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do fim de semana

por M.J., em 23.02.15

um filho de uma grande puta de um fim de semana. assim mesmo. sem tirar nem pôr. uma valente bosta.

primeiro, logo no sábado de manhã, decidimos ir a outra pastelaria tomar o pequeno almoço que não à habitual (sim, sou burguesa, tomo o pequeno almoço ao sábado fora de casa) e não havia pão integral ou de centeio ou de alfarroba ou de outra coisa qualquer. só branquinho, branquinho cheiinho de amido à espera de ser bem processadinho pelo meu corpanzil. envergonhada de me levantar depois de já ter instalado o cu na cadeira lá pedi um pão torrado. infelizmente o meu estômago é mais estúpido que eu e a porcaria do pão caiu-me tão mal que andei o resto da manhã enjoada, numa vontade louca de vomitar barriga e costelas e tudo o que andava ali a fazer peso.

uma tristeza.

como se não bastasse o rapaz começou a queixar-se de fortes dores de cabeça e garganta e a produzir ranho em larga escala. lá voltamos para casa onde ele caiu no sofá, como um enfermo no leito de morte. fui enfermeira o resto da tarde, servindo leitinho quente e chás com mel. sim senhores.

às tantas, num fiozinho de voz, pediu bolachas, das caseiras. enfiei-me na cozinha, de avental e tudo e decidi que acabaram as bolachas cheias de manteiga e farinha refinada e vai de usar farinha de centeio e adoçante e azeite: que é que saiu daquilo? pão meus senhores! tivemos pão em forma de flores! sinceramente.

zangada, o rapaz a morrer da constipação, jantamos uma mistela repleta de legumes. às nove e meia da noite ele já roncava no sofá e eu fiquei com o serão por minha conta pondo os olhos na porcaria que passava na tv. estava tão deprimida que estive mesmo para ver anatomia de grey.

o domingo outra merda. dormi mal a noite toda com a quantidade absurda de suor que ele produziu. acordei de manhã, mais cansada do que quando me deitei, para trocar lençóis e pôr o colchão a arejar. o dia estava cinzento, feio, atroz. faltava o aroma a pão fresco dos domingos de manhã e o silêncio da rua, enquanto tomo chá na varanda. a criança de baixo berrava a plenos pulmões e o alarme da mercearia ligou-se em sonantes guinchos sendo desligado uma hora depois.

é por estas e por outras que esta tasca é o que é: qual é a marca de puré de batata que vai querer publicitar alguém que fala de ranho, suor, vómitos e alarmes de mercearia "numa única postagem"?*

 

adoro esta expressão brasileira.

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publicado às 15:40


2 comentários

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De Gaffe a 23.02.2015 às 20:08

Às vezes não me importava nada de ter um doentito destes para tratar.
Estou tão exausta, mas tão exausta, por tratar dos outros.
:)
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De M.J. a 24.02.2015 às 14:13

acredito. se quiseres podes vir tratar de mim. há pão em forma de bolachas, chá quente e uma pessoa com nariz escamado, a falar como a luisa sobral enquanto acha que vai morrer.

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