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atrasos

por M.J., em 21.11.16

nota prévia (nunca esperei escrever uma nota prévia, estou mesmo a ficar velha, catano):

o texto foi inspirado em mas não é, nem podia ser uma critica a (não vivi a situação, não estive e nem teria direito a). é apenas uma reflexão tendo por base algo.

façam lá um esforço para verem os dois lados.

 

ontem a fatia escreveu um texto sobre uma situação vivenciada. foi um desabafo e não sou ninguém para o criticar (leiam bem o ponto prévio antes de assumirem o que não existe). porque gosto da fatia (sim, sou daquelas pessoas que cria empatias com pessoas que nunca viu apenas por aquilo que escrevem), porque tenho imenso respeito pelo que escreve, porque até já mudei de opiniões por coisas que li no blog dela, e porque sempre me senti do outro lado, na situação que ela refere, deixei um comentário com a minha opinião.

depois, achei que, sem as minhas parvoeiras do costume, este até poderia ser um tema para desenvolver, no sentido de explicar o meu lado (daí este texto já não estar ligado aquela situação em concreto mas no geral):*

vamos lá? 

 

desde que me lembro (sem ser criança, vá) que não suporto gritos. sejam de quem for ou venham de quem venham. chamemos-lhe um atraso emocional, um trauma ou outra coisa qualquer. gritos fazem com que as minhas unhas dos pés encravem nos cantos, que o meu cabelo cresça para dentro ou que as minhas pernas corram para muito longe. gritos de crianças, então, incomodam-me a um nível estratosférico. já houve gente que me deu justificações, de todo o tipo, para este atraso emocional: há quem diga que o ser humano está programado para sentir incómodo com os gritos das crianças para, dessa forma, estar mais apto a fazer algo quanto a isso e, consequentemente, resolver a causa do choro.

sei lá! sei que me incomoda terrivelmente, mas a pontos de, em algumas situações, deixar seja o que for e virar costas. uma atrasada, bem sei.

mas mesmo assim, sejamos francos, uma atrasada com os mesmos direitos de quem não sofre este atraso. e se houve coisa que nunca fiz foi maltratar ou ser incorrecta para uma criança ou até, pasmem-se, para os pais da mesma. não parece, eu sei, mas sou bastante mais educada do que podem pensar através do que escrevo. e se estou num restaurante com um puto a gritar atrás de mim (o direito dele de gritar é proporcional ao meu de abanar a cabeça, nunca nos esqueçamos disso), mesmo que eu esteja a pagar para ter um pouco de paz, não me dirijo aos pais a pedir que vão acalmar a cria à rua.

não solto interjeições

não digo nada:

mas desculpem lá, não sorrio, não sinto empatia e não mostro compreensão aos pais ou a quem acompanha a criança. e porquê, sua bárbara, sua porca fascista sem coração, podem perguntar vós. simples: porque não a sinto. porque no meu atraso emocional não consigo sentir compreensão pela situação que me está a colocar tanto desconforto. fico quieta, cerro os dentes e tento atafulhar a comida o mais rápido possível e sair. e isso já me obriga a ter demasiado controlo para ainda ser hipócrita ao ponto de soltar um sorriso forçado de empatia.

pensem na seguinte situação: vou ao supermercado comprar papel higiénico. estou na fila do lidl (deixei este exemplo porque é dos únicos sítios onde espero horrores para poder pagar o dito papel) com uma terrível dor de cabeça, mas assim a nível planetário. preciso mesmo do papel porque lá em casa não há. atrás de mim está uma mãe com uma criança. também precisa mesmo do papel higiénico porque em casa dela também não há. estamos as duas na mesmíssima situação com dois agravantes: eu tenho uma dor de cabeça, ela tem uma criança que grita. a criança aumenta a minha dor de cabeça (que eu iria jurar que era impossível de aumentar). e permanecemos as duas. nenhuma pode ir embora porque:

a) precisamos as duas de papel higiénico.

b) temos as duas direito a estar na fila.

