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banalidades

por M.J., em 12.08.16

depois de quase vinte e quatro horas numa espécie de coma intercalado com tiradas sarcásticas e discursos para mim própria, de uma raiva ridícula e sem nexo, a coisa acalmou.

de vez em quando é assim: olhem para mim, ida abaixo sem motivo algum, prostrada na cama a dormir - à força, bem entendido, que ninguém consegue dormir tanto tempo só por obra e divino espírito de sono - acordando para comer, barafustar com todo o cinismo possível, usar a retrete, tomar mais qualquer coisa para adormecer e voltar à doce inconsciência.

maravilhoso.

não dei conta dos incêndios entre quarta à noite e hoje de manhã. sei que coimbra se estendeu num manta de fumo irrespirável porque o rapaz cheirava a fumo quando entrou em casa mas não percebi a gravidade da situação, os mil apelos para alguém ajudar os bombeiros, a falta de ajuda da UE, as casas em risco no continente, a deslocação da presidência para a madeira abraçando literalmente os pobres ao género do papa francisco. fiz tudo isso hoje de manhã, quando tomava o pequeno almoço olhando com descrença para a casa, ao abandono depois de ter dormido desde quarta feira à noite até hoje de manhã.

é um luxo, bem entendido, e só algumas pessoas se podem dar ao luxo de boicotarem a vida, decidirem "por hoje chega, que sa foda, vou dormir, estou farta disto" acordando um dia depois, mais ou menos frescas, a boca seca dos medicamentos, a necessidade de um café bem forte, uma boa garrafa de água e pôr mãos à obra que há dezenas de e-mails para responder, chamadas para retribuir e uma casa dominada por um pandemónio idiota. juro que mais uma semana assim e podiam chamar aqueles senhores dos "acumuladores" que vão à casa das pessoas limpar o lixo que cobre as paredes até ao tecto. 

penso como raios faria uma coisa destas se tivesse um pirralho idiota aos gritos ao fundo da cama, pedindo pão e leite,um carrinho de brincar e que alguém lhe coçasse as costas das melgas.

decididamente não nasci para ser mãe: quanto custará uma ama em tempo integral de maneiras a que eu tivesse de ver o puto já só limpinho e cheiroso, com um discurso ensaiado do que era permitido fazer e dizer em frente à excelência sua mãe, demasiado ocupada da vida a dormir para espantar fantasmas, demónios e traumas de mimo?

oh vai ver ali:

publicado às 10:53


8 comentários

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De p a 12.08.2016 às 11:34

Se tivesses um "pirralho idiota" acredita que não te dava para isso tantas vezes...não dá. As necessidades do puto passam à frete das tuas. Belive me.
E esta parte da maternidade é boa! (a auto-comiseração sabe bem mas faz mal porque não leva a nada.)
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De O Coiso a 12.08.2016 às 12:22

A tua escrita sobre a tua relação com as crianças tem tanto de sentido como de fora do comum. É delicioso ler o sentimento nas tuas palavras e sentir que realmente é isso que sentes. E a incongruência com a norma a mesma coisa.

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De M.J. a 12.08.2016 às 12:24

acredita que na maioria das pessoas provoca repulsa.
supostamente é contra natura.

às vezes em mim também.

tenho mesmo de poupar muitos tostões para arranjar uma ama.
será que as ucranianas estarão em saldo?

(deus, se alguém ler isto, vou ser acusada não só de mulher bigoduda como xenofoba e louca. estou lixada!)
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De O Coiso a 12.08.2016 às 12:38

Supostamente sim, será contra-natura. Mas não podemos ser todos "a norma". O amarelo não tem assim tantos fãs e há pessoas que não conseguem ver o vermelho e outras que detestam o azul. São feitios e temos (devemos, deveríamos) respeitar.

A mim custa-me acreditar, mas és tão "no bullshits" que me resta render-me à evidência. O papel de pai que eu desempenho deixa-me tão feliz que confesso achar incrível que alguém não o queira desempenhar. Mas se calhar ponho-me nos teus sapatos e penso "se para ela é tão difícil, se calhar ela acha inacreditável como uma pessoa pode querer aturar um puto mijão, ranhoso e chorão".

Já da última frase... De loucos temos todos um pouco. Uns mais e outros menos. Xenófoba? Naaa. Mas em vez de uma Ukra, experimenta aquelas senhoras velhinhas, aposentadas, que tanto gostam de fazer o papel de avós mas não podem. Em vez de irem para o centro de dia, passam a ir para a tua casa. Pode ser que até te cozinhem uns petiscos e te limpem o pó!
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De M.J. a 12.08.2016 às 12:41

uhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

mas que fantástica ideia :)
para além de mudarem fraldas ainda terei sopa de peixe e bolo de laranja :)

devias cobrar pelos conselhos :D
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De O Coiso a 12.08.2016 às 12:45

Se os conselhos fossem sempre bons, seriam como os pareceres dos profissionais da tua labuta (no qual esposa amada se inclui também).

Assim e como não há chapa quinze, são gratuitos.
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De M.J. a 12.08.2016 às 12:45

minutas.
chamam-se minutas!

não chapa quinze :D

ora pergunta-lhe!
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De Anónimo a 12.08.2016 às 13:50

Não provoca repulsa! Só provocaria se, pensando tu assim, decidisses ter filhos. Se conscientemente decidires não os ter, não há problema nenhum.

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e agora dá aqui uma olhada