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era uma vez uma história triste

por M.J., em 05.07.16

uma amiga tem uma amiga que sempre quis ser mãe.

a amiga casa e, nove meses e dois dias depois tem na sua frente, depois de suores, sangues e gritinhos de dor - mas dor boa porque sempre foi o que quis - uma menina.

a amiga da minha amiga queria muito uma menina (desde que se recordava de ter memórias) porque podia vesti-la com vestidos de croché e pôr laçarotes nos cabelos.

a amiga da minha amiga também tinha um nome para a filha desde que andara no jardim infantil e a sua melhor amiga se chamava mila. sem e antes do mila e i antes do a.  

a filha da amiga da minha amiga foi, por isso, registada com o nome de mila. 

uns meses depois, sem saber explicar como nem porquê a amiga da minha amiga foi diagnosticada com depressão pós parto. desde o dia em que tivera a mila no colo percebera que não sentia nada que lhe disseram que ia sentir. chateava-a também o facto da mila berrar dia e noite, com dores e sapinhos e otites e cólicas e dentes. chateava-a o facto de a mila não ter cabelo grande para lhe poder pôr laçarotes e parecer um pato com a fralda, sempre cheia e grossa que, com a graça de deus, a mila tinha bons intestinos. 

a amiga da minha amiga começou, cada hora com mais força, a querer estar menos tempo com a filha e um dia deixou-a em casa sozinha, a chorar durante horas enquanto ouvia musica nos phones na esplanada ao lado.

depois do diagnóstico a amiga da minha amiga percebeu que era uma doença e como, tal não tinha culpa. os médicos disseram-lhe que as hormonas são uma coisa lixada e às vezes provocam estas coisas mas que com o tempo passaria, desde que ela continuasse a medicação e fizesse terapia. 

cinco anos mais tarde a amiga da minha amiga ainda deixa a mila, sem e no início e i antes do a, todas as manhãs na casa da avó e vai buscá-la já depois do jantar, banho tomado e a dormir, pondo-a na cama sem a acordar.

a amiga que me contou isto não entende a doença.

eu entendo.

e tenho pena da mila. 

publicado às 10:30


80 comentários

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De sarabudja a 05.07.2016 às 10:46

Se a ideia era só vesti-la com vestidos de croché e penteá-la com laçarotes, a Mila deve estar a cumprir a missão todas as manhãs. E como é prazeroso o sono banhado das crianças. Só alegrias lhe dá essa princesa sonhada...
Pobres Milas, avós de Milas, pais de Milas e até mães de Milas.
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De M.J. a 05.07.2016 às 12:13

não creio que fosse apenas essa a ideia.
mas havia, naquela cabeça, uma ideia muito romantizada da maternidade, cujos vestidos de croché e laçarotes nos cabelos ilustram.

pobres milas. pobres mães das milas.
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De sarabudja a 05.07.2016 às 12:19

O meu "só" é subjectivo e pretendia chegar à romântica ideia de meninas vestidas a preceito, cabelos meticulosamente apertados com laçarotes, momentos de cumplicidade e felicidade inabalável.
A maternidade é bicho mais cabeludo, como por cá foi referido. Não é tudo rosa ou azul céu.
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De M.J. a 05.07.2016 às 12:26

concordo em pleno.

agora pergunto apenas para cavaquear:
mas podemos culpar em absoluto uma mulher, que nunca tenha sido mãe, a ideia romântica da maternidade? quando é inundada todos os dias por todo o lado apenas das coisas boas?
as mães não contam às outras as dores. e se as contam dizem logo que não tem mal nenhum, que o amor bate tudo.
a televisão, as novelas, os filmes, as publicidades, os blogues, as revistas, as amigas e as conhecidas vendem uma imagem de cumplicidades e laçarotes e a amizade para sempre. ninguém fala, ninguém quase comenta, que o amor não é um dado adquirido e que, como em tudo na vida, se contrói. ninguém conta o desespero quando o choro não acaba, quando se quer dormir e não pode, quando se tem de moldar a sua vida a outro ser. assume-se que isso está inerente à maternidade e que já devia saber mesmo quando nunca se falou disso porque há sacrificios que não interessam em função de algo maior mesmo quando alguém, por incapacidade ou doença não consegue sentir esse "grande".

mais: creio que no fundo, a maioria das mães (ou pelo menos uma parte delas, vá) ostraciza quem não sente o que elas dizem sentir:
"credo! se fosse eu nunca faria isto ao meu filho".

(mas depois... ah, depois, se a profissão me deixasse contar o que já vi em gente que assim bate com a mão ao peito).