c) eu podia não ter ido ao lidl com dores e ela podia ter ido sem a criança, por isso a questão de uma de nós não ir não se coloca. (eu podia ter esperado que a dor passasse, ela podia ter esperado que alguém ficasse com a criança ou que a mesma, sei lá adormecesse no carro, por exemplo. a criança pode ter só feito birra lá, a minha dor de cabeça também pode ter começado só lá).

d) é suposto, mesmo com a minha dor de cabeça terrível eu ter a capacidade de sorrir e mostrar compreensão pelo sentimento de embaraço da mãe?

se sim, expliquem-me porquê. por empatia? mas é errado eu não sentir empatia? eu não sou mal educada, eu não mando postas de pescada, eu não solto interjeições. cerro a cara e fico quieta, no meu desconforto. não sinto empatia porque o incómodo que me estão a causar é maior do que isso. então por que raio é que este meu incómodo consegue ser mais errado do que o incómodo daquela mãe? por que é que o meu incómodo silencioso é mais incomodativo do que o incómodo gritante?

chegamos a um ponto de tanta protecção infantil em que demonstrar sentimentos de pouca compreensão para gritos é absolutamente errado? mas porquê?

(é pá, e se o único argumento é "quando tiveres filhos percebes, então não há argumento").

não sei se terei filhos. há grande probabilidade de que tal aconteça e não sei como vou lidar com os gritos e este meu atraso emocional. ponho as minhas esperanças no velho ditado "de que os filhos nunca cheiram mal aos pais" mas seja o que deus quiser. posto isto, sei - com a mesma certeza que sei que hoje de manhã bebi uma meia de leite e meia carcaça integral de ontem - que os meus ditos filhos - se saírem a mim - vão ser absolutamente teimosos, donos da verdade aos três anos e que mais rápido serão primeiros ministros da austrália do que perfeitos. que vão fazer montes de birras. que se calhar, vai haver dias, em que me vão fazer pôr em causa tudo aquilo em que acreditava. mas mesmo assim, hoje, desculpem lá, não consigo sorrir, não consigo sentir borboletas ou muita empatia quando num espaço público sou quinze minutos bombardeada por uma criança a gritar como se alguém lhe estivesse a arrancar o escalpe.

porque me incomoda quase a pontos comparativos de me estarem a arrancar um dente sem anestesia.

é um atraso meu, bem sei. mas eu não julgo o atraso da criança que grita ou do pai que a deixa gritar: limito-me a sentir-me incomodada (com cara de quem está incomodada porque não tenho poker face - mais uma falha) sem me manifestar. 

porque é que os outros julgam o meu atraso, então?

 

*sim, denota-se um esforço gigante da minha parte para que fique bem claro que não estou a criticar a fatia e que este texto se refere a uma situação que acontece a toda a gente e da qual, se forem ver, já escrevi várias vezes no blog.

oh vai ver ali:

publicado às 11:00


30 comentários

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De Filipa a 21.11.2016 às 12:03

Subscrevo na integra o que dizes.
Não sei como explicar o que me provoca este tipo de assuntos, e não se trata só de crianças, mas de tudo o que acontece no dia a dia. Somos constantemente julgados por tudo e por nada e a noção de liberdade individual é cada vez mais "individualizada" (passo a redundância). Usando como exemplo o teu texto, se os pais têm o direito a não serem julgados e até agradeciam alguma compreensão eu tenho também o direito de me sentir incomodada, não posso ser obrigada a gostar de crianças só porque os pais estão envergonhados com a birra que ela está a fazer, o meu dever é só não me manifestar.
Quanto ao argumento de "quando tiveres filhos percebes" é para isso que serve a pílula, para não ter filhos.
Desculpa o tom do comentário mas estes assuntos revoltam-me mesmo.
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De M.J. a 21.11.2016 às 16:26

creio ser uma questão quase primitiva, instintiva, biológica: gosta-se de crianças, ponto porque disso depende a espécie. quem não sente isso será, creio, sempre mal visto porque contrário a esses instintos assumidos como intrinsecos ao ser humano.
quanto ao "tudo o que vem de crianças é bom e/ou desculpável" será já mais apreendido pela sociedade atual.
posto isto, será ridiculo uma pessoa desconhecida virar-se para uma criança em birra e implicar por isso: talvez por esse facto se dirigir aos pais...
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De Fatia Mor a 21.11.2016 às 12:12

Primeiro, não acho que sejas atrasada emocional. É normal as pessoas não gostarem de gritos. Eu também não gosto, e como também não sou de apreciar ranhos nos meus filhos, os seus gritos são ainda mais agudos aos meus ouvidos.

