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vacinas

por M.J., em 15.02.16

tenho uma colega que foi mãe faz duas ou três semanas. nunca fomos propriamente amigas. veio recambiada dos amigos de uma anterior relação e ficou nos conhecidos do facebook apesar da relação ter ido à vida. a minha e a dela.

sempre foi do tipo enfim, não diria estranho - que estranhos somos todos - mas alternativo. com garra. com força. vegetariana, um cabelo gigantesco que se recusava a cortar e acolhia um monte de gatos, doentes, desgraçados, sem uma orelha ou uma pata dentro de casa. um dia teve uma espécie de discussão à nossa frente (minha e do anterior) porque o namorado olhava a shakira que se rebolava na tv. que ela (a shakira, ressalve-se) era o estereótipo da degradação e instrumentalização da mulher. pensei que se eu própria soubesse dar assim à anca e tivesse aquele palminho de cara não me importava nada de ser degradante. 

seria uma degradante boua, giraça e rica. assim sou degradante na mesma mas eu mau.

adiante: a rapariga pariu (a shkira também, é certo, só eu é que não, bem se vê que algo vai mal no mundo). como é que eu soube?  pois que tanta alternatividade não se coíbe de colocar as trombas do puto (confesso que pode ser uma menina, são todos iguais e eu não reparei no nome) no facebook. que a criança ainda podia estar cheia de gosma uterina  visto que teria horas quando as suas lindas fuças foram assim expostas ao mundo. não foi um pézinho, uma mãozinha, nadinha. vai a criatura toda que é para as gentes verem.

e é isso que te apoquenta, M.J.? nada me apoquenta meus senhores, mas não é disso que se trata este post. pois o que me começou a dar alguma espécie foi a maneira como a rapariga decidiu partilhar o evento e os acontecimentos posteriores:

* pariu em casa acompanhada de uma parteira e usou a frase: "abri-me e abriu-se o mundo em mim"; (não é poético? o  verbo abrir dá todo um encanto a qualquer frase onde se use. se fosse abriu-se-me, então, era coisa para deixar a multidão em delírio)

* decidiu partilhar as suas convicções quanto à vacinação da criança: pois que não quer. e há um monte de estudos que publica para comprovar que não, as vacinas são feias, porcas e más e a criança há-de ser saudável sem essas modernices vindas em picas más, dadas por médicos interesseiros.

não é bem?

eu por mim, se emprenhar, tenho dito: a criança toma as vacinas todas e ainda as que houverem sobresselentes,tudo dado com uma seringa das grossas, que se eu me "vou abrir e o mundo abrir-se em mim" sem morrer de dores, a criancinha pode bem aguentar um espeto na pele a abrir-se também.

ai que eu leio cada coisa. 

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publicado às 11:00


91 comentários

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De Niki a 18.02.2016 às 10:50

É de uma tremenda irresponsabilidade, o facto de publicar fotos dos filhos, não são nossa propriedade e não devem de ser exibidos - na minha opinião e de alguns Juízes de tribunais de menores.

Mas o mais grave é mesmo não vacinar a criança, visto que no EUA onde a moda começou devido ao autismo estar supostamente (na cabeça dos pais) associado a uma vacina dada antes dos 18 meses, que aqui em portugal essa mesma vacina nunca teve associada a um único caso de autismo, mas pronto. O mais grave é aparecer casos de rúbela, sarampo e tosse convulsa em massa em algumas regiões dos EUA, doenças já supostamente erradicadas e que podem matar não a criança que apanhou mas sim os bebés ou recém-nascidos que ainda não tem idade suficiente para levar algumas das vacinas em questão.
Essas queridas mães, em caso de danos físicos graves aos filhos delas são processadas em tribunal e se por acaso o filho delas pegar a outra criança que ainda não teve possibilidade de ser vacinado por razões médicas (por exemplo ter estado doente na data suposta da vacina) ou por motivo de idade.... a mãe da criança não vacinada pode ser presa mesmo por negligência civil e parental.


A pois mas cá não é nos EUA por isso essas queridas mães podem voltar na boa a idade da pedra, sem que ninguém lhes diga nada.
E se nos EUA em que são processados por tudo e por nada a moda pegou, imagino por cá.
É que de facto a medicina não serve mesmo para nada, só para enriquecer os bolsos das farmacêuticas
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De Violinista a 18.02.2016 às 22:42

Vou acrescentar dois cêntimos.

As vacinas contribuem para a imunidade da comunidade (uma coisa linda, que até rima). Com esta erradicámos doenças graves. Com elas dadas às criancinhas, ou tendo as criancinhas a apanhar varicela ou sarampo, ou escarlatina, em tenra idade evita que venham a apanhar essas doenças mais tarde onde podem sofrer muito mais (exemplo, a minha mãe apanhou varicela estando grávida e foi um trinta e um).
Entretanto, e penso que deve ter sido lá para os lados dos USA que os gajos são uns inspirados do caraças, surgiu a belíssima ideia de não vacinar os putos. Fight the System! Que as vacinas fazem mal, que têm químicos que fazem muito mal (já se provou no entanto que se os têm são em quantidades mínimas para enfraquecer os vírus/agentes patogénicos), que provocam autismo nas criancinhas (fizeram um estudo que depois veio a provar nada, nadicas, contra os muitos estudos que mostram que morrem muito menos crianças agora com a história da vacinação), e que não são vegans e por isso estamos a fazer mal ao planeta (sim, os vegans, os mesmos que são contra comer mel mesmo quando isso beneficia as colmeias criadas e mantidas).

A questão é: com as crianças vacinadas, gera-se imunidade em conjunto, e assim se erradicam doenças complicadas. Mais, há crianças que não podem ser vacinadas legitimamente: crianças com doenças do sistema imunitário e outras assim complicadas, que por muito que os pais e médicos queiram reforçar o sistema imunitário não podem.
Se uma meia dúzia de pais decide que agora, em pleno séc. XXI, já não querem vacinar os putos, cria-se um buraco na imunidade conjunta, e o que antes não conseguia passar tem agora uma porta. Morre mais uma criança dessas doentes, ou mesmo pessoa adulta se tiver problemas desses. O vírus provavelmente consegue evoluir e depois há uma estirpe que aprende a bater as vacinas, regressando tudo à estaca zero. Uma merda.

Eu própria sei que não sou flor que se cheire neste aspecto, não gosto lá muito de médicos nem de farmacêuticos e sei que fazem mais por lucro do que por outra coisa (vacinas da gripe), odiei aquela do papiloma, detesto a anti-tetânica mas está em dia. Mas, pelo amor da santinha, vacinem-me os putos com as vacinas que estão no programa e deixem-se de merdas, que doenças suficientes já aí há. E deixem-nos ir brincar para a lama.

("Abri-me e abriu-se o mundo em mim" - e com esta frase eu digo para a maravilha do mundo da maternidade que não, não quero, obrigada.)

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