(isto foi só para conversarmos. sei de antemão que concordas, pelo menos em parte, com quase tudo o que disse).
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De p a 05.07.2016 às 12:39

"as mães não contam às outras as dores. e se as contam dizem logo que não tem mal nenhum, que o amor bate tudo. "

Tão isto. E não, o amor não bate a frustração de teres de abandonar (quase) tudo o que fazias e eras antes de ser mãe. Se calhar é a minha visão egoística da coisa, mas é mesmo assim que sinto.
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De M.J. a 05.07.2016 às 12:41

as coisas são como são. as pessoas romanceiam esse ser como é porque se torna mais bonito, mais aceitável, mais decente e ninguém quer, na verdade, ter o estigma de não saber amar quem pariu.
a sociedade assumiu que a parentalidade abriga qualquer sacrificio e ostraciza quem tiver resistência ao mesmo.
é só triste.
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De sarabudja a 05.07.2016 às 12:45

ÊmeDjay, sem tanto paninho quente que não costumo misturar farinhas. Continuemos a aceitar que sou uma pessoa quase normal.

Pois cá vai:
Também eu fiz uma história romântica à volta do que seria a maternidade, principalmente, durante a gravidez do meu mai' velho.
Ele eram as roupinhas giras que afinal não brilhavam como eu imaginava porque os recém nascidos estão deitados e sentados e não desfilam aquelas peças; e o choro que eu não sabia traduzir ou acalmar e me roubava o sono e a boa disposição, primeiro para os outros, depois para as canções de embalar e algumas vezes até para falar serenamente; as cólicas que não acalmaram com gotas, mezinhas, colo... os cocós até ao pescoço, os xixi de fralda aberta, o meu banho que era adiado até alguém poder embalar o bebé, a depilação marcada para horas que não coincidissem com as horas de amamentar e, por isso, feita à pressa. A minha vontade de que alguém chegasse e me ajudasse, que o bebé adormecesse para eu ter com quem falar de coisas de crescidos ...
Somos obrigadas a amar sempre, sorrir sempre e queixar nunca.

Um dia estava deitada e ouvi um choro no aparelho intercomunicador. Desliguei e achei que assim tinha resolvido o assunto. Depois ouvi o choro, embora mais abafado e percebi que a maternidade não tem on/off. Acho que fui com ar infeliz até ao quarto dos meus filhos e cumpri o básico nesse dia.
Talvez muitas de nós não cheguemos a mãe da Mila, porque quem nos rodeia não dá muito espaço para isso. Não garanto que, em momentos mais debilitantes, se encontrasse como solução a entrega em casa da avó, não o tivesse feito. Sei lá eu?
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De M.J. a 05.07.2016 às 13:23

tenho tanto medo. tanto medo de cair como a mãe da mila... sou tão propensa a dramas, a horrores. vejo sempre tudo tão negro. fico tão maluca quando saio dos comportamentos seguros.
credo!
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De Lêh a 05.07.2016 às 10:48

É realmente uma história triste e, também eu tenho pena da mila. Mas a depressão pós-parto é algo que, infelizmente, acontece bastante.
Mas a mila vai ser feliz.
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De M.J. a 05.07.2016 às 12:13

também gostava que a mãe da mila conseguisse ser feliz.
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De Lêh a 05.07.2016 às 16:07

Com força e apoio a mãe da mila vai conseguir superar.Assim espero
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De M.J. a 05.07.2016 às 16:17

assim esperamos.
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De p a 05.07.2016 às 11:42

Eu entendo (mais do que gostaria) a mãe da mila. Ser mãe não era o meu maior sonho, mas fazia parte dos planos. Quando ele nasceu foi tudo diferente do que pensei e não senti o que era "suposto". Mas acho que nisto da maternidade há tanta hipocrisia (principalmente de quem já é mãe) em não admitir que não é tudo (ou nada) cor-de-rosa (ou azul, escolham), e que é difícil e que muitas vezes apetece deixá-los chorar e fazer o que fez a mãe da mila...Sei é que a mila, coitadinha não tem culpa nenhuma e certamente sente falta da sua mãe, que para o bem e para o mal é aquela.
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De M.J. a 05.07.2016 às 12:14

"Mas acho que nisto da maternidade há tanta hipocrisia (principalmente de quem já é mãe) em não admitir que não é tudo (ou nada) cor-de-rosa (ou azul, escolham), e que é difícil e que muitas vezes apetece deixá-los chorar e fazer o que fez a mãe da mila...Sei é que a mila, coitadinha não tem culpa nenhuma e certamente sente falta da sua mãe, que para o bem e para o mal é aquela."

acho que não há mais nada a dizer. tudo dito.
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De Be a 05.07.2016 às 11:44

