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encontros.

por M.J., em 09.09.16

por um desses acasos do destino encontrei um colega de faculdade um dia destes.

uma chatice. tinha esperança de passar por entre os pingos de chuva nesta cidade e não dar de caras com ninguém (sou altamente insociável e não suporto reencontrar gente de algumas fases anteriores. prefiro mil vezes que as pessoas finjam que não me conhecem) mas sorte não é coisa que me assista.

enfim, o rapaz dirigiu-se-me com entusiasmo, chamando-me pelo diminutivo do nome, e não tive qualquer hipótese se não estabelecer conversa. 

foi sofrido.

o que mais me espantou foi a capacidade dele de saber nomes, profissões, estados civis e de saúde, localizações e outros de cada um daqueles colegas do passado. metade deles não me diziam nada pelo nome. outra metade provocava-me tanto interesse como dois pombos mortos na estrada de entranhas ao sol. depois, na pergunta ingénua do "então e tu?" fui obrigada a descarregar datas e factos, sítios e pessoas, percurso e estado.

a meio ia soltando uivos de impaciência.

sei que da próxima que ele encontrar alguém o meu nome vai estar incluído no rol dos colegas da turma x e do seu percurso profissional.

que cambada!

 

não finjo que não sei o que me afecta. toda esta paranoia é provocada pela minha própria insegurança. durante uma vida não foi este o estado que planeei chegar. não foi este o patamar da vida que escrevi para me empoleirar aos vinte e nove anos. e ainda assim, as minhas escolhas - integralmente - trouxeram-me aqui e por aqui permaneço. encontrar gente de trás, que cortei da vida com um bisturi afiado, é quase o mesmo que olhar para os meus falhanços de frente e ter de conviver com eles. não os posso mascarar. 

e se sei bem as máscaras da maioria!

um dia vou ganhar coragem e colocar um letreiro na testa quando andar em público: "mesmo que me conheça, finja que não, se faz favor. possibilidade contágio de doença incurável".

estou tão farta disto!

publicado às 09:35


3 comentários

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De O Coiso a 09.09.2016 às 11:48

Sendo tu uma pessoa que (pelo menos no blog) se está altamente borrifando para o politicamente correcto, porque não fizeste aquele "Olá estás bom? Desculpa, mas estou super apressada. Falamos outro dia." básico que ninguém pode rebater?

Mesmo que estivesses sentada numa esplanada podias dizer "Desculpa, mas agora não posso falar, tenho uma chamada importante para fazer" ou algo do estilo.
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De conta corrente a 09.09.2016 às 12:20

Faz como eu.
"Olá tás porreiro. Depois falamos estou cheio de pressa. Gosto em ver te pá" sem parar de andar.
Força nisso.
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De (des)Esperança a 09.09.2016 às 13:46

eu finjo MESMO que não vejo e corro a sete pés....

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e agora dá aqui uma olhada