A verdade é que custa muito a crítica dos outros nestas situações. Porque eu nunca fico em espaços públicos quando a minha Fatia#1 resolve desatar aos berros. Aliás, normalmente, a extracção para o carro e consequentemente para casa é, por norma, o que aumenta exponencialmente os gritos.
Acho que é isso que não ficou claro... É que quando ela começa, eu arranco para onde possa deixá-la gastar toda a energia, frustar-se e sair daquele estado louco, sem que outras pessoas tenham que lidar com isso.
Foi o que aconteceu ontem...

Se acho que é daquelas coisas que só vamos perceber quando tivermos filhos? Acho que não. Isso só as dores de parto e mesmo assim, para mim, a epidural existe para isso mesmo - permanecer na ignorância quanto a essa "maravilha" da natureza.
Mas a maternidade está cheia de críticas. É fácil sentirmo-nos julgados quando nos olham com desprezo ou fazem interjeições que roçam o deseducado (para não dizer o deselegante e brejeiro como tive que ouvir ontem de um senhor que se acha claramente a última bolacha do pacote da stand up comedy).

Aceito que muitas pessoas estejam nos teus sapatos. Que não gostem, que não sejam empáticas com a situação. Mas a verdade é que custa muito menos quando os outros o são.

Deixa, tenho a certeza que sentirás toda a empatia com as noites que tenho passado em claro, as dificuldades e as dúvidas em educar estes seres que às vezes conseguem ser não-tão-maravilhosos e com muitas outras coisas. Não podemos ser todos iguais, não podemos viver todos da mesma maneira e, na verdade, ainda bem que assim!

Só um pequeno acrescento (a este comentário já todo ele acrescentado)... às vezes não há onde deixar os filhos, eles não adormecem nem à lei da bala, e o papel higiénico acaba nas piores alturas - Fatia dixit!

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De M.J. a 21.11.2016 às 16:27

"Deixa, tenho a certeza que sentirás toda a empatia com as noites que tenho passado em claro, as dificuldades e as dúvidas em educar estes seres que às vezes conseguem ser não-tão-maravilhosos e com muitas outras coisas."

não sinto só empatia quanto a estes aspetos: sinto também uma enorme admiração!
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De Swonkie a 21.11.2016 às 13:01

Enviamos-te um convite por email :)
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De Cristina a 21.11.2016 às 13:03

vou só fazer de conta que sei analisar muito bem os textos:
o teu está todo "inquinado" ao partires da convicção de que o que sentes é um "atraso". como se fosse um defeito, uma coisa ruim, um pecado.
não é.
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De M.J. a 21.11.2016 às 16:29

mas também não será, atento o costumeiro das coisas, normal...
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De Cristina a 21.11.2016 às 20:31

é normal.
sorrisos pretensamente empáticos, fácil de mais.
empatia verdadeira: a dos avós.
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De Outra a 21.11.2016 às 13:13

Percebo o ponto de vista das duas. São ambos válidos. Sempre me incomodaram crianças aos gritos e na verdade não raras vezes me senti incomodada e achei que era impossível alguma criatura estar a fazer aquilo aos pais e pior: como é que eles podiam permitir aquilo. (e achei que não, nunca ia ter um puto que fizesse cenas assim - fazem todos).

