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e não são os enjoos,

não são as pernas cansadas,

não é a falta de posição para dormir,

não é o medo constante se o puto mexe ou não,

não são as consultas ora no centro de saúde (meu deus do céu, o médico com que lido, só visto), ora na maternidade, ora na obstetra (um abuso de gente, mas antes a mais que a menos),

não é o marketing agressivo a dizer-me que se não recolher o sangue do cordão umbilical sou uma mãe de merda,

não é a comichão nos mamilos (o quê? não sentiram isso?),

não é o besuntar a barriga com cremes para que não ganhe estrias,

não são as hormonas que me fazem chorar.

 

não meus senhores, tudo isso não é o pior.

 

o que me chateia a pontos muito chatos, o que me faz sentir mesmo mal, é esta incapacidade de perceber as coisas à primeira, de trocar palavras, de dizer observações sem nexo, de não entender o que me perguntam, de querer dizer pescoço e anunciar lasanha, de, enfim, sentir uma coisa que nunca senti em todo a minha vida:

que sou burra, incapaz de aprender, de compreender, que o meu estado de alerta passou a pura distração, que preciso que me repitam as coisas muitas vezes e que, tem dias, até desisto de perceber só para não ter de fazer um esforço descomunal a entender o que um miúdo de cinco anos não tem dúvidas.

 

odeio, odeio, odeio. 

preferia enjoar mais dois meses, ganhar duas estrias no joelho e chorar dez horas seguidas do que esta sensação que, sim é verdade, devo tão pouco à inteligência que o meu cérebro devia estar numa instituição de aprendizagem especial.

oh valha-me deus. 

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publicado às 12:11


4 comentários

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De Fatia Mor a 10.09.2018 às 19:41

Pois. Percebo-te. Tão bem. Mas tão bem. Passa. Tudo passa. (maizómenos)

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