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sobe-me o sangue ao nariz quando me dizem que, no que diz respeito a incêndios, nada se aprendeu do ano passado para este e a tragédia foi a mesma.

 

certo.

que o nosso primeiro ministro tem uma ligeira dificuldade em ser confrontado pelo pessoal mais humilde e que, nessas alturas, tem a diplomacia de uma cebola a ser cortada para o refogado... concordo.

que arderam demasiadas coisas, demasiados hectares e que mais uma vez o português está a pagar pelas suas ações (suas, do vizinho, do familiar, do estado, do filho, do amigo e do outro português) também concordo.

que dizer que este combate ao incêndio foi um sucesso é sobranceiro e pouco demonstrador de empatia... não podia estar mais de acordo.

 

agora dizer que não se aprendeu nada e nada se fez de diferente... é ridículo e mostra bem quanto, nós portugueses, adoramos queixar-nos e ver o copo pelo lado sujo e vazio.

 

o que é que aconteceu de diferente do ano passado?

cem vidas a mais!

menos cem túmulos.

menos cem familias destruídas.

 

saberão os iluminados da desgraça o que são cem vidas?

viram por acaso a quantidade de famílias que desaparecem no meio do fogo, no ano passado?

gente que morreu, que desapareceu para sempre, em sofrimento horrível?

 

no ano passado morreram pessoas na região onde nasci. 

queimaram-se árvores, casas, terrenos, bens. e adivinhem? as árvores estão a ser replantadas, as casas reconstruidas, os bens readquiridos com apoio do estado.

acham, por acaso, que se ressuscitaram as pessoas que morreram?

 

não morreu ninguém.

e ainda assim há dois ou três iluminados, dois ou três atrasados, que mesmo não tendo vivido o inferno do fogo, condenam a ação da GNR de retirar pessoas de casa e dos sítios do perigo.

meus senhores, que quem lá viva não queira sair no momento, dominado pela aflição e o medo da perda, entendo.

que quem está com o cu na praia, na esplanada, no sofá e nunca tenha sentido o fogo na pele, ache que houve força excessiva e que mais valia cada um fazer o que queria... vá dar uma voltinha ao bilhar redondo, ao bilhar apertado e a outros bilhares.

 

bastava ter morrido uma pessoa e este incêndio tinha sido infinitamente mais trágico. 

só uma.

 

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publicado às 12:13


3 comentários

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De Magda L Pais a 13.08.2018 às 12:18

Tenho para mim que nunca será excessivo tentar salvar uma vida que seja
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De Gorduchita a 13.08.2018 às 12:18

Não podia estar mais de acordo!
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De Anita a 20.08.2018 às 16:57

Concordo em pleno contigo.
Tudo se reconstroi, uma vida humana, não renasce...
Tenho pena dos animais, desses tenho pena...

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