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uma paixão chamada livros #20

por M.J., em 26.02.16

Sequela que nunca devia ter sido impressa

esta porcaria.

sim, porcaria, sem medo de ofensa, pelos efeitos nefastos da mesma:

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e aproveito para voltar a publicar um post onde me pronuncio sobre o assunto.

 

não li o fifty shades of grey.

sou uma pessoa péssima e inculta. li os crepúsculos todos em inglês, online (não os saquei, não chamem já a policia) porque na altura trabalhava numa loja de roupa e toda a gente falava sobre isso. foi a primeira vez, confesso, até à data, que me senti inculta no que diz respeito a literatura e fui lê-los todos, de enfiada para ter assunto também. partes vá. assim muito leve.

(e um dia, no tédio de um domingo sombrio, doente até aos osso, vi dois filmes. partes vá. assim muito leve uma vez que dormi noventa por cento do filme, anestesiada em medicamentos).

ainda assim tinha uma opinião formada acerca dos crepúsculos todos e uma vez caí na péssima ideia de a descarregar a uma miúda, que mal conhecia, mas que estava na mesma mesa de um bar que eu.

eu conto. era a namorada do meu melhor amigo à época. tínhamos jantado todos, para eu a conhecer e no fim, quando o silêncio imperava (e nós nunca estávamos calados) ela disse que queria ir ver um dos filmes ao cinema - não faço a mínima ideia qual era ele. sem qualquer tipo de sensatez e armada aos píncaros (eu era uma miúda muito mais irritante do que o que sou hoje, creio) disse logo que os livros eram hediondos. e que a tristeza da coisa era termos adolescentes histéricas a verem nos comportamentos doentios do livro uma bonita história de amor. cada vez mais lançada no discurso, gesticulando muito, fui enumerando motivos:

i - temos uma gaja insossa, sem qualquer atributo, cheia de inseguranças, com uma vida triste que cativa um fulano fabuloso sem dizer uma palavra. repare-se que a miúda não precisou de fazer, dizer ou mostrar nada para que o maravilhoso príncipe encantado se apaixonasse loucamente e transformasse tudo o que era triste na vida dela em flores e arco-íris (parece que aquele amor louco veio do cheiro, meus senhores, do cheiro).

ii - a mesma miúda começa a ser seguida por ele. o homem entra-lhe dentro de casa, fica a vê-la dormir, segue-a para onde ela vai. e mesmo assim, todo o mundo que lê abre as queixadas num aahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh romântico, quando caralho, aquilo era justificativo de uma providência cautelar.

iii. o homem, quando finalmente trocam uma palavra, e já numa fase de amor muito avançado, diz-lhe, sem qualquer problema que já matou pessoas. nesta fase todos acreditamos que imperará o bom senso e ela foge ou, pelo menos, questiona-o com os dois pés atrás. mas não. claro que não. a menina diz que não tem mal nenhum e que confia nele. porque como é evidente a primeira coisa que devemos dizer quando alguém nos revela que matou pessoas é que confiamos nele para nos levar a passear.

até a um canto.

escuro de preferência.

iv. o homem põe tudo em causa por ela. e a moça fica completamente dependente dele, sendo isso visto como uma coisa fantástica, magnifica e decente. pior. parece que, mais à frente, o gajo deixa-a, alegadamente por amor, por ser imerecedor dela e ela fica prostrada, meses, num mutismo triste e bonito.

credo! mas como, como, como é que esta merda vende? como é que alguém vê isto como uma bonita história de amor? como é que as mães das adolescentes as deixam ler esta merda? como é que mulheres adultas lêem isto e não sentem vergonha daquilo? ou medo do que histórias da treta destas fazem na cabeça de miúdas pré-adolescentes?

enfim, a namorada do meu amigo não achou muita piada. confesso que se fosse hoje eu ficava calada. não tinha qualquer motivo para embaraça-la ali, em frente a outras pessoas, que abominavam aquilo tanto como eu. era nova no grupo, não conhecia ninguém e era escusado. mas o mal estava feito e no dia a seguir, como compensação, o meu amigo foi com ela ao cinema ver o filme, todinho, comprando-lhe pipocas, coca cola e ainda um enorme chocolate em forma de coração. mais tarde confessou-me que sofreu muito nessa noite. e hoje, já não estão juntos.

 

tudo isto, uma pessoa perde-se na conversa, para dizer que não li o fifty shades of grey. pelo menos não integralmente.

abri-o uma vez, em casa de um colega, que coleccionava livros como quem toma cafés. tinha frases picantes. fechei-o. dias mais tarde, li num blog qualquer alguém que venerava a coisa, como o supra sumo da literatura. voltei a ficar curiosa e fui ler resumo, partes do livro, na tentativa de perceber: é uma coisa hedionda.

caso não saibam a história está relacionada com uma gaja qualquer, também insossa, também cheia de inseguranças, que se apaixona sem motivo nenhum por um bilionário. e por esse simples facto, por essa paixão saudável aceita fazer tudo o que ele quiser. tudo meus senhores. e tudo significa a apanhar nas trombas, em sessões de sexo sadomasoquista e assinar um contrato em que se compromete obedecer a qualquer coisa que ele queira. 

melhor que isso, é que, num pormenor importante, consta que a mulher é virgem o que não a impede de partir logo ali em sessões de sexo sadomasoquista (e gostando, claro, que as coisas funcionam assim mesmo) sentindo-se honrada por namorar com um gajo que lhe quer enfiar coisas no corpo e lhe dar nas trombas com um chicote.

dói e não é do chicote.

