Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




bom fim de semana.

por M.J., em 22.04.16

ontem enquanto fazia o jantar dei comigo a pensar nos medos que a vida me traz. sou uma pessoa ansiosa, com grande dificuldade em controlar correntes de pensamentos mesmo já as conseguindo identificar e mesmo quando estou a cortar feijão verde. 

estava ali, em pé, de avental e a pensar o quão triste pode ser o fim daquilo em que me proponho assentar o princípio. uma estupidez, bem sei, que ninguém se casa a pensar no divórcio mas eu tenho obrigação, depois de tantos que fiz, de pensar nele também.

ponho para trás das costas, enquanto refogo cebola, as mil traições que vi, as mil conversas que ouvi, os mil factos com que lidei. as vezes em que assisti ao fim do fim, com gente que amava e assentava a vida em pilares, descarrilados por entre as cortinas do tempo, a ausência de maturidade, ou simplesmente o estar farto.

é possível que nos fartemos uns dos outros, sabem? só porque sim, por cansaço, por sermos seres em mudança e pensarmos sempre no "e se".

estou constantemente a pensar no "e se".

dou conta das vezes que contrariei quem me disse, numa desilusão infinda, que o seu fora um projecto de vida falhado. os argumentos que enumerei do alto da maturidade que não tinha, de que não, nunca era um falhanço, era apenas um fim como em todos os aspectos da vida.

não acredito nisso nem um pouco.

é, de facto, um falhanço e deve doer como a merda. não só deve mas dói! dói como a puta que pariu a certeza a desenrolar-se aos nossos olhos, do fim de algo em que assentamos quem fomos, quem somos, quem queremos ser. e depois, nesse falhanço, temos todo um conjunto de aspectos práticos a tratar, como quando nos rimos por pensar no regime de bens antes do casamento mas depois pensamos no "e se". ou quando olhamos com desdém os medos de quem tem filhos, acreditando que somos capazes e maiores e nunca os usaremos como objectos mas depois percebemos que somos apenas humanos, iguais aos outros e no fim, no falhanço de um projecto de vida usamos com a mágoa tudo o que temos e não temos. mesmo filhos.

e de repente podemos estar dentro de uma música do toni carreira ou da mónica sintra e vemos o pequeno mundo que somos a desmoronar e não consigo, a pouco menos de três semanas da oficialização do meu início, pensar como seria o meu fim.

sou fatalista. menos do que fui. intransigente. menos do que fui. um feitio absolutamente complicado. menos do que foi. provinciana. menos do que fui. 

sou tudo isto e não entendo como não pode isto não estar condenado ainda que haja sempre algo em mim, não sei explicar, a dizer-me que sou idiota, que não há falhanços mas fins e inícios e histórias permanentes enquanto duram e laços eternos.

digo-me que há laços eternos mesmo quando o meu fatalismo me quer fazer acreditar o contrário.

 

há mesmo laços eternos. 

acredito que sou capaz de trazer a eternidade aos meus. 

publicado às 15:55


7 comentários

Imagem de perfil

De Maria das Palavras a 22.04.2016 às 17:21

Vou acreditar contigo.
Imagem de perfil

De Just_Smile a 22.04.2016 às 18:24

Acho que acaba por ser inevitável pensares nisso, eu por vezes penso 'tudo tem um fim' e fico com aquela agoniazinha incompreensível, por não ver um fim mas ter a constatação de que tudo tem um fim... Mas depois bato com a cabeça e esqueço essas parvoíces!
Mas sabes? Com todos esses defeitos ele aceitou casas contigo e se aceitou é porque também acredita que há um laço eterno entre vocês e o melhor? É não pensares nos 'ses' esses só nos atormentam e os futuros são piores que os do passado, pois parecem não nos largar... Há laços eternos e há tantas histórias desses laços eternos para contar, que com certeza a tua irá ser contada nesse leque daqui a muiiiiiiitos anos :)
Sem imagem de perfil

De Olívia a 22.04.2016 às 19:53

casei nova, muito nova. Um professor do curso na véspera (tive de fazer uma oral de contabilidade analítica ou chumbava) nem queria acreditar que eu ia casar no dia seguinte... e disse que eu estava a desperdiçar a minha vida, a cometer um grande erro, um erro enorme. Perguntou-me como podia ter a certeza que ia durar. Eu respondi que não conseguia imaginar a minha vida sem o meu "noivo", não conseguia sequer colocar a hipótese de um futuro sem ele, dali a 10 anos, a 20, 30 ele estava sempre lá, nos meus projetos. Consegui convencer o professor. E passar na oral!
Vai correr bem. Confia.
Imagem de perfil

De mulher a 23.04.2016 às 06:59

É um falhanço. Dói como pu#$$$%% que o pariu. Mas até eu, que passei e continuo a passar por coisas que não desejo ao meu pior inimigo, acredito que pode ser diferente.
Sem imagem de perfil

De Novembro a 23.04.2016 às 09:58

Bom dia!
MJ vou dizer-te algo banal:
Segue o teu coração.
Nunca sabemos o que vai acontecer. Mas quando temos a consciência de que o casamento pode ter um fim, há um maior empenho, e estamos em alerta para que isso não aconteça.
Há histórias de amor e ternura de derreter o nosso coração. Sim existem. São em nr. inferior, mas existem. Eu conheço 1. E digo-te era uma delícia presenciar aqueles 2 velhotes, todo aquele carinho e amor que os unia. Infelizmente, a doença já levou a senhora para longe do seu amor.
Nunca saberemos se passaremos a fazer parte desse grupo, daqueles que se amam e respeitam até ao fim da vida.
Por isso, querida MJ se estás feliz, só podes ir em frente e ACREDITAR!
Beijinho grande
Sem imagem de perfil

De Novembro a 23.04.2016 às 10:18

MJ, agora sendo mais fria, posso dizer-te que a vida nos apresenta tantos sofrimentos e nós não temos opção de escolha. Por isso quando nos sentimos felizes, temos de aproveitar e viver essa felicidade. Beijinho.
Imagem de perfil

De LadyVih a 23.04.2016 às 13:43

MJ, nunca pensei dizer isto. hoje o teu blog foi uma lufada de ar fresco no meio deste bombardeio todo...
Andas uma romântica!

Comentar post



foto do autor



e agora dá aqui uma olhada