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chegamos a um ponto ridículo de politicamente correto.

não é de espantar e, se estiverem atentos aos sinais, percebem que faz parte do avançar dos tempos, que provavelmente vai aumentar ainda mais, numa espécie de onda tsunami, até voltar ao equilíbrio normal do "ide mas é dar banho ao cão (ou à cadela. ou ao gato. ao à gata. ou a qualquer animal. desde que a água não seja muito quente. nem fria. na verdade, de preferência sem água para não desperdiçar. mas também sem toalhitas) que já não há pachorra".

a PETA apresentou uma nova maneira de ver as coisas no que diz respeito à linguagem animal. segundo os senhores dizer "matar dois coelhos de uma cajadada só" incentiva a violência animal e deve ser substituído por outra expressão.

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o debate acirra-se. há quem diga que faz sentido, na evolução dos tempos. li até alguém, pasmem-se, a defender que se as touradas não são admissíveis, na evolução da humanidade, o mesmo se aplica a tais frases. como aquela coisa de a dona chica bateu no gato. e é evidente que faz todo o sentido. nós somos o que ouvimos e é por isso que, tendo em conta as audiências do correio da manhã, andamos todos a mandar tiros aos nossos maridos e a bater em jogadores de futebol. 

assim, porque não quero, de todo, estar desfasada destes tempos, fui à procura dos melhores provérbios, machistas, chauvinistas, inimigos dos animais, da alimentação saudável é do que é bom, correto e bonito, e decidi substituí-los pelo que deve ser.

escolhi só 3 (podiam ser 50) e espero que concordem comigo.

também aviso já: se não concordarem comigo tenho a apresentar-vos o argumento que é válido, justo e certo em tudo o que é redes sociais: é a minha opinião. chega por si só, basta e nada mais precisa. isso e claro, dar-vos uma carga de porrada porque, pelos vistos, defendermos os nossos ideais e convicções com violência também é bem.

vamos lá:

 

1. em terra de cego quem tem olho é rei

 

meus senhores: tudo mal aqui.

  • primeiro não se deve dizer cego. toda a gente sabe que "cego" não é bonito. tal como surdo. coxo. maneta. perneta. gordo. paralítico. há nomes mais adequados que se devem usar. além disso, porquê cego, no masculino? porque não cega?
  • depois... quem tem olho. qual olho? o da direita? o da esquerda? há claramente uma falta de rigor que pode levar à confusão e atuar em discriminações. 
  • e por fim... é rei. rei???????? como rei? para além de outra discriminação de género, num mundo civilizado, democrático e afins, onde já se viu usar a palavra rei? não senhores, há que mudar isto.

portanto, a minha proposta de substituição é: "em terra de invisuais, quem tem qualquer olho, seja de direita ou esquerda - e sem conotação com política - é rei, rainha, principe, princesa, duque, duquesa, presidente da república, primeiro ou primeira ministra, ditador, ditadora e/ou outro cargo ocupado politicamente". com o devido disclaimer, pois então, para que não haja mal-entendidos: "esta informação carece de fundamentação legal".

 

2. não adianta chorar sobre leite derramado.

aqui é que a porca torce o rabo. ou o porco. ou nenhum. e um, outro, ou ambos, ou nenhum só torcem o rabo se quiserem. e se se sentirem com disposição para o torcer. pronto.

e por que é que a porca ou o porco torcem, ou não, o rabo, se quiserem e se sentirem disposição para o torcer? porque este provérbio, que parece tão inocente e sem qualquer problema, é, no fundo, um incentivo a imensas coisas erradas nos dias de hoje:

