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banalidades

por M.J., em 15.09.16

os vizinhos bateram com a porta de manhã, num amuo que não me diz respeito. acordei estremunhada e saí de casa numa correria de atrasada. os pés doem-me no sapatos, habituados a sandálias o ano inteiro. o trânsito aumentou: parece que é o dia oficial do começo da escola e os paizinhos acumulam-se em filas sem fim na entrega das crias. 

quando estaciono cheira a cocó de gato. um cheiro agreste e azedo. um pouco à frente uma gata dá de mamar a um filhote. na paragem de autocarro um homem fuma soprando com habilidade bolhas de fumo branco e deixando cair o telemóvel. quando se baixa para o apanhar, costas de frente para mim, deixa ficar à mostra um rasgo de rabo gordo e peludo.

desvio o olhar.

cheira a cocó de cão por todo o lado. um casal de idosos, pequeno e atarracado caminha por entre a calçada lentamente. ela cospe para o chão fixando o olhar no que lhe saiu da boa, numa curiosidade de entranhas.

não é bonito.

assento arraiais com pessoas que partilham sonhos de mudanças de futuro. assentam ideias em bolhas de sabão. querem ser melhor mas encolhem os ombros à realidade. planear custa, é difícil e é preferível pensar nos bons "e ses", no pote ao fundo do arco-íris, nos lampejos de sorte de quem ganha o euromilhões.

 

estou cansada deste pessimismo que só me faz ver cocós, rabos peludos e escarretas de velhos.

de certeza que haveriam flores, ervas molhadas a brilhar na luz da manhã e filhotes fofos à procura de sol.

mas não vi. 

oh vai ver ali:

publicado às 09:38


2 comentários

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De petrolina a 15.09.2016 às 14:20

Aposto que precisas rever a graduação dos óculos...(eu também preciso)
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De M.J. a 19.09.2016 às 14:38

por acaso até preciso. :)

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e agora dá aqui uma olhada