdade eu nunca achei que tivesse um batalhão de amigos, nem aos 15 e menos agora. Mas como dizes, não temos em quantidade, mas em qualidade e é isso que interessa.
Também me fazem confusão aquelas pessoas que têm uma lista infinita de amigos e gostam de toda a gente e querem agradar a todos e, sobretudo, querem aparentar. Terão os seus motivos...
Mas para mim não dá, não tenho paciência.

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