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comedor de acendalhas

por M.J., em 06.11.19

na última segunda-feira, para sempre conhecida como segunda-feira-quente, sua excelência senhor meu filho comeu acendalhas.

foi este o nível a que chegamos.

 

conto depressa:

depois de começar a gatinhar faz mais ou menos uma semana e pouco, ainda não estávamos habituados à sua autonomia de procura por coisas extra-parque, onde costumava ficar a lamber brinquedos, pôr musiquinhas parvas nas cenas com musiquinhas parvas (vou começar a arrancar os fios de tudo o que seja eletrónico) e andar à luta com balões.

 

portanto, quando saiu da creche, por volta das 17:00, depois de dormir a sua mini sesta e de, bem disposto, ter sido posto no parque pelo pai, nunca achámos que fosse sair do dito e dar uma voltinha de passeio, ao género de dora exploradora (ainda existe) mas sem mochila.

eu fui fazer a sopa do jantar, o pai foi trabalhar um pouco no escritório, ele ficou na sala, na sua atarefada vida.

dois minutos depois, enquanto descascava cenouras, ouvi um som de plástico.

demorou a fazer-se um clique na moina.

mas percebi, num rompante, que nenhum brinquedo com aquele som de plástico habita o espaço pelo que, num salto, corri à sala.

pois bem, meus senhores, a minha criança saíra do parque aproveitando a porta destrancada (na nossa falta de experiência nesta nova habilidade dele), gatinhara até perto da lareira - apagada - descobrira o pacote aberto das acendalhas e, com toda a tranquilidade do mundo:

  • tirou as ditas para fora;
  • possivelmente lambeu o plástico e uma ou duas;
  • e, quando cheguei trincava, com todo a garra e os dois dentes que deus lhe deu a caixa das acendalhas.

 

guinchei como uma menina histérica.

o rapaz saiu a correr do escritório.

lavamos-lhe a boca enquanto ele ria, todo contente da água na boca e a situação nova.

colocamo-lo no carro - e à caixa das acendalhas - e vá de correr para o hospital.

comigo em prantos.

a servir de sirene dos bombeiros.

 

pela primeira vez que me lembro (e nos últimos dois meses temos sido presença assídua em médicos) o miudo foi atendido em 2 minutos.

o que, sejamos sinceros, só serviu para aumentar o meu pânico.

entrou direto para a triagem e da triagem para observação.

a médica olhou para a caixa, olhou para ele todo bem disposto, ligou para o centro qualquer coisa de venenos.

do outro lado acharam estranho alguém querer comer aquilo (cheira mal, deve saber mal que nem petróleo) e dopois das perguntas da praxe, tendo em conta que as acendalhas estavam todas e ele comera a caixa (e tenho a certeza que comeu pedacitos pequenos, mas pronto) decidiu-se dar-lhe mais qualquer coisa para comer e esperar para ver a reação.

pois claro.

a criança comeu o que não devia e, como presente, dá-se-lhe um iogurte de aromas (só tinha comido dos naturais com leite de transição), com açúcar, que o fez ficar a choramingar por mais.

e depois, espera-se, enquanto ele rasga todo o papel da maca, enrola-se no dito ficando a parecer uma múmia e ri-se às gargalhadas durante o exame físico porque, creio, o toque da médica lhe fazia cócegas. 

contado é difícil de imaginar, vendo ainda é mais.

 

45 minutos depois estávamos em casa.

ele comeu papa porque a sopa não estava feita.

eu comi sopa porque não tinha cabeça para fazer o jantar.

a caixa das acendalhas ficou meia comida perdida na mala do carro.

as acendalhas permanecem no parapeito da lareira, ainda sem saber o que lhes aconteceu, lambidas abandonadas.

 

passou, a criança está bem.

 
 
 
 
 
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Portanto... pronto, é isto agora. #babyboy💙 #bebemenino #queconsumição

Uma publicação compartilhada por Maria João (@emedjay) em

eu mais ou menos.

julguei que a dificuldade maior fossem

  • as dores de costas na gravidez,
  • as noites sem dormir (ou acordar, vá, várias vezes) nos 3 primeiros meses,
  • o lidar com as minhas hormonas, absolutamente instáveis no pós parto.

julguei que a dificuldade fosse a adaptação às novas circunstâncias, ao sentir que a minha vida já não me pertence e que não sou dona dos meus minutos.

mas pelos vistos, analisando o historial, a dificuldade é impedir que o miudo coma coisas que não deve.

  • já comeu panfletos do jeová.
  • agora foram acendalhas.
  • vou esconder a minha coleção do eça, não vá mastigá-la toda.
 
 
 
 
 
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emedjay a própria. eis um presente. adivinhai quem deu!

Uma publicação compartilhada por Maria João (@emedjay) em

mais uma destas e quem come acendalhas sou eu, para ter um bocado de descanso numa cama de hospital.

oh senhores. 

publicado às 09:51


4 comentários

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De Mamã Gansa a 11.11.2019 às 00:25

Não te esqueças das moedas e sabonetes,,,, Ser mãe é isso mesmo apanhar um enorme susto de vez em quando. A Bá comeu alguns livros... nunca lhe fez mal. Beijinhos

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e agora dá aqui uma olhada