Eu sempre quis ter filhos, nunca quis ter um filho com uma doença rara como acho que ninguém quer porque o que se espera, quando toda a vida se espera um filho, é que ele seja saudável. Ele calhou-me assim e eu amei-o ainda mais por ser assim. Nunca me deprimi, apesar de o mundo inteiro achar que eu era uma excelente candidata. Depois veio um segundo filho, uma menina, saudável mas que durante 3 meses chorou dia e noite e ao fim de uns meses de filha, veio a depressão, talvez porque na minha luta pelo bem-estar de todos me tivesse esquecido de mim, talvez porque a depressão já aguardasse à porta à espera da oportunidade para entrar. Essa depressão deu-me "direito" a muitas coisas, nenhuma boa mas nunca me deu a vontade de ostracizar qualquer um dos meus filhos. Compreendo a doença, não compreendo que nos abandonemos a ela. Para mim, teria sido muito mais fácil continuar a cavar aquele buraco, decidi lutar pelos meus filhos porque fui eu que escolhi tê-los, foi duro. Mas ver a vida do lado de cá, enche-me de orgulho de mim própria.
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De M.J. a 05.07.2016 às 12:19

compreendo plenamente e concordo em quase tudo excepto na parte:
"Compreendo a doença, não compreendo que nos abandonemos a ela"

como bem disse ninguém escolhe ficar doente e também ninguém comanda, em absoluto, a maneira como a ultrapassa. o facto de um ultrapassar uma depressão e outro não não é sinónimo de força de um e cobardia do outro. porque a dor é subjetiva e dói mais a uns que outros. porque as personalidades, as circunstâncias, os traumas e as vivências de cada um moldam o que é e a maneira como cava o buraco.
a mãe da mila tem dores que ainda não conseguiu amenizar. espero que consiga um dia.
por ela própria. não só pela mila.
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De Be a 05.07.2016 às 12:40

Eu não disse que o facto de ter conseguido ultrapassar, faz de mim alguém melhor, não faz mas faz-me sentir orgulho por saber o quão difícil é. Muito menos acho cobarde alguém que não o tenha conseguido mas reitero que não compreendo que nos abandonemos à doença. Falei na minha dor porque não conheço a dor dos outros e sei que não é sempre igual. Um dia disse para mim que aquela dor não me consumiria e acredita, que tinha quem me apoiasse o suficiente para me deixar arrastar ao sabor dela, como a mãe da Mila tem. Ninguém me abanou, ninguém me puxou, apenas consideraram válidas todas as "minhas" razões para aquela dor, apoiando-me na doença e sem perceberem que era o pior que me poderiam fazer.
Eu tive a capacidade de me içar sozinha daquele vazio, há quem precise de uma mão, ou dez. Se calhar a mãe da Mila precisa da Mila e precisa que a sua própria mãe seja mais mãe e menos avó.
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De M.J. a 05.07.2016 às 12:42

desculpa, não queria dizer que tinhas dito. era mais para meter conversa, para estender a conversa :)

fico muito feliz por ti.
por ti e por toda a gente que ultrpassa :)
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De p a 05.07.2016 às 12:26

Acho que às vezes (na maior parte delas) cavar o buraco não é o caminho mais fácil, é só o que se enxerga e se consegue quando se está dentro de um poço como a depressão...
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De M.J. a 05.07.2016 às 12:28

cada um lida com o sair dele de uma forma.
nunca tive depressão pós parto mas tive depressão.
o buraco era só o que via. demorei muito mais do que o recomendável a construir escadas para sair dele.
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De p a 05.07.2016 às 12:34

Tive depressão. E não sei se não andei lá perto outra vez no pós parto. Mas sei que não se enxerga dois palmos à frente.
Também demorei a encontrar a primeira pedra onde assentar o pé para a íngreme subida. :)
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De M.J. a 05.07.2016 às 12:43

o que interessa é que a pedra estava lá e conseguiste vê-la :)
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De Sarah a 05.07.2016 às 12:52

Tinha uma ideia muito romantizada da maternidade. Talvez por ser essa a ideia que, a todo o custo as próprias mulheres tentam passar umas ás outras, talvez, por a minha mãe no meio de tanta dificuldade o fazer parecer tão fácil.
A verdade é que com o passar dos anos eu vejo em mim um cepticismo crescente perante a maternidade.....digo muitas vezes em tom de gozo que o meu bebé pode vir num cestinho de Paris que eu vou gostar dele à mesma. Não anseio a gravidez. Morro de medo do parto. Tenho medo que quando um dia vir o bichinho cá fora me apeteça fugir e encare isto da maternidade como a minha maior "asneira" pois a última coisa que quero é fazer um ser humano, o meu ser humano, sentir-se indesejado.....Não quero a mila da avó. Quero a minha mila......
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De M.J. a 05.07.2016 às 13:23