  • não. como não? nunca se diz não. usar o não é educar de forma errada um ser humano. é meio caminho andado para levar ao trauma. não se contraria. não se nega. explica-se, sem usar a palavra não, com consideração, amor e paciência que algo é oposto ao sim. 
  • adianta. o "não adianta" vai contra as indicações das melhores mães (e pais, não discriminar. e avós, tios, primos, educadores e toda a aldeia que é preciso para educar. e quem diz aldeia, diz vila, cidade, país, lugarejo, localidade e/ou outro). vai no sentido contrário à filosofia de que temos que incentivar, mostrar que para a frente é que é o caminho (ou para trás, se ela quiser ir, nada de contrariar). 
  • chorar: toda a gente sabe que chorar é mau. devemos viver num constante mundo de felicidade. usar frases de motivação, aceitar, sorrir e saber que vivemos para ser felizes. não é suposto usar palavras negativas que nos traumatizem ou incentivem à dor. esqueçam a palavra chorar. 
  • sobre o leite. pronto. este é o pior. é totalmente absurdo o incentivo ao consumo de leite. nunca. jamais. completamente fora de questão. leite é o demo. a lactose faz mal. há vacas obrigadas a viver nos açores, imensos anos, com a única função de lhe espremerem as mamas. era só o que faltava. jamais. não é suposto que se use a palavra leite. a criança (ou adolescente. ou jovem. ou adulto. ou idoso. no feminino, masculino ou outro - seja lá qual for o outro) deve apenas beber leite materno enquanto quiser e, depois disso, esquecer tal alimento. incluindo o vegetal que pode não ser biológico. 
  • derramado:  derramado como? por quem? de propósito? alguém se atreveu a fomentar o desperdício num tempo de tão escassos recursos?

portanto, meus senhores, não há outra alternativa, este provérbio tem de ser substituído por "se quiser, lhe apetecer, tiver vontade e/ou outro, pode - ainda que não tenha o efeito desejado - manifestar alguma emoção menos feliz quando, por uma ação de que não é responsável, alguma bebida for desperdiçada (o que não é de todo aconselhado)".

 

3. filho és pai serás, como fizeres assim acharás.

mais um atentado a tudo o que é bom.

e explica-se de uma penada (não confundir com pernada, que incentivará, potencialmente, à violência) só:

  • primeiro deve dizer-se filho ou filha ou outro. vá. esta coisa do masculino é machista e traz o mundo aos tempos hediondos de hoje onde as mulheres vivem fechadas dentro de casa a fazer refeições e lavar cuecas.
  • depois é errada a admissão de que serás pai. ou mãe. ou outro. podes não ser. é uma opção tua. assumir, desde logo, que o vais ser é condiconar a tua vida. cortar-te as asas para voos mais altos. podias ser engenheiro, astronauta, futebolista ou concorrente do secret story e, afinal, não vais ser nada disso porque pai serás. ou mãe. ou outro. está mal.
  • e por fim a condicionante de "como fizeres assim acharás". é que podes não fazer. nem todas as ações têm consequências. se forem ações em que lutas pelos teus ideais não haverá qualquer consequência. mesmo que andes a descarregar porradinha de cara tapada.

assim, vamos lá chamar os bois pelos nomes (ou as vacas. ou qualquer outro animal. ou, se calhar mesmo, não usemos animais nisto. substituamos pelas "coisas"). assim, vamos lá chamar as coisas pelos nomes de coisas:

filho, filha ou outro és (ou podes não ser. se não fores não há mal), pai, mãe ou outro poderás vir a ser. (se assim quiseres. também podes ser engenheiro, astronauta, futebolista ou concorrente do secret story. ou outro. ou nada). o que fizeres ao teu pai, mãe ou outro (ou não fizeres, não és obrigado/a a nada) poderás vir (ou não, quem sabe?) a receber em troca. aliás, se for mau, mas praticado em defesa dos teus ideais está bem e não terá consequências menos boas".

 

pronto, é isto.

lembro-me do "cão que ladra não morde" e a discriminação que representa para todas as cadelas e todos os cães mudos.

ou do "patrão fora, dia santo na loja" e como incentiva à exploração do proletariado e põe em causa a igualdade de oportunidades.

ou ainda, "de pequenino se torce o pepino" e como poderá levar a uma má educação das crianças, torcidas sem dó nem piedade e, sobretudo, ao sofrimento dos pepinos. 

 

não tenho é tempo. 

preciso de ir ali fazer o frango - perdão, o arroz, perdão, qualquer coisa que toda a gente concorde - do almoço.

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publicado às 14:00


2 comentários

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De maria madeira a 06.12.2018 às 21:39

:)))))))

Muito bom, tudo isto, MJ. Vénias e palmas porque é merecido. Há já muito tempo que não ria desta forma a ler um texto. São lágrimas, senhores, mas de boa disposição.
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De Carmen Pereira a 10.12.2018 às 22:03

Excelente!!
😆

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