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pergunta para milhão

por M.J., em 30.11.18

não tenho muitos amigos ou conhecidos com quem prive ou familiares que tenham sido pais recentemente.

nunca convivi, portanto, com bebés.

sou filha única. os primos, amigos de infância, que me lembro, eram todos já grandinhos. nunca mudei fraldas. nunca dei leite ou adormeci um bebé. também nunca tive paciência. nunca senti o "olha que fofo" ao ver uma criatura careca e gorducha. sempre me afastei do choro a sete pés. e confesso, estou agora a entrar naquela fase muito pessimista de que a a minha vida vai afundar, vou perder totalmente o controlo e preciso de me organizar de maneira a manter um pouco do que ela é. preciso de saber que vou continuar poder a trabalhar (aqui não há licenças: não trabalhas, não ganhas), dormir o mínimo para não me atirar da varanda e, de vez em quando, comer umas pecinhas de sushi sem ser interrompida pelas minhas próprias mamas a dar leite (e não do de soja).

posto isto - e porque de histórias tristes já estou farta - alguma mãe que por aí ande conseguiu, nos meses seguintes ao nascimento, manter uma vida minimamente normal? regressar relativamente rápido ao trabalho? sentir que não vivia (como já li) única e exclusivamente para nutrir a cria?

é mesmo preciso - durante meses (ou anos) - deixar em completo de sermos nós?

não me compreendam mal: eu sei que as mudanças são inevitáveis. estou preparada para elas.

a questão é: é possível existir, pelo menos, uns laivos de normalidade nisto tudo? controlar, um pouco que seja, a situação?

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publicado às 10:32


6 comentários

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De RC a 30.11.2018 às 10:52

Eu (que nunca fui mãe, mas que toda a vida vivi com bebés) acho que tudo é possível com o apoio certo, ou srja: pede, exige mesmo, ajuda.
Mas acima de tudo ouve-te, percebe bem o que faz sentido para ti, percebe que nos primeiros meses o teu corpo vai andar numa toda viva e que dormires quando o bebê dorme cai ser a única forma de dormires o mínimo que precisas.
Despacha a lusa da casa para outros, faz o que precisas para ti, para o teu bebé e para a tua família.
Acima de tudo: pede ajuda, recruta amigos e família, se alguma visita perguntar se precisas de ajuda aceita e pede o que precisares. Se não gostarem são menos umas visitas que voltam enquanto não tens tempo nem cabeça para aturar.
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De Fatia Mor a 30.11.2018 às 11:02

Laivos de normalidade? Claro que sim!
Vou ser franca. Os primeiros dias são caóticos. A vida vai mudar, vai alterar-se, em parte porque os miúdos têm um ritmo muito próprio. Mas, por norma, e vou falar da minha experiência (e sei que todas são diferentes, blábláblá), ao fim de um mês a minha vida estava (relativamente) normalizada.
Assim que as rotinas se instalam, consegues programar novamente a tua vida com relativa segurança.
Claro que haverá sempre um cocó na hora de sair de casa, uma gola vomitada quando não dá jeito nenhum, e um choro desalmado quando a pessoa se senta na sanita/entra no banho/mete o garfo à boca (riscar o que não interessa).
O que importa é flexibilizar. A mente. Não te frustrares quando num dia só conseguires fazer metade do que tinhas programado. Ou se o miúdo andar o dia com um bocadinho de comida na roupa. Ele sobrevive!
Isso, para mim, foi a grande conquista. Eu que sempre me regi por horários, esquemas, programas, quase tangíveis de tão certinhos que os fazia, aprendi que a vida é como o bambu: dobra de caneco quando estes pequenos pandas se penduram neles! Mas não quebra! (hoje tou com inspiração para as metáforas à La Palisse).
Portanto, deixa que as emoções te levem nos primeiros dias, deixa que a avassaladora ideia de ter um filho te domine durante uns tempos e depois abandona essa ideia e foca-te no que é importante: happy mother, happy child, sejam lá qual for o caminho... Que não era este e acho que já me desviei do que é importante.
Partindo para a parte prática: tenho uma colega que cumprir os 90 dias e foi trabalhar. E fê-lo na boa! E diz que já estava a dar em maluca e que foi a melhor coisa que lhes aconteceu. Umas vezes ia mais ensonada, mas combinava com o marido e as noites eram revezadas. Uma vez dormia um, outra vez domia outro. E pronto, acho que é tudo, por hoje!
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De Marisa Oliveira a 30.11.2018 às 11:12

Eu. Apesar de só ter regressado ao trabalho já ele tinha 7 meses consegui manter uma vida normal, sempre dormiu bem e aos 3 meses passou para o quarto dele a dormir 6h/7h de noite mais as sestas durante o dia. Como tinha leite de sobra investi numa bomba e nos copinhos próprios e tirava e armazenava (congelava) graças a isso conseguia que ele ficasse na minha mãe ou na minha sogra, deixava o leite e ele bebia no biberão.

