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ca nojo!

por M.J., em 18.07.16

é muito simples:

um dia destes estava sentada na varanda a beber um café e a comer uma bolacha sem açúcar quando vi passar um senhor. a ladeira que antecede a minha pequena rua é íngreme e tem poucos transeuntes a pé. circula-se maioritariamente de carro (poucos, que isto é pacato) e quem anda a pé usa uns atalhos manhosos escondidos pela encosta. 

interessante.

tomava o café olhando os cedros e pensando o quanto não me apetecia trabalhar quando ouvi um daqueles sons guturais de quem limpa os pulmões e os expele num esguicho verde. como um insecto atraído pela luz que o acabará por cegar não resisti e olhei: o senhor cuspia para o chão, perto da rua onde deixo o carro às vezes, numa mistura de sangue e coisas verdes, assim tudo junto, uma, duas vezes até estar satisfeito e aliviado.

fiquei enjoada e deixei café, bolacha e mais houvera enquanto corria ao wc tentando esquecer o que vira.

não resultou e durante o resto do dia, sempre que ia à varanda ou ouvia um dos vizinhos a chegar, pensava desalmadamente quem calcaria aquela beleza e a transportaria nos pés para dentro de casa. pensei mesmo, seriamente, se o rapaz não o faria à noite, trazendo para a minha sala imaculada bocados de macacos, sangue e escarreta nos sapatos.

foi a gota de água.

imaginar a porcaria que trazemos nós pés espalhada pelo chão de casa, onde circulo descalça, abrindo-lhe a porta toda feliz fez-me tomar uma decisão:

cá em casa sapato não passa da entrada. convidado que quiser vir ou limpa muito bem a patinha no tapete da desgraça ou usa um dos chinelitos que vou comprar para visitas.

desculpai lá mas cocó de cão, escarretas, sangue e ademais fluidos no meu chão trazidos de um qualquer da rua é coisa que não assiste.

merdices, é o que é.

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juro que não sei como sobrevivi nascida e criada na serra, paredes meias com galinhas, cabras, cães, gatos e todo o tipo de insecto.

 

publicado às 14:53


4 comentários

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De sarabudja a 18.07.2016 às 16:09

Há uns dias (os primeiros de calor) fomos ao parque com baloiços. Os meninos estavam num campo a jogar com uma bola e nós ficámos na zona dos divertimentos.
Ouvimos um bólide barulhento, vinha numa rua de sentido proibido e estacionou em frente ao portão principal do parque. O ninja tinha um ar azeiteiro, mas muito orgulhoso por trazer a filha num Porsche.
Ostentou um telefone preso à cinta. Sim, ainda há quem ande com eles naqueles bolsinhas que se prendem no cinto, brincou ruidosamente com a filha, que estava agasalhada para o dia quente de quase verão.
Enquanto jogava à macaca, puxou uma valente visga e cuspiu no chão. Piso daquele dos parques, feito de restos de pneus e outros materiais nada permeáveis para a petizada não se magoar nas quedas.
Imediatamente tive um ataque de vómitos pelo nojo e pela repulsa. O que digo aos meus filhos se caírem em cima daquela visga? Senti-me um lixo por não ser capaz de obrigar o homem a lamber o chão onde os meus filhos pisariam. Há gente pouco pessoa.
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De Quarentona a 18.07.2016 às 20:43

É por descrições como esta que prefiro viver na mais completa ignorância... vou demorar semanas a tirar essa imagem da minha mente, vou-te processar, M.J., por danos morais! :P
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De marrocoseodestino a 19.07.2016 às 19:28

Se eu te disser que esse "espetaculo" faz parte do meu dia a dia vais ter pena de mim, certo?
Pois, é os velhotes lá do lar adoram fazer isso.
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De Maria das Palavras a 20.07.2016 às 11:00

Prefiro que o chão da casa tenha porcaria (tambem só la meto os pés e sou bem capaz de os lavar :D) do que cheirar chulé das visitas. Mas cada um sabe de si :D

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e agora dá aqui uma olhada