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a creche

por M.J., em 02.09.19

o miúdo entra na creche amanhã.

às vezes sinto palpitações por isso. e uma ligeira sensação de culpa: se trabalho às minhas próprias ordens ele podia ficar comigo, aqui, não é?

pois não. 

é extremamente difícil trabalhar com ele ao lado. e acaba por passar algum tempo sozinho, na sala, com música em fundo ou tv. a creche é a solução mais viável sobretudo porque é perto de casa e, nos dias em que não estiver assoberbada, ele fica comigo e pronto.

 

uma das coisas que achei abismal é o valor a pagar pela creche.

está certo que é calculado de acordo com os rendimentos - sendo uma IPSS - mas meus senhores, é quase como pagar propinas numa universidade privada. acho até que é mais caro do que isso, tendo em conta que vamos pagar o máximo.

vou-vos dizer: num país com baixa natalidade e onde um casal precisa de trabalhar (ambos os dois) não se compreende como as soluções propostas para apoio à primeira infância são tão caras.

gente!

das duas três: ou um dos pais fica em casa com a criança; ou os dois recebem pouco mais do que o salário mínimo e a mensalidade não é gritante ou, então, é espremer as nádegas para evacuar dinheiro.  

que a criança é fonte de despesas já sabemos. que o estado apoia muitos pais com abonos, subsídios mono-parentais, apoios e afins é verdade também. mas que despreza totalmente quem não se enquadra nesses parâmetros assumindo que não precisa e pronto, é também outra verdade universal.

é como se: ganhas o ordenado mínimo? estás desempregado? avança com a fabricação da criança que nós ajudamos.

ganhas um pouco mais do que isso? trabalhas que te lixas sessenta horas semanais, sem férias e fins-de-semana? fode-te que a responsabilidade é tua, a taxa de natalidade não precisa de ti e paga mais de duzentos paus por mês para a tua criança ir para a creche. e dá-te por satisfeito que podias nem isso ter ainda que descontes que nem um tolinho todos os meses. 

é. falar de dinheiro nunca foi giro. 

mas é necessário.

 

seja como for, a criança vai para a creche amanhã.

há um misto de: vou trabalhar a manhã inteira sem interrupções, sem mudar fraldas, alimentar, ajudar a fazer sestas, brincar com a criança: iei, viva; e vou trabalhar a manhã inteira sem interrupções, sem mudar fraldas, alimentar, ajudar a fazer sestas, brincar com a criança: oh merda para isto. 

e se ele não se adaptar? e se sentir a minha falta? e se estiver a chorar e ninguém o consolar? e se outro miúdo o morder? e se tiver fome e ninguém o alimentar? e se tiver que mudar a fralda e não o fizerem? 

dói-me o coração. horrores.

às vezes penso se não seria mais fácil abdicar do trabalho, ficar em casa com o miúdo e ter mais tempo para dar amor: não dizem que nestas coisas o dinheiro é o menos e o amor é o mais? começo a entender porquê.

fixe, fixe era que o banco também recebesse amor como prestação mensal da casa. 

e os senhores do continente onde faço as compras.

e os senhores da edp.

e das águas de aveiro.

e do gás.

e do combustível.

tenho tanto amor para dar e só querem dinheiro!

publicado às 10:31


7 comentários

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De Magda L Pais a 02.09.2019 às 10:37

já vai para a creche... credo como o tempo passa.

Dois conselhos.
1. Não faças despedidas prolongadas de manhã. Entregas o gaiato, vais-te embora e não olhas para trás.
2. Ele vai chorar e berrar. Meia hora depois está de tal modo entretido que nem se lembra.

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De Maribel Maia a 02.09.2019 às 10:39

Que seja o início de muitas aprendizagens para ambos!!!
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De imsilva a 02.09.2019 às 17:41

Ui! Compraste lenços suficientes?
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De A Caracol a 02.09.2019 às 18:48

E na creche, não aceitarão amor? Já tentaste?
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De M. a 02.09.2019 às 21:33

A minha filha vai para a creche em novembro, quando tiver 9 meses. Estou em casa com ela desde que nasceu (5 meses + 1 mês férias + 3 meses licença alargada), com vários períodos em simultâneo com o pai quando também ele gozou a licença/férias. Não tenho saudades nenhumas do trabalho, já antes de ser mãe me custava saber que passava a maior parte do meu dia/vida longe das pessoas que mais amo e que me fazem verdadeiramente feliz. A licença (e uma bebé fácil) permitiram-me isso: estar todo o dia com a minha filha e pais (que moram perto), tempo para ir fazendo as tarefas com calma durante o dia e depois também estar disponível para estar com o marido quando chega do trabalho. Sei que nos vamos adaptar à nova rotina, ela à creche e tudo vai correr bem, mas preferia continuar com ela em casa (pelo menos até ela ser mais velha, para aí 1 ano e meio, para já interagir com outras crianças). O meu plano é para já ir gozando o horário reduzido (ainda amamento) e quando deixar, passar para tempo parcial e trabalhar só 5h por dia sem pausa para almoço, para a poder ir buscar ao início da tarde. Claro que isso acarretará uma perda salarial, mas durante os primeiros anos de vida dela dar-nos-á uma qualidade de vida impagável e acho que é super importante para as crianças não estarem 9h por dia fechadas na escola. Aquilo que não quero é sentir que o dia é passado em tarefas, trabalho, deslocações, tempo de qualidade quase zero e sempre com pressa e a "despachar" o que há a fazer (e a vida a passar...).
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De Drama Queen a 03.09.2019 às 12:30

Tu pagas o valor que pagas já pensaste no custo que um bebé tem a IPSS. Funcionários/Água/Luz/Alimentação/Material didáctico que tem um desgaste rápido, entre outras coisas...Sou da opinião que as rede de creches devia funcionar como a escolaridade obrigatória sem ser claro obrigatória pagamos tantos impostos deveria de ser para nos beneficiar em alguma coisa...
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De M.J. a 03.09.2019 às 12:49

ah, mas eu não tenho dúvida nenhuma que é caro. estive a pesquisar e, em média, o custo de um bebé para a IPSS (na que ele está) ronda os 400€. o que acho é que a rede de creches públicas tem de aumentar. o estado não pode assumir que a natalidade baixa é um problema mas depois descartar responsabilidades quanto a este aspeto. sobretudo tendo em conta os impostos que pago.

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