às vezes sinto-me um alien porque só ouço falar na privação de sono e eu nunca me senti assim, claro que também tive noites mal dormidas, mas não foram assim tantas que me levassem à loucura.

Palavra chave: Descontração, não stressar em demasia e não ligar aos comentários parvos que se fazem muitas vezes
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De Magda L Pais a 30.11.2018 às 11:16

nunca vivi exclusivamente para os gaiatos, por mais que sempre tenha desejado ser mãe. Nunca me anulei nem nunca pensei em mim como "mamas à disposição" (ainda que tivesse mais leite que uma vaca). É natural - absolutamente natural e inevitável - que tenhas de fazer adaptações aos teus horários e que, nos primeiros dias, a coisa pareça caotica. Mas aos poucos vais encontrar o ritmo certo para ti e para o Altino sem que te anules e sem que vivas exclusivamente para o Altino. É só mesmo uma questão de dias/semanas mas é fazivel e muito necessário para a vossa sanidade mental (e sim, estou a falar de ti e do Altino, ambos precisam dessas rotinas).
Eu organizava as coisas de modo a que, nas 3/4 horas de intervalo entre as mamadas, pudesse ler/ver televisão/navegar na net ou - de noite - dormir. Se fosse caso disso, dormia nesses intervalos durante o dia. Os gaiatos ficavam deitados ao pé de mim, nas alcofas ou na "cesta da fruta" e ia falando com eles. Ou então se estava na cozinha, deixava-os na sala a ouvir televisão (normalmente o canal história) e eles ficavam entretidos.
Sendo necessário.... a seita vai a tua casa ajudar.
Ahhhh e como dizem ai mais acima, se te oferecerem ajuda, não tenhas problemas, aceita.
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De Outra a 30.11.2018 às 11:28

O meu caso: como sabe voltei ao trabalho tinha o puto 3 meses.
Como foi:
Na primeira semana estive internada com ele. Depois as 3 semanas seguintes foram as piores...para me habituar a que tinha alguém exclusivamente dependente de mim (ainda que não amamentasse em exclusivo).
Esse primeiro mês para mim é o crítico. Às vezes parecia que nem comer eu podia descansada...é muito para assimilar, aviso já. Não tenhas expectativas de conseguir fazer logo tudo como se o Altino não existisse. Não é possível, e não é bom.
Se puderes ter alguém pertinho de vocês que ajude com as refeições e com as roupas por exemplo, notarás uma grande diferença. Aceita a ajuda que fica tudo mais fácil.
Depois vais aprender a gerir tudo. Não é fácil no início, mas passa.
Quanto às fraldas e ao resto, apesar de já ter cuidado de primos parece que não sabia nada quando era para cuidar do meu. Instinto é a única palavra que deves decorar. Vais saber o que fazer.
Um beijinho e cá estou sempre que precisares.
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De Anónimo a 30.11.2018 às 14:42

Ora bem, não tens apreciado os meus comentários mas...
A primeira semana fiquei no hospital internada e com criança na neonatologia. Saí e a criança ficou mais 2 dias. Não houve portanto normalidade nenhuma.
Após chegarmos a casa, sem praticamente apoio nenhum fiz tudo o que era preciso fazer e comecei a trabalhar a partir de casa. Menos de 1 mês e o pequeno já me acompanhava para o trabalho.
Digo-te que possível é, não é é aconselhável. Sem trabalho não há dinheiro, mas é preciso mesmo descansar, aproveitar ajudas da mãe, prima, sobrinha, cunhada... o que vier.
A vida social deu para ter dentro dos horários que entendia serem aplicados ao bebé que era bastante portátil e foi um bebé super fácil.
Um conselho que dou e que aplico há nove anos é: muito ou pouco tempo, o que podemos dedicar deve ser inteiramente dedicado com amor, carinho, vontade, total atenção e prazer.
Vai correr bem :)

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