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vera

por M.J., em 04.01.18

às vezes falo com a vera via whatsapp.

são conversas em que colocamos nas palavras um turbilhão de coisas imensas que nos consomem a vida e que raramente desabafamos com outros alguéns.

 

espatifamos nas teclas ou nos telemóveis um sem número de pensamentos, medos, anseios e coisitas, maiores ou menores, que por norma estão bem fundo dentro de quem somos, na certeza de que não podem ver a luz, olhos e ouvidos de toda a gente.

são frases enormes, linhas cortadas, autênticos textos seguidos e ininterruptos das coisas que nos cercam os dias e que pomos ali, a olho nu, numa fúria desmedida, certas e seguras que do outro lado está alguém que nos conhece desde há tanto tempo, que passou por coisas idênticas e que sabe, quase sempre, que aqueles desabafos servem para equilibrar os tormentos de que somos feitas mas não passam disso.

 

às vezes olho para a conversa toda a pergunto se alguma de nós está realmente a ler ou se aproveitamos para escrever tudo, como quem deita fora num detox à pressão coisas tóxicas que consomem, sabendo de antemão compreensão e ausência de julgamentos.

 

são sempre frutíferas, as conversas com ela, mesmo que sinta que estou a falar comigo própria.

e não estando, porque somos absolutamente diferentes - ela é muito mais bonita - pergunto-me às vezes se consigo compreender a verdadeira dimensão deste espaço, onde a partilha de um ou outro pensamento me traz pessoas para o outro lado da vida, onde por norma não partilho nada com desconhecidos.

 

acho que são oito anos Vera, os que podemos contar nesta partilha. 

oito anos de absolutas confidências sem nunca ter ouvido a tua voz, visto a tua letra ou sentido o teu olhar a partilhar um café. oito anos em que o nosso desconhecimento é proporcional ao conhecimento de quem somos.

começa a ser tempo de mudar isso. 

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oh vai ver ali:

publicado às 10:30


3 comentários

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De miss queer a 04.01.2018 às 11:34

partilho de alguma forma este sentimento. também tenho uma «Vera». uma de que às vezes me afasto, mas de quem depois me dão as saudades - ou a ela - e voltamos a falar. sem nunca nos termos visto (fisicamente), é uma das pessoas de quem mais gosto e que melhor me conhece. é uma daquelas pessoas com quem posso estar anos sem falar, mas que quando voltamos a falar, é como se tivessem passado minutos.
dizem que é mais fácil conversarmos com quem não conhecemos... e é o que nos acontece com elas. apesar de nos conhecerem melhor do que muitas pessoas com quem estamos diariamente.
é engraçado que tenho andado a pensar «tenho saudades da A.», mas ainda não lhe disse nada. e hoje é o segundo post que leio, tipo sinal , que me faz ter a certeza que lhe devo dizer alguma coisa!
obrigada, M.J.!

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