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- oh senhora doutora... então mas quer dar alta ao meu marido neste estado? então eu vou levá-lo assim, tão doente, para casa?

- não quer levá-lo para sua casa? deixe-o na casa da vizinha!

 

assim, num hospital perto de si.

 

há profissionais que de profissionalismo nem quando vão à casa de banho libertar o intestino da merda que lhes brota ao cérebro.

filha da putice!

oh vai ver ali:

publicado às 12:48


12 comentários

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De Gaffe a 22.06.2016 às 13:00

A verdade é que ouço bastante pior do que isto.

"come, bebe, mija e caga? então alta que se faz tarde!"

Jamais conseguirei ficar indiferente a isto.
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De Gaffe a 22.06.2016 às 13:19

Adquire-se uma "insensibilidade profissional" inevitável e até mesmo útil. Não sobrevivíamos se tal não acontecesse.
Olho com estranha frieza o sofrimento físico, porque tenho de o fazer dessa forma. Não há outra maneira de começar a tentar atenuar a dor a não ser analisá-la com objectividade, com o mínimo envolvimento emocional. Entendo.
O que me enfurece é a indiferença total e objectivamente cruel destes energúmenos.
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De M.J. a 22.06.2016 às 13:44

entendo.
só analisando objectivamente se consegue realmente analisar.
mas concordo em absoluto: objectividade não se compadece com desprezo.~

e mais! tenho a certeza que se sem causa estivesse o senhor fulano de tal e não uma senhora com unhas sujas de terra, por passar a vida de costas dobradas na agricultura, nunca tal coisa seria dita.

enoja-me até aos ossos.
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De Gaffe a 22.06.2016 às 15:00

Um amigo meu, um belíssimo e talentoso artista, reconhecido, aclamado e premiado, foi às urgências, noite cerrada, com a filha de 4 anos. A criança estava a arder em febre.
Esperou quase quatro horas com a menina ao colo. Era a única hipótese de a ver consultada. É tão estupidamente honesto que não chamou quem podia e quem devia.
Admito que o rapaz não tem aquilo a que chamamos "bom aspecto". Foi um dia comprar um balde para colocar o barro com que faz os seus primeiros ensaios de escultura e o homem que o viu entrar expulsou-o porque não dava dinheiro para drogas...

O médico tratou-o como lixo e quase o insultou, até perceber quem tinha na frente. A partir desse momento foi tão cordial, amável e disponível que até o acompanhou à porta.

O meu querido amigo voltou para trás e fez queixa no livro amarelo.
Não aconteceu grande coisa.
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De M.J. a 22.06.2016 às 15:26

se estamos em marés de histórias deixa-me contar uma que me contaram uma vez e que foi contada a esse alguém:

uma senhora foi ao hospital com a avó, às urgências, completamente em colapso. uma senhora idosa, que mal dava acordo de si, que mal respirava e cuja pulsação ia, aos poucos, diminuindo.
a senhora, criada pela avó, a quem via como mãe, entrou nas urgências em pânico, atrás da maca dos bombeiros para ver a idosa posta num canto, ao lado de outros quantos idosos, todos deitados nas respectivas macas, todos em lamurias, todos sem qualquer pingo de atenção.
perante o passar das horas, e a idosa cada vez mais para lá do que para cá, a senhora pediu, encarecidamente a uma enfermeira, que por ali passava, se podia fazer qualquer coisa à avó, mais não fosse pô-la a soro - ela que não percebia nada daquilo mas achava que poderia ajudar visto que a avó não comia nem bebia há horas.

a enfermeira riu-se e disse que antes dela tinha outros dez idosos para tratar e que ela, se assim quisesse, que lhe enfiasse a água pela boca tapando o nariz.

a senhora completamente desvairada fez uso do livro amarelo.

acontece que meses mais tarde foi constituída arguida por injúrias e difamação. a enfermeira sentiu-se ofendida na sua honra e consideração, não só alegando como falsas as declarações do que a senhora havia escrito como ainda dizendo que se sentira muito ofendida por a terem chamado de insensível, má profissional e sem tacto para lidar com idosos.
a senhora, estupefacta, procurou um advogado que a acompanhou no processo civil e penal mas viu o juiz dar razão à enfermeira dizendo que, perante o excesso de trabalho, de stress e mais que mais, as declarações do livro amarelo haviam sido desproporcionais e completamente passiveis de constituir crime de injúria.

a senhora recorreu.
anda há anos nisto.
a gastar dinheiro, pois claro.

desde que dei conta disto o meu rabinho bate muitas palmas sempre que penso na utilização do livrinho amarelo.
não só raramente resulta como ainda pode levar a uma carga de chatices.
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De Gaffe a 22.06.2016 às 15:50

Também depende do modo como a queixa é apresentada.
Creio, sinceramente, que não sabemos usar o Livro de Reclamações. As reclamações que li eram imbecis, mal escritas, sem fundamento, insultuosas ou incompreensíveis, mas sempre fáceis de contornar. Raramente são objectivas e comprometem-se com pequenos detalhes de índole pessoal sem qualquer interesse e perfeitamente descartáveis por qualquer mafioso mais esperto.

A verdade é que o livro amarelo, serve para muito pouca coisa, quase nada.
É uma maçada para os responsáveis pelos "Gabinete do Utente" que são obrigados a encaixar a queixa na aplicação informática e a copiar, literalmente, o que já disseram nas quinhentas respostas que deram a quinhentos utentes antes deste:

"Recebemos a exposição que apresentou no livro de reclamações do _____________, em ___________ que nos mereceu a nossa melhor atenção."

Acrescenta-se umas coisinhas que raramente trazem consequências para o infractor e termina-se com:

"Lamentamos todos os transtornos causados e asseguramos que o ______________ está empenhado na melhoria constante da qualidade dos serviços que presta à sua população."

E pronto. Não tem ido mais longe.
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De M.J. a 22.06.2016 às 16:16

oh... eu sei meu amor.
trabalhei numa associação comercial em que fazíamos a defesa dos comerciantes após a reclamação.
era deveras um tédio.

ainda assim, aquele caso, por determinadas circunstâncias, foi escabroso.
não recomendo, a ninguém o uso da reclamação.
acho sempre que certos mecanismos de ação direta, em alguns casos, funcionam melhor.

sei de um caso, por exemplo, em que o senhor chamou a polícia, em pleno serviço de urgência. foi tamanho caos que passou à frente, só para a coisa voltar ao normal.

credo! ainda bem que não trabalho num hospital!
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De Gaffe a 22.06.2016 às 17:58

Mas em contrapartida, há muitíssimos mais episódios dignos de heróis, dignos de medalhas, dignos de poetas, acredita em mim.
:)
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De M.J. a 22.06.2016 às 18:08

acredito pois! totalmente.

a mim é que, por determinadas vicissitudes, só chegam notícias dos outros.
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De Violinista a 22.06.2016 às 14:48

A. A. A. A. A. A. A.
Se ouvisse isto provavelmente começaria assim a rir (ou a gritar) muito devagarinho.
Possaras, sei que os hospitais querem muito libertar macas e lugares para que outros doentes também possam ser tratados, mas uma resposta destas só mostra uma falta de respeito gritante. E diz-se que esta gente, estes profissionais, foram à faculdade com excelentes notas e alto nível de cultura.

Ou isso, ou esta senhora quer ser uma comediante como aqueles agora aí do Facebook. Alguém a avise que não tem o mínimo jeito para isso.
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De C. a 22.06.2016 às 17:52

Uma vez o meu pai não parava de vomitar sangue, o médico disse que era uma paragem digestiva. Engraçado.

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e agora dá aqui uma olhada