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desemprego

por M.J., em 29.09.16

Nunca tinha percebido - pelo menos de uma forma tão evidente - os efeitos nefastos do desemprego, não somente enquanto ausência de atividade mas pela falta de dinheiro. Não tendo onde cair morta (se o cego tivesse que cantar com o meu dinheiro arranjava teias de aranha nas cordas vocais) nunca senti, ainda assim, a falta extrema de dinheiro. A impossibilidade de pagar contas. A prisão que a vida se torna. A necessidade de ponderar toda e qualquer aquisição mesmo que seja batatas e arroz. A dor de não poder satisfazer necessidades básicas de familiares. De decidir entre pagar a luz ou comprar meio quilo de carne. De entrar em angústia por não ter dinheiro para ir ao médico ou comprar medicamentos.

Bati de frente com isso há uns tempos. Vi gente absolutamente desesperada por fazer contas a qualquer coisa que implique dinheiro e na verdade, pôr um pé fora de casa é gastar dinheiro. Gente que é tratada como o coitadinho nos centros de emprego, como números, estatísticas, refugo incapaz de manter uma ocupação.

O desemprego não mata mas mói. De uma forma que não imaginava na minha típica arrogância de sabichona.

publicado às 11:11


8 comentários

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De sarabudja a 29.09.2016 às 11:54

Gente que não come duas refeições.
Há pais que só comem o que sobra do prato dos filhos.
Podem recorrer ao banco alimentar, mas até serem capazes de lá chegar, é necessário arranjar "estofo".
O desemprego é tramado. Como é o divórcio e a perda de rendimento.
Depois é-se novo e inexperiente, por isso ninguém dá emprego, consequentemente a situação arrasta-se.
É-se mulher, é-se velho, tem muitas ou poucas habilitações. Tanta coisa errada.
Afortunadas somos.
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De M.J. a 30.09.2016 às 15:19

afortunadas somos por poder trabalhar!
deus!
ao ponto que isto chegou!
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De Maria Alfacinha a 29.09.2016 às 13:06

http://omeualpendre.blogs.sapo.pt/125315.html
(e tanta coisa mais poderia ser dito...)
Beijo para ti
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De Cristina a 29.09.2016 às 13:40

mau. muito mau. ( já estás na parte de dentro de tua casa?)
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De Just_Smile a 29.09.2016 às 15:05

Passei por essa situação, não como desempregada (que sempre consegui poupar dinheiro para ser desempregada), mas antes e digo-te, é uma agonia completa contares todos os cêntimos e mais alguns...
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De Me a 29.09.2016 às 18:14

Já pensei nisso muitas vezes. Espero nunca ter de passar por isso Mas fico sempre com um nó nos estômago quando penso nessas situações e nessas pessoas.
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De Quarentona a 30.09.2016 às 01:32

Felizmente, nunca estive desempregada, mas em 2008 quando as taxas de juro do crédito à habitação estavam nos píncaros, eu que tenho 2 créditos para pagar vi-me muito próxima da situação que descreveste. Tinha um bloco de notas onde anotava todas as minhas despesas, até um simples café que tomasse na rua, despesa que evitava ao máximo fazer, enfim, tempos complicados que eu rezo para que não voltem mais.
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De M&Ms a 30.09.2016 às 08:22

Esperemos nunca ter de passar por isso. O mundo dá muitas voltas. E hoje é tudo tão incerto que é mesmo impossível de prever onde vamos estar amanhã. As pessoas habituam-se a certos luxos e níveis de vida, e depois não se conseguem adaptar quando a vida lhes prega uma partida. Hoje não há empregos para a vida, e temos que estar conscientes disso.

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