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banalidades

por M.J., em 26.07.16

fiz cevada depois do almoço. não me soube aos tempos de outrora, talvez por não saber os minutos decentes de ebulição, de repouso ou ainda, quem sabe, por não haver pão com manteiga a acompanhar.

seja como for a casa ficou a cheirar a infância e acabei a ler com uma chávena cheia de uma água negra, quente e cuja temperatura ajudou à minha irritação.

não suporto este calor.

não sou pessoa de verão e irrita-me o sol a escaldar. tornar-me molenga, um sentimento de suor e cansaço, pernas e braços pesados, irritadiça e sem paciência, na desculpa do calor para o mau feitio, como se desculpas fossem precisas.

tenha as persianas corridas e sinto o sol a bater na rua, fazendo morrer plantas e ervas no jardim do prédio. há um insecto que canta sem parar, nestes dias mais quentes e o prédio morre numa lassidão adormecida de meio dia, janelas fechadas como cara carrancuda de quem aguarda dias melhores.

e no meio da penumbra, no medo do calor que me assola, sinto-me um nadinha ainda mais só.

como se a solidão me vomitasse toda e eu ficasse, quieta e vermelhusca, à espera de um banho quente quando faltou o gás.

 

 

oh vai ver ali:

publicado às 14:37



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e agora dá aqui uma olhada