é quase isso que penso e que sinto.
tenho um medo tremendo!
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De O Mundo da Marta a 05.07.2016 às 13:37

espero que isto seja uma historia tirada de um pesadelo qualquer, porque se existe mesmo a mila... a mila devia ser tirada a essa porcaria de mãe.
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De M.J. a 05.07.2016 às 13:38

pensei seriamente se aprovaria ou não esta porcaria de comentário.
decidi que sim apenas para comprovar aquilo que foi comentado nos outros todos.
parabéns!
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De O Mundo da Marta a 05.07.2016 às 14:26

porcaria de comentario? achas que uma mãe que traz ao mundo um filho que descarta dessa forma não é uma porcaria? imaginas sequer os efeitos que isso terá na criança a longo prazo? O facto de se ver completamente desviada para os avós porque a mãe criou expectativas na cabecinha dela que infelizmente não viu cumpridas e quem paga é a criança ( que seja admitido é a parte que culpa 0 tem nesta historia toda?).
Se por o meu comentário achas que não acredito na depressão pos parto... então é uma parvoíce, porque nem sequer me manifestei sobre esse assunto...
O que não acho justo é haver tantos casais sobre diferentes formas prontos a dar amor uma criança, e essa mãe nem interage com a que ela trouxe ao mundo.

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De M.J. a 05.07.2016 às 14:31

ao chamares de porcaria de mãe a uma mulher com depressão pós parto estás, portanto, a não manifestar-te sobre a doença?
desculpa. erro meu. claro que não te manifestaste sobre a doença.

isso e a ideia completamente funcional de como funcionam as adopções: simples, rápidas e eficazes. as nossas instituições até estão vazias porque o sistema judicial é rápido, as pessoas querem todas adoptar e as casas pias e os bibis são uma miragem.

deus!
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De O Mundo da Marta a 05.07.2016 às 14:46

E ao ser uma pessoa com uma doença deixa de ser possível classificá-la com uma porcaria de mãe? Ela tem uma doença sim... espero que esteja a ser tratada, mas objectivamente falando ela é uma má mãe para aquela criança....
E tu manifestares-te sobre a criança? Ou vamos só falar da mãe? E da doença da mãe? Alguma vez tiveste a doença? Se não tiveste nem sequer sabes o que é e como lutar contra ela... se tiveste deves saber que só com muita vontade própria... sais desse buraco negro.
Relativamente ao sistema judicial há muitas crianças em instituições por causa das expectativas que infellizmente estão na raíz de muitos problemas sociais, têm que ser criancinhas bebés, ou loiras, ou com olhos azuis... ou seja como for... para quem não tem estas limitações sabes que por acaso um processo de adoptação pode correr num espaço de 6 meses após aprovação completa do casal?
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De M.J. a 05.07.2016 às 14:54

portanto, uma pessoa com cancro que não consiga fazer sexo com o marido é uma porcaria de esposa? uma pessoa com uma perna partida que não consiga trabalhar é uma porcaria de trabalhadora? uma pessoa com autismo que não consiga relacionar-se com os pais é uma porcaria de filho?
estás a dizer-me que as consequências diretas de uma doença fazem dessa pessoa uma porcaria de pessoa.
teria a sua piada não fosse só tolo.

quanto se eu tive a doença? não, tive depressão mas não pós parto porque nunca pari. e não vou discutir com alguém que apelida as pessoas doentes de porcaria quais as consequências ou as necessidades de sobrevivência. é por pessoas como tu, que apontam o dedo às doenças mentais que as mesmas são pouco compreendidas.
falei da criança sim. disse que é cuidada pela avó. como são muitas crianças. na tua lógica portanto, todas as crianças que são cuidadas pelas avós devem ser retiradas aos pais. todos aqueles pais que indo para o estrangeiro deixam os filhos ao cargo dos avós devem ficar sem eles. um marido que vá para fora durante cinco anos e deixe o filho ao cargo da mãe deve pôr-se ao fresco que é uma porcaria de pai.
são argumentos rídículos mas depois de tudo o comentado acima e mesmo assim o teu comentário isto só lá vai com coisas ridiculas.

quanto ao sistema judicial, bem se eu não fosse advogada e nao tivesse envolvida num projeto de investigação acerca de menores em risco e alienação parental concordaria contigo.
assim encolho os ombros.
não me parece que compreendesses nem que te enfiassem pelos ouvidos.
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De O Mundo da Marta a 05.07.2016 às 15:13

E tu achas que o escreveste está objectivo? Tudo o que escreves ali são as tuas opiniões tiradas de alienações com base no que escrevi... Portanto para mim vale 0.

Alguma vez disse que todas as pessoas doentes são porcaria.. ups por acaso não... disse sim que em termos objectivos ela não está a ser uma boa mãe, e pelo que escreveste não é só o facto de serem os avós a cuidar da criança é o facto de a mãe nem sequer querer interagir com a criança... Sim se uma mãe