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disto de ser drama queen

por M.J., em 24.09.18

estou a ser uma chata de merda com isto da gravidez.

e não, não temos pena.

cada um é chato com o que lhe incomoda e isto, a mim, tem-me incomodado por cinco.

uso o blog - mais uma vez - como um caderno de desabafos e medos e não me sinto minimamente mal por isso. sabem perfeitamente o que fazer caso não vos interesse (tal como eu fiz com tudo o que não me interessava também).

 

posto isto, ando um nadinha sem paciência para merdicites.

é o que dá ter um feitio azedo e um incómodo físico que não estava cá antes.

tenho menos tolerância:

  • para os conselhos não pedidos (e atenção, NÃO confundir as dicas/experiências pessoais como as que me têm deixado aqui no blog - e que agradeço do fundo do coração - com cenas de "deixa-te de mariquices"),
  • para as faltas de responsabilidade no trabalho,
  • para a sobranceria de mulheres que dizem "ai comigo correu tudo muito bem, foi uma coisa santa, não estejas com tanta coisa que não custa assim tanto",
  • para o barulho do cão do vizinho que ladra, invariavelmente, todos os dias às seis e meia da manhã (se o apanho sozinho nas escadas arranco-lhe a língua e sirvo-a estufadinha aos donos),
  • para o marketing das empresas de crio-preservação estaminal que me fizeram ter uma discussão com o rapaz (eu achava que devíamos preservar as células, ele achava que aquilo não servia para nada) até me informar a fundo sobre o assunto e perceber a tremenda TRETA que aquela porcaria é.

 

portanto, falando sobre alguns dos tópicos:

é bem provável que me salte a tampa e dispare em quem me tenta fazer passar por drama queen, que me diz que é tudo muito bonito e fácil, que não é nenhum exagero e que esta coisada toda da gravidez e do parto é muito simples e não custa nada (mais uma vez não confundir com nenhum dos comentários que me foram deixados até agora e me têm ajudado imenso).

 

ah M.J. então significa isso que só queres que te afaguem o ego e que te digam o que queres ouvir? é isso, sua hipócrita?

oh-bamo-lá-ver:

  1. eu por acaso digo a um insatisfeito com o trabalho, que se queixa das condições precárias que tem, que o meu é muito compensador e que me corre tudo muito bem e que nada mais me realiza como isto? e que ele devia deixar-se de merdas e contentar-se com o que tem, que não é assim tão mau?
  2. eu por acaso digo a alguém que ganha o salário mínimo e se queixa que o dinheiro mal chega para as contas, que eu cá ando muito confortável, que ganho mais e que, por isso, ele devia enfiar as queixas num certo sítio?
  3. eu por acaso digo a alguém que se vê à nora para pagar a renda de um apartamento t1 no centro de uma cidade em especulação imobiliária que está a ser muito parvo e que eu até estou a comprar uma vivenda?
  4. eu por acaso digo a um pai de 2 filhos que acabou de perder o emprego que se deixe de tangas e que devia ter pensado nisso antes de pensar em aumentar a natalidade?
  5. eu por acaso digo a uma pessoa que sofre de enxaquecas que as dores de cabeça leves que eu tenho não são assim tão difíceis de suportar e que essa pessoa, provavelmente, está a exagerar?

 

é que há coisas e coisas.

e o facto de a minha experiência em certas coisas ser muito positiva NÃO faz com que a dos outros tenha de ser igual.

 

uma vez li uma senhora a dizer a uma grávida que estava de baixa, que hoje em dia as mulheres são muito mariquinhas, visto que ela trabalhou até ao dia do parto e nunca se queixou.

pois bem, suprassumo das grávidas: quão triste é ter uma vida tão limitada que não pode pôr uns dias antes do parto para se preparar e descansar? e quão mesquinho é fazer sentir uma pessoa em gravidez de risco que aquilo que está a passar é secundário e essa pessoa é uma aproveitadora? é que, se vamos julgar sentimentos alheios, podemos ir por este lado, não?

 

ando sem paciência.

não o descarrego em quem convive comigo por uma questão de sensatez (e de gosto).

tento engolir anseios, dúvidas, medos e esta pequena parte do meu cérebro que me atraiçoa constantemente em pensamentos tétricos.

mas, com vossa licença (ou não, tanto se me dá) este sítio não vai ser flores, arco-íris, unicórnios e algodão doce durante bastante tempo.