Mas agora percebo (melhor) a parte da empatia. Porque sei que é horrível tentar calar pequenos seres cheios de vontade própria e voz aguda (e o meu ainda só tem 14 meses) e sentir todos os olhares reprovadores à volta. Portanto, mesmo que me incomode, só penso na mãe que em de domar a pequena fera...porque na verdade sei o que é (e não queria) estar no lugar dela.
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De M.J. a 21.11.2016 às 16:30

acaba por ser mais ou menos, em resumo, a questão do "situações que apenas se entendem vivenciando"?
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De Outra a 21.11.2016 às 17:31

Sim, é isso. Achamos (de longe) que nunca vamos tolerar certas merdas...e se há muitas que conseguimos não tolerar, outras passamos a compreender muito melhor.
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De M.J. a 21.11.2016 às 17:32

então é "só entendes quando fores mãe?"
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De Outra a 22.11.2016 às 11:24

esta em particular sim.
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De Gaffe a 21.11.2016 às 13:24

És tão boa advogada!!!
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De M.J. a 21.11.2016 às 16:31

(ia dizer obrigada mas depois lembrei-me que nem sempre é elogio ;) )
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De Gaffe a 21.11.2016 às 16:48

Neste caso era.
:)
Defendes a tua tese com inteligência e argumentos duros e de difícil contraditório.

(Gosto de ti!)
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De M.J. a 21.11.2016 às 17:33

(e eu de ti. morro de saudades).

que opinião tens tu, no assunto?
ou não tens?
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De Gaffe a 22.11.2016 às 10:50

Nunca pensei seriamente no assunto.
Não gosto de gritos, seja de uma criança ou de um adulto, mas não consigo suportar o gritedo de uma birra. Entendo que um miúdo testem os limites da paciência dos cuidadores, mas não entendo a paciência dos cuidadores para estes testes infantis.
Normalmente, desapareço com vontade de espatifar o puto. É curioso que não me enfureço muito com os pais! Fico só com muito má impressão e a lamentar não poder ser eu a espetar-lhe um chapadão.
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De Maria Araújo a 21.11.2016 às 13:24

"chamemos-lhe um atraso emocional, um trauma ou outra coisa qualquer. "

Na minha opinião, MJ, todos temos um trauma, mas só tomamos consciência dele quando as coisas acontecem ao nosso lado, ou mesmo connosco.
Li o post da Fatia Mor, compreendi e respeito a situação dela, mas também entendo o teu lado, porque odeio gritos de crianças e barulho, e risos altos de mais, discussões e insultos, quando são proferidos aos berros.
Fico assustada e por vezes com medo.
Também tenho trauma, MJ.E não tive filhos.



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De M.J. a 21.11.2016 às 16:31

não estou nisto, ao menos :)
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De Silent Man a 21.11.2016 às 17:11

Na qualidade de Pai, sinto empatia (mas não iria sorrir ou empatizar-me, garanto, a menos que conhecesse pai e/ou cria) pelo que escreveu a Fatia, tanto no post como no comentário. Porque também eu já fui obrigado a uma extracção de um aniversário épica, no dia do aniversário da minha mãe, para chegar ao carro e o miúdo adormecer ao fim de LITERALMENTE 100 metros. Ou da casa da mãe da madrinha dele, porque em vinte minutos que lá estivemos o miúdo SÓ berrou de desconforto.

Mas na qualidade de pessoa, sinto empatia, respeito e ainda admiração por ti, Éme Jota, pela qualidade que tens em expor a maneira como eu penso em palavras como eu não me atrevo a fazer porque não consigo. Porque se há alturas em que eu penso "Uma palmada bem dada naquele rabo é que era..." seria acusado de barbárie se o fizesse ao meu filho em público, quando ninguém tem nada a ver com isso. Noutras ainda penso "coitados dos pais, vê-se mesmo que a criança está a sofrer com algo" mas a culpa até pode ser dos pais e é melhor mesmo estarmos sugaditos no nosso cantinho e não metermos a colher, até porque pode ser pior para a situação.

Assim tou contigo. É aguentar, afastar o mais rapidamente possível e... que não nos doa a cabeça nesta altura.
Quando fores tu, logo conversamos!
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De M.J. a 21.11.2016 às 17:34

ah a questão da palmadinha educativa... tenho lido tanta coisa sobre isso (e cada enormidade... ) que, sem filhos, não me atrevo a escrever sobre.
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De Silent Man a 21.11.2016 às 17:36

Até hoje, nunca foi preciso. Mas a cria ainda só tem dois aninhos... Eu e esposa amada já alinhámos as situações em que não há escapatória possível. Se algum dia precisar, mando-te um email para me ires sacar à prisão, porque és a única outra advogada que eu conheço (Mentira, mas podia ser verdade...)!

