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comentários

por M.J., em 17.10.19

o que acontece é que o dia tem poucas mil horas para as mil horas que preciso.

a queixa não é nova. nem a primeira. o que não falta é mulherio a lamentar-se que o tempo não dá tempo para fazer o que é exigido pelo tempo.

uma consumição. 

claro que pensei, na espertice parola que me governa, que comigo seria diferente. como é evidente as coisas para mim são sempre absolutamente mais fáceis e, mentalmente, consigo desenvencilhar-me melhor que os outros. só que não. e as coisas acumulam. e nem a ajuda externa da moça que passa por cá a limpar chega. acumula-se roupa. os brinquedos estão espalhados. nem sempre as refeições são planeadas e com a variedade que seria recomendável. e ontem, estávamos todos tão cansados que o miúdo não tomou banho. 

é por isso que, também, não respondo aos vossos comentários. mas leio. leio todos com avidez e agradecimento. a sério. e agradeço. muito.

a maternidade - cum mil demónios, que este blog não fala de mais nada - trouxe muita coisa. 10 meses depois a minha vida tem mais minutos que os 60 das horas. há uma capacidade de eles pararem e bloquearem o tempo. ficam a pairar na dimensão das gargalhadas, do primeiro gatinhar, do sorriso aberto quando me vê, do embeiçamento quando repasso fotografias.

mas também aumentou a solidão de que sou feita. há mais gente mas menos gente. não sei explicar.

a partilha convosco - sobretudo no instagram - aumenta a gente que perdi. aquece um pouco o peito como as castanhas assadas que comemos ontem.

por isso desculpem a ausência de resposta aos vossos comentários.

e muito obrigada por eles.

 

publicado às 15:31


4 comentários

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De Outra a 17.10.2019 às 16:01

perde-se gente...a maternidade é muito solitária. Para mim foi. Ainda é. Só que agora já aprecio essa solidão. aprendi a estar assim e descobri que também sou muito feita de solidão.
beijinho

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e agora dá aqui uma olhada