 

agradeço imenso a quem por aqui passa e vai deixando palavras de conforto.

a maior parte desses comentários têm-me feito sentir como se eu não fosse uma atrasada mental (não ponho em causa se sou ou não, acho subjetivo). o tema da amamentação, por exemplo, ajudou-me mesmo a libertar um peso dos ombros e estou-vos muito agradecida por isso. (o post anda por aqui, se quiserem ler).

mas não se espantem se o tom de drama queen continuar enquanto me sentir incomodada. 

pode ser que daqui a um ano isto volte ao normal.

(se é que algum dia foi). 

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publicado às 15:20


27 comentários

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De amarquesademarvila a 24.09.2018 às 15:50

Palmas, palmas, muitas palmas para ti e para o teu texto! Disseste tudo!
Eu sinto o mesmo com a porra da minha síndrome... a malta gosta imenso de dar palpites sobre a vida dos outros e têm solução para tudo (o que toca aos outros, claro está!). A incapacidade da malta para "calçar os sapatinhos" das outras pessoas é assustadora!
Continua assim que vais no bom caminho e o teu bebé vai agradecer ter uma mãe como tu.
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De M.J. a 25.09.2018 às 15:34

obrigada (mesmo muito)

se não for indiscrição, que síndrome é essa?
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De amarquesademarvila a 25.09.2018 às 16:35

Não é indiscrição, nada! Já tenho falado sobre ela no meu blog. É Síndrome de Sjogren, é uma doença auto-imune, do foro reumatológico. Doença crónica.

Se quiseres ler, no meu blog, há vários textos sobre ela. É só seguires a tag que lá está: Síndome de Sjogren

Beijinho
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De Magda L Pais a 24.09.2018 às 16:04

Já te disse hoje que gosto muito de ti? E já te disse hoje que "a mãe é que sabe e, em caso de dúvida, aplica-se esta regra?"

era só isto :)
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De M.J. a 25.09.2018 às 15:34

ontem disseste.
hoje ainda não
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De Magda L Pais a 25.09.2018 às 16:16

Gosto muito de ti. E a mãe é que manda
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De VeraPinto a 24.09.2018 às 16:37

Se um dia for mãe quero ter a mesma lucidez que tens todos os dias. Enerva-me grávidas que passam a ter filtros cor-de-rosa nos olhos, e que acham que ganharam poder para opinar sobre tudo.

Gosto mesmo de ti (e até acho que cada dia mais um bocadinho, mesmo em modo drama queen)
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De M.J. a 25.09.2018 às 15:35

não sou assim tão lúcida minha querida.
se fosse não pensava um terço no assunto, não tinha tantos fantasmas e medos a rondar e não precisava de escrever para os expurgar. :)

obrigada.
também gosto muito de ti.
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De Ninita a 24.09.2018 às 16:38

Cada pessoa tem o seu feitio e a sua maneira de ser e sinceramente só le / responde / "atura" quem quer.
Cada um reage de maneira diferente e ninguem tem de levar a mal (se levarem, problema deles).
Goza a tua gravidez e aproveita. E se andas mais rabugenta, ora, temos pena. Eu tambem andei, deixa lá. E ainda agora ando :)
Aproveita e não ligues ao que os outros dizem. Se quiseres chegar aqui e discutir a força toda, oh mulher, deita ca para fora :)
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De Maria Alfacinha a 24.09.2018 às 16:44

É apenas a minha opinião que vale o que vale (ou seja, nada...) mas se servir de conforto não estás a ser mais drama queen do que o habitual.
Apenas mudou o tema :-)
PS
O espaço é teu, fazes dele o que quiseres.
Quem não gostar tem bom remédio: não coma :-)))
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De M.J. a 25.09.2018 às 15:36

obrigada

(eu bem me parecia que não estava a ser assim tão diferente do habitual. - o chorona não conta :D )
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De Fatia Mor a 24.09.2018 às 16:49

Aaaahhhh! pessoas...
Não estás sozinha. Detestei estar grávida e fui lá 3 vezes (dito assim, não abona muito a favor da minha inteligência). E olha que há dias em que não me apetecia, nadinha, ser mãe.
Faz parte. E acho que faz parte não sermos perfeitas, não estarmos sempre bem e, bamos-lá-ber: Aqui no tasco mandas tu, falas do que quiseres, refilas do que te apetecer e se venho cá, olha, é porque gosto!
Beijo grande e manda vir à vontade que tu é que estás grávida, tens direitos!
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De M.J. a 25.09.2018 às 15:38