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De M.J. a 21.11.2016 às 17:38

(nem acreditaria: há sempre um conhecimento maior da classe ;) )
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De M.J. a 21.11.2016 às 17:40

já agora, pura curiosidade: posso perguntar quais são essas situações de ultimato?
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De Silent Man a 21.11.2016 às 17:55

Claro que sim :)
Muitas (a partir de três) birras daquelas de bater o pé ou semelhantes a seguir a uma ordem ou um não.
Más-educações para Pessoas no geral quando não provocadas (se provocadas são aplaudidas).
Actos agressivos, como bater em pessoas ou afins, novamente quando não provocadas.

Caso não estejamos presentes, ninguém tem ordem de o fazer por nós excepto os avós e os padrinhos. E tem que haver relatório da ocorrência também.

É mais ou menos isto.
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De Quarentona a 21.11.2016 às 21:30

Tal como disse no blog da Fatia, felizmente, nunca passei por uma situação semelhante, não por ter uma criança bem educada, mas porque nunca foi feitio dele fazer birras. Usa outras técnicas muito mais subtis para obter o que quer, ou vence-me pelo cansaço ou esbanja charme, umas vezes consegue, outras não. Mas uma coisa garanto, se alguma vez me armasse um berreiro em público, nunca cederia ao seu capricho por muito incomodo que pudesse causar, fá-lo-ia uma e outra vez até perceber que não lhe adiantaria absolutamente nada. Compreendo a tua aversão a gritos, acho que não deve existir ninguém que os aprecie, eu também não os suporto (a menos que seja eu a gritar :P), mas acredita que suporto muito menos pequenos ditadores a por e dispor dos seus pais, apenas porque tem que ser senão a criatura arma um escândalo capaz de deitar um prédio abaixo! Acredita no que te digo, apesar de não me arrepender um segundo de ter gerado um filho, a vida é muito mais simples sem ele, no sentido de que é muito menos complicada.
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De M.J. a 21.11.2016 às 21:35

certo. então pegando nas tuas palavras (que li bastante coisa idêntica hoje): se a única coisa que importa, num caso desses, é a criança e não o mau estar que provoca, também não é admissível ao pai/mãe que fique chateado com as reações que a birra está a causar nas outras pessoas.
ou é?
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De Quarentona a 21.11.2016 às 21:55

Mas é evidente que os pais ficam chateados com o incómodo que a birra provoca nos outros, acho que não li em lado nenhum de que se estariam nas tintas para isso, a questão é que se trata de um dano colateral, um mal necessário e tantas vezes inevitável e é essa inevitabilidade que os pais esperam que seja entendida (diferente de aceite) pelos outros. No teu caso, não me incomadaria a tua atitude, apesar de nunca esperar palmadinhas nas costas ou até aplausos, compreenderia perfeitamente o teu ar fechado próprio de quem não gosta deste tipo de espetáculo, agora críticas ao estilo "se fosse meu filho" é que são difíceis de engolir num cenário de birra, porque esta por si só já é deveras irritante.
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De Olívia a 22.11.2016 às 10:05

Não há nada mais embaraçoso do que querer fazer determinada coisa e o nosso rebento cutchi-cutchi desatar aos berros.
Quais são as opções? Ceder e fazer tudo o que eles querem? Deixar gritar até perceber que quem manda não ele? Uma pessoa pode preparar-se para muita coisa, mas na hora... só temos vontade de desaparecer, e sim, é humilhante quando nos olham com pena.
No entanto, existem casos e casos. Eu já ouvi um pai dizer no meio da birra "se não te calas vamos embora", o que não era mal pensado, o pior é que ele repetiu isto durante dez minutos e não foi embora...
Com isto quero dizer-te que eu também não suporto birras, mas que as ouço com o coração apertado, que odeio gritaria, odeio mesmo, mas isso não faz com que ela não aconteça...

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