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vocês

por M.J., em 12.06.17

no início deste ano tinha decidido para este blog um rumo diferente.

aconteceu num dia em que não me identifiquei com tudo o que lia por aqui. o que faz sentido. crescemos e deixamos de sentir o que sentíamos antes e quando escrevemos o que sentimos deixamos de nos rever como somos no que escrevemos.

uma consumição, não é?

 

li umas coisas sobre marketing. por gosto. agendei horários e planeei objectivos. estruturei a agenda. não por querer ser rica, famosa e almejar a glória com isto (tanto mais que escrevo cheiinha de erros) mas por querer chegar a mais gente.

se escrevo para cinquenta por que não chegar aos cem?

 

nos primeiros dias a coisa correu bem.

havia uma rotina profissional que se enquadrava e os temas fluíam. editei posts antigos, repesquei outros. fiz passatempos e percebi as horas adequadas. as visitas aumentaram e surgiu uma parceria.

boa M.J.! e o que aconteceu depois?

ao fim do segundo ou terceiro mês percebi que andava a escrever por obrigação e que cada vez mais sentia relutância em continuar.

 

além disso, a vida profissional deu outro salto e os dias tornaram-se maiores. há um pequenito susto todos os dias, uma agenda que cresce mesmo que se mantenha com as mesmas horas, a leitura começou também a ser mais ávida e os planos também.

voltamos ao mesmo:

posts escritos em cima do joelho.

pouco cuidado com os erros.

querer lá saber das horas, dos agendamentos, de ler outros blogs (há uns quatro ou cinco que são lidos religiosamente pelo simples prazer da leitura), de comentar outros sítios, de responder a toda a gente.

de pensar em passatempos ou títulos catitas.

deixei de me preocupar com isso e voltei a canalizar isto para aqui aquilo que sempre foi:

um refúgio.

a disciplina de escrita no sentido de despojar para os dedos as pequenas coisas da vida, que a vida é feita de nadas e os nadas são o que realmente interessa.

 

o resultado foi óbvio: uma diminuição das visitas, dos comentários e olaré pimpim parcerias, adeus. 

 

no entanto, mesmo assim, quando aqui entro, há sempre dois ou três comentários simpáticos, um ou dois e-mails trocados, reacções e sorrisos.

quer os posts sejam escritos a horas recomendadas ou não.

quer escreva sobre temas relevantes ou sobre as horas a que me levantei e as insónias que me deram cabo dos olhos.

quer me debruce sobre ginásios (bhá) ou sobre bolos com aveia. 

vocês estão aqui. 

e isso deixa-me tão, mas tão, mas tão feliz que quase juro que somos todos amigos, mesmo não sendo.

que quase penso que escrever quem sou compensa.

que quase concluo que, mesmo sem parcerias com enlatados, hotéis ou tintas da china para as vistas, eu tenho o que interessa.

a maria diz que não há nada pior do que um bloguer escrever sobre o seu blog.

é verdade.

 

mas a maria, tal como alguns de vós, veio até mim por este blog.

faz parte dos meus dias e eu gosto tanto mas tanto dela que não sei explicar. 

falo sobre ele, portanto, porque falar sobre ele é falar sobre vós. sobre nós. 

 

e se tivesse tempo até vos pespegava as banalidades do meu fim de semana, afinadinhas e melancólicas. 

não tenho.

 

mas falamos mais logo como, aliás, temos vindo a fazer nos últimos dias.

sem títulos catitas, passatempos ou horas recomendadas.

sem comentários atrás de comentários.

sem obrigações.

pelo simples prazer de estarmos juntos mesmo não estando. 

 

gosto de vocês porra. 

(tenho dúvidas que "vocês" esteja correto nesta frase).

 

até logo. 

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publicado às 12:10


17 comentários

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De A rapariga do autocarro a 12.06.2017 às 12:23

Gosto de ti porra... o meu pai é que não deixa!
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De M.J. a 12.06.2017 às 12:47

o teu pai não deixa???
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De A rapariga do autocarro a 12.06.2017 às 13:53

Isto era uma frase feita muito usada por nós lá na aldeia há uns 30 anos para dizer que gostávamos de alguém.... O pai não deixava namorar...
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De Cristina a 12.06.2017 às 12:46

sem marketing nem agenda a cumprir. podes fazer então assim? ☺
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De Rooibos a 12.06.2017 às 13:12

Engraçado que ainda hoje falei disto no meu blog: http://rooibos-blog.blogs.sapo.pt/pensamentos-soltos-2-18301.
Cabe a cada um decidir o melhor caminho a seguir para o seu blog. Se este caminho te faz feliz, continua assim!
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De Just_Smile a 12.06.2017 às 13:43

Acho que escrever por 'obrigação' mata um bocadinho de nós e do blog, e admito, sigo muito mais um blog que é ele próprio do que parcerias, passatempos e afins... aliás, normalmente acabo por deixar de entrar nesses blogs com mil e quinhentas coisas e mil e quinhentas coisas. Gosto de ler quem escreve, gosto de conhecer quem está aí :)
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De Me, myself and I a 12.06.2017 às 13:49

Do meu ponto de vista eu escrevo para mim, tipo um diário! É para isso que serve o meu blogue! Não me interessam parcerias comerciais, as únicas parcerias que quero são as vossas, são as parcerias com quem me lê e comenta, ou apenas gosta, ou apenas espreitam!
Gosto muito da linha de pensamento do teu blogue (já perdi as vezes que já te o disse!) e espero que continues assim! Beijinhos
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De helena a 12.06.2017 às 15:13

Também gosto de si. Passo aqui todos os dias, mas entro e saio em silêncio, gosto deste blog precisamente por ser assim, não ter publicidade, parcerias e cenas encomendadas.
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De Quarentona a 12.06.2017 às 15:29

Ainda bem que não foste persistente ao ponto de transformar o teu blog numa montra onde tudo se compra, para mim, um blog só faz sentido se nele virmos a sombra de quem escreve. Gosto mais de ti assim, cheiinha de erros ;))))
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De Silent Man a 12.06.2017 às 15:43

Sim, minha querida. Eu também sinto o mesmo...
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De Anita a 12.06.2017 às 18:02


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De Happy a 12.06.2017 às 18:32

Compreendo quem queira parcerias mas a mim não me cativa. Aliás um blog com muitos produtos cheira-me a publicidade enganosa, não é possível conhecer e gostar de todos os produtos, certo? Mais cedo ou mais tarde, acabo por deixar de visitar.
E gosto que sejas assim, genuina. Passo cá todos os dias, embora muitas vezes não comente. Mas gosto muito. Continua a escrever para ti e para nós, conforme te dê na veneta!!

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