(nem imaginas o quanto os teus comentários/observações/experiência me ajudam)

obrigada.
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De Corvo a 24.09.2018 às 18:16

Ora MJ: então ainda não conhece o mundo?
Todos os problema que teve, tem ou porventura possa vir a ter. Por mais insolúveis e dramáticos que possam ser e que a fazem perder noites e noites a tentar arranjar-lhes solução, que lhe provocam dores de cabeça e stress infindável, são imediatamente resolvidos pela primeira pessoa que encontre e a quem os conte..
É admirável, e sobremaneira espantosa a rara propensão que as pessoas têm para num ápice resolverem os problemas que não lhes dizem particularmente respeito.
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De M.J. a 25.09.2018 às 15:37

ora aí está uma das grandes verdades universais deste mundo.
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De Mário Pereira a 25.09.2018 às 08:53

Bom dia Éme Jóta,
De todo este post, só não concordo com um parágrafo. Este:
"pois bem, suprassumo das grávidas: quão triste é ter uma vida tão limitada que não pode pôr uns dias antes do parto para se preparar e descansar? e quão mesquinho é fazer sentir uma pessoa em gravidez de risco que aquilo que está a passar é secundário e essa pessoa é uma aproveitadora? é que, se vamos julgar sentimentos alheios, podemos ir por este lado, não?"
E porquê? Porque esposa amada, profissional liberal tal como tu, exactamente do mesmo ramo que tu, trabalhou até 12 horas antes de ver uma criança sair-lhe pela barriga (e não por zonas pudendas). E eu também, diga-se. E porquê? Primeiro porque baby G. decidiu sair 8 dias antes da data inicialmente prevista e 3 dias antes da data prevista par a indução do parto. Porque há amigas desnaturadas que fazem as amigas andar que nem tontinhas pelos shoppings deste mundo numa sexta feia à noite, estando a pessoa de 39 semanas e 3 dias de gestação. E porque profissional liberal não trabalha, não recebe e, naquele momento, qualquer tostãozinho dava jeito e foi preciso fazer um esforçozinho adicional.

Com isto não venho aqui dizer raios e coriscos de ti, chamar-te nomes ou sequer ficar aborrecido. Apenas venho não concordar e explicar o motivo. E desejar do fundo do coração, porque contratempos existem, que não os tenhas nestes mesitos que ainda te restam antes do crianço nascer.

E venho também mandar uma grande beijoca
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De M.J. a 25.09.2018 às 09:55

Entendo perfeitamente o que dizes. Não trabalho, não ganho. Mas não condeno quem pode tirar licenças. Até acho bem. Não concordo nada é que quem não precise de licença ou não possa tirar ache que quem o faz é "mariquinhas".
Beijoca e obrigada por estares aí.
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De Anónimo a 25.09.2018 às 09:29

Tu não tens uma gravidez de risco e não fazes a menor ideia do que isso é.
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De M.J. a 25.09.2018 às 09:53

E o que tem o cu a ver com as calças? Por acaso leu o texto? Tem problema de interpretação? É que se ler vai reparar que estava exatamente a dizer que não entendo quem ataca mulheres grávidas, seja com gravidez de risco ou não.
Explique lá: por não ter gravidez de risco estou menos grávida?
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De Outra a 25.09.2018 às 09:36

Durante uns belos meses senti-me mal por sentir as coisas de maneira diferente das pessoas que conhecia e que me falaram da maternidade...Pena é que demorei a deixar de sentir-me assim.
Cada pessoa vê e sente as coisas à sua maneira. se és drama queen, deixa ser, és tu. Ao menos não és hipócrita...porque percebi que muito do cor de rosa que ouvia era só a aparência. Lá atrás também havia muito drama.
Trabalhei até ao fim por pura necessidade. E ainda bem que a gravidez assim o permitiu... Fiz uma licença pequena por necessidade. Voltei quando tinha de ser. Não sou menos mãe por isso.
Não lidei nada bem com passar a ser "a mãe de"... e com uma série de outras coisas. Não fiquei toldada. Continuei a ser eu. Como tu continuas a ser tu. E isso é tão bom!
beijinho , gosto muito de ti :)
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De M.J. a 25.09.2018 às 09:56

Creio ser muito semelhante a ti.
Obrigada pela partilha.
Também gosto muito de ti.

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