 

sim senhores, cada um gosta do que gosta. mas não consigo deixar de pensar que estes livros pornográficos são tristes. e é triste ver miúdas, ainda nem adolescentes, juntamente com as suas mães a ler isso, a comprar os bilhetes de cinema dois meses antes num histerismo incompreensível para quem tiver dois dedos de testa. é triste ver miúdas e senhoras que olham para porcaria de um livro cheio de pornografia como uma história romântica e que sonham com o objectivo máximo de encontrar um homem rico que as salve delas mesmas, obrigando-as a assinar um contrato em que se transformam num monte de lixo, sujeitas à vontade do senhor, que ainda assim, as honra em namorar com elas.

e em lhes enfiar todo o tipo de coisas no corpo.

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publicado às 15:00


6 comentários

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De JP a 26.02.2016 às 15:07

Não li mas pelo que tenho visto no desafio... todas estão de acordo!
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De Neurótika Webb a 26.02.2016 às 15:49

ahahaha...escolheste o mesmo que eu.
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De Di Art Blogger a 26.02.2016 às 16:01

Compreendo. E em muito que concordo contigo.
Deixa-me discordar no seguinte; no Fifty Shades of Grey a Ana não é cheia de inseguranças, é precisamente a sua segurança escondida aos olhos dos disraidos ( e dos que lêem partes do livro :)) que faz com que o Grey se apaixone por ela, é o que a torna diferente das outras, aos olhos dele.Ela não aceita fazer tudo, ela refuta o contrato, altera o contrato ( existir um contrato? eu sei... mas é historia, não é a minha e é interessante de ler), portanto ela não aceita fazer tudo, aceita o que quer, o contrato estabelece muito bem as regras, tem código vermelho para desistir a qualquer momento.
Apanhar nas trombas com um chicote? Não é nas trombas, é na "dita cuja"!
O apontamento que faço ao livro, considerando o mais importante, é que tornaram a personagem de Grey, um controlador manipulador, apetecível. Pode ser perigoso para quem não conheça este tipo de perfil de homem pensar que podem ser seguras e fortes quanto a Ana para os poderem mudar e moldar.
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De Catarina a 26.02.2016 às 17:02

Fizeste-me rir, e tens muita razão ao mesmo tempo.
Li um dos Crepúsculos para poder opinar. Opino que é mau.
Engasguei-me quando o meu homem disse que queria ir ao cinema ver o filme (já não sei qual). Ele, que é contra musicais, animais e outros ais, em filmes. Mas lá fomos. Não gostei.
Vi na TV desde aí partes dos outros filmes. Uma cena lembro-me de ter um diálogo quase interessante (sobre o amor, o para sempre, o infinito, a paixão e intuição), mas secalhar não era assim tão interessante porque deixei fugir a lógica.
Sombras? Nunca li. Há bons romances com cenas de sexo descritas (Jean M Auel que já te mencionei sendo um deles), mas aquilo ao que parece não tem mais nada. Viajei com uma amiga que lia o livro, corei no avião, mas folheei-o durante essa semana (é mais forte que eu) e percebi que ao fim de cada 2 páginas havia acção. Pior, não é só sexo, é sexo SDM (?), que é claramente sinal da maior estupidez (ou compensação, parece que o tipo tem mommy issues), mas que quem não o faz no sec XXI ou é xoninhas ou não é sexy. Poupem-me a essas expectativas ridiculas.
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De Susana a 26.02.2016 às 17:55

Li os livros todos do Crepúsculo, não os comprei porque não via potencial naquilo, uma amiga emprestou-mos. Não gostei, a história é desconsolada tal como a protagonista e aquele "romance" é uma treta. A minha amiga, no entanto, amou aquilo e está sempre a perguntar-me se não conheço mais livros do género...
Quanto ao 50 shades, comecei a ler online, em inglês... Não fui muito adiante, achei aquilo uma porcaria, história secante, um romance de merda, enfim, dava por mim a ler uma página e quase a adormecer a meio. Nunca cheguei às supostas partes intensas, por isso não posso opinar muito. Escusado será dizer, que não vi filme xD
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De me a 26.02.2016 às 18:05

A gaja dos filmes lá dos vampiros tem ar de quem está permanentemente com prisão de ventre.
Qt às sombras, well...acho aquilo uma porna chachada para sopeiras. Pronto, já disse. (Nunca li mais de 2 frase e n vi o filme)
O sucesso de ambos...bom...

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