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tretas

por M.J., em 12.12.16

morreram duas miúdas um dia destes. acompanhei o caso porque me perguntaram, especificamente se as havia visto, uma vez que vieram para coimbra.

no fim de semana soube que haviam morrido num contexto um pouco estranho mas, pelos vistos, ligado a uma linha de comboio.

porque andava a ler a notícia dei um salto nos comentários:

pois meus senhores, os pais são absolutamente fabulosos.

 

duas miúdas morrem. eram filhas de alguém e pressupõe-se que esse alguém esteja a sofrer. mais do que um filho um pai deve conseguir compreender melhor o sofrimento do outro pai numa situação de dor maior.

pois o que é que os pais que eu fui lendo gostariam de dizer às mães daquelas catraias? 

que eram imensamente irresponsáveis!

que a culpa era delas!

que os seus filhos jamais andariam sozinhos na rua com catorze anos!

que deviam ser responsabilizadas por isso.

que eram umas mães de merda.

 

e em todos um "é muito bem feito"nas entrelinhas. 

 

a solidariedade paternal. o amor a mudar corações. o sou tão pessoa depois que pari:

tretas! 

balelas!

 

gente do catano.

 

 

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oh vai ver ali:

publicado às 11:50


8 comentários

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De Magda L Pais a 12.12.2016 às 12:22

vi o mesmo e acho que esses comentadores devem ser os mesmos que metem os filhos em redomas de vidro e não os deixam viver. e, depois, quando eles saem da redoma... é um descalabro que só visto
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De Quarentona a 12.12.2016 às 12:27

Também li os comentários e fiquei completamente horrorizada! Mas a nova "liberdade de expressão" que a internet trouxe às mentes perversas, que sempre o foram mas agora têm a possibilidade de se esconderem atrás de um qualquer ecrã, trouxe também esta intolerância, esta impossibilidade de "calçar os sapatos" dos outros, este rosnar como forma de catarse das próprias frustrações. Nem todos os pais são assim, Émejóta.
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De OKaede a 12.12.2016 às 13:21

A meu ver, estás a cair em falácia. As pessoas sempre foram assim, basta pensares na típica vizinha que está à janela na arte do cuscar e é mãe de filhos - não é preciso internet, nem outro modo de expor a crueldade. Todos nós temos as nossas certezas, e na educação cada um replica o que lhe apetece, tanto na conversa de café como numa secção de comentários de um site.
É a velha maneira de ser: soltar as nossas tretas sem pensar e longe dos ouvidos de quem realmente está a sofrer. Porque só existem poucos descabidos que conseguiriam dizer tais coisas à frente desses pais.
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De Quarentona a 12.12.2016 às 14:35

O que dizes vai ao encontro do que eu disse, a diferença é que a vizinha apenas comenta com alguns vizinhos e a internet trouxe a possibilidade do despejar de fel ter milhares na audiência, não é?
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De Ladys a 12.12.2016 às 12:55

Ainda bem que não li os comentários, como é possível . Onde está a solidariedade humana? . Marina
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De Rooibos a 12.12.2016 às 13:25

Não leia comentários de sites de notícias que aquilo faz mal à saúde!
Aquilo não são comentários, são o despejar de frustrações de gente doente. Só pode.
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De Maria Araújo a 12.12.2016 às 13:40

Vi a notícia. Não li os comentários.
Lamento a morte das duas miúdas queriam regressar a casa e escolheram o percurso errado.

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De Teresa Almeida a 12.12.2016 às 15:19

Quando li alguns desses comentários, até fiquei com um nó no estômago...Apetecia-me ser também muito mazinha e dizer umas bacoradas, mas desliguei.
Só mesmo quem não sabe o que é ver um filho morrer é que pode ser tão estúpido(a). Até a expressão da Mãe de uma das miúdas foi comentada, como se...
Lembrei-me de uma professora que tive, contar que numa cidade onde nasceu um dos filhos, foi criticada por não gritar no parto: era sinal de não gostar da cria!

Eu, no meio do caos que também passei à quase 30 anos, ouvi alguém criticar-me também...Só que nesse tempo não havia internet.

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