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banalidades

por M.J., em 15.07.16

não estou lá de grandes abelhas. está um calor dos diabos e esvai-se-me a paciência por entre os dedos. cansa-me esta pasmaceira a que damos vida com coisitas, todos ensolarados e tontos, aos saltos também para esquecer a inevitabilidade dos dias.

fui ver, como popularucha que sou, o fogo de artificio no mondego no sábado passado. deixamos o carro em cima de um passeio e caminhamos pelas margens do parque para ver restos de luz a explodir no ar e a reflectir-se em brilhantes no rio.

houve vidas em que adorava fogo de artificio. corria louca os olhos pelo céu, as cores vivas a matar a noite, soltava "ahhhh" de exclamação e batia palminhas como um puto de dois anos que recebe um balão acompanhadas de saltitos e sorrisos gigantes. 

no sábado achei só parvo e isso consumiu-me mais do que o pó nos sapatos, as conversetas idiotas dos adolescentes do lado, o fumo do tabaco de um velho do outro. não vi qualquer tipo de beleza no barulho infernal e nas cores, sempre iguais, a mesma cadência, as mesmas estrelas, os mesmos rios de luz a cortar a noite, já tão vistos, tão absorvidos, tão sentidos. o cheiro a pólvora consumiu o ar e o reflexo moldando o mondego em cinema fez-me arder em saudades da ria. 

uma porca miséria. 

perdi o encanto das coisas onde o antes o absorvia. deixei de comprar balões coloridos ou semear girassóis na varanda, demasiado grandes a vergar pelo peso. deixei de usar brincos com flores e joaninhas no cabelo e nunca mais pintei os olhos com uma cor que não seja baça, neutra, a esbater-se na pele.

transformei-me numa seca aberrante e isso consome-me porque não há culpas a quem deitar. caminho por ai, toda tolita, queixo erguido e cara fechada, pensando construir coisas especiais com palavras e na verdade, sejamos francos, não valem dois chavelhos, por mais furados e podres que estejam. 

mato o tédio a trocar palavras ásperas com pessoas a quem não daria dois tostões se me aparecessem andrajosas a arrumar carros. escondo o cansaço dos dias toda esbaforida, a debater merditas sem sentido com gente que mal sabe escrever, toda contente por mascarar o que interessa com niquices ridículas.

deus!

que grandessíssima tola. 

publicado às 11:00


4 comentários

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De Gaffe a 15.07.2016 às 11:09

Não deixaste de usar joaninhas no cabelo.
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De sarabudja a 15.07.2016 às 11:29

E agora pergunto-te eu: não era um bocadinho (aqui a medida é ditada por ti) melhor se houvesse aí menos razão? Se a tua ironia, sarcasmo e inteligência não fossem medidas numa escala mais pequenita?
Cá para mim, que até ao almoço sou gente, não és nada tola. És tu! Vivemos a colar etiquetas em tudo, até a nós. Será que nos faz bem?
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De p a 15.07.2016 às 13:02

Concordo tanto contigo sarabudja! Porque é que não podes achar simplesmente parva uma coisa de que já gostaste? Porque é que isso tem de ser mau e tem que consumir?
Mais do que te consumir deves (olha para mim armada em mandona) procurar coisas que te façam correr loucos os olhos pelo céu, pela terra ou pelo mar soltando ahhs de exclamação e palminhas como um puto de dois anos.
Só a titulo de exemplo nunca acharia nada de especial ver um puto a dar os primeiros passos agarrado às mãos do pai ou da mãe. era só mais um puto a aprender a andar. Até que os passos foram do meu puto. Nessa hora, uma coisa que até então nunca me alegraria, deixou-me tão feliz que até chorei. Ao contrário também vale.

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De sarabudja a 15.07.2016 às 14:07

É por aí.
O facto de haver concordância não augura nada de muito positivo para essa cabecinha. :)

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