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ah, as crianças

por M.J., em 10.01.20

4 dias meus senhores.

4 dias foi o tempo que o miúdo aguentou na creche, depois das férias de natal, até vir recambiado para casa com uma virose (ou, como que eu gosto de chamar, com coiso).

 

digo-vos já:

se algum dia tiverem vontade de criticar mães que mandam filhos doentes para a creche pensem duas vezes.

eu, por exemplo, no dia em que vi uma menina na creche doente com pés, mão, boca estive a dois passos de fazer um pequeno vendaval: como é que alguém pode ser tão irresponsável que leve uma criança doente para contaminar os outros todos?

depois lembrei-me que, se trabalhasse num sítio das 9 às 18, ou noutro qualquer, com patrões chatos e ficasse em casa sempre que a criança está doente já tinha sido despedida, dispensada ou alvo de muito assédio laboral.

por sorte - sorte, salvo seja - trabalho por minha conta, comando os meus destinos e posso deixar sua excelência em casa quando está coisado.

claro que me sai do corpanzil, porque se não trabalho durante o dia tenho de trabalhar à noite. e a ele também, que passa períodos sozinho, rodeado de bonecada, mas comigo no escritório ao lado a correr atrás do prejuízo.

ainda assim, fica em casa, com todo o conforto e a ser apaparicado ao mínimo ai. 

 

se tivesse de ir para a creche, que remédio tinha eu.

é que, reparem, atentem, tenham em atenção, desde setembro, malfadado mês em que foi introduzido nas lides dos vírus no também denominado infectário, perdão infantário (é creche, vá, mas assim tem piada) já padeceu das seguintes maleitas:

  1. um adenovírus que descarrilou para conjuntivite, amigdalite, otite e febrite altíssima e que o levou a quase ser internado. foram 15 dias de pânico a fazer-me tomar a decisão de que não voltaria à creche quando estivesse doente (por mim era nunca mais, mas o rapaz não concordou).
  2. diarreia explosiva durante uma semana inteira. nunca lavei tanta roupa na minha vida, digo-vos já, e todo o dinheiro que pagamos em saneamento é bem merecido dada a quantidade de fraldas que vão para o lixo.
  3. uma conjuntivite durante uma semaninha inteira que o fez lembrar camões, se camões tivesse, no olho tapado, quilos de remela a escorrer (dizer pus num texto sobre bebés não é bonito).
  4. o vírus pés mão boca também andou por aqui durante, pelo menos, uma semana. este foi particularmente desagradável porque a criança queria comer e não conseguia. e nunca lhe tirem comida: este bebé tranquilo transforma-se no conan osíris a berrar que lhe partiram qualquer coisa.
  5. uma bronquiolite (mesmo no dia de natal) que não foi particularmente grave (tirando a chiadeira, nada mais) mas que me assustou e fez com que o jantar no dia 24, em casa dos meus pais, durasse 20 minutos até voltarmos a casa com um miúdo a chiar do peito.
  6. uma série de episódios ocasionais de febre, sem qualquer outro sintoma, mas que obrigam a que permaneça em casa (fiquei vacinada do adenovírus: tem febre, não convive com putos). 

 

portanto, meus senhores, a fazermos as contas, foram mais dias em casa do que na creche. 

chefe algum entenderia isto. incluindo eu, se fosse o chefe algum. é tudo muito bonito mas uma empresa precisa dos colaboradores ou, caso contrário, não os tinha. 

ter filhos é um bênção e pardais ao ninho mas obriga a uma grande gestão da coisa.

obriga a mudarmos planos, a sermos prejudicados e a pôr tudo em segundo plano. e isso não é para todos e nem todos nos podemos dar a esse luxo. 

 

não sei qual é a solução para isto. consigo compreender todos os lados: das mães; dos pais; das creches; das empresas; dos putos doentes deixados no infectário do meu filho por pais que não têm outra opção; e da esponja que é o meu filho a  apanhar os vírus todos.

e sei porquê:

nesta semana, quando cheguei à creche, ele estava - atentem - a roubar muito descaradamente, sem qualquer tipo de pudor, uma bolacha meia comida da mão de uma menina.

assim, pumbas, é minha.

e aquela bolacha meia mastigada, repletinha de vírus, foi enfiada na boca dele, pela sua mão gorducha. 

 

a culpa é dele, meus senhores, só dele, que rouba comida aos outros porque come como uma pequena betoneira industrial.

e no meio disto tudo quem se lixa é o mexilhão - neste caso eu - que trabalho de noite, cuido dele de dia e preparo-me para ficar - tal como trimestre anterior - 5 fins de semana fechada em casa, consecutivos, porque estas coisadas de que ele padece começam sempre, pasmem-se, às quintas.

 

ah, as crianças!

publicado às 09:59


1 comentário

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De Vanda Maria a 10.01.2020 às 10:26

Tão verdadinha. Ainda bem que vê o lado de quem não tem outro remédio senão deixá-los na escola, medicados. Os meus tiveram a sorte de ter avós disponíveis - só foram para o infectário a partir dos 3 anos - não se compara a carrada de tretas que apanham antes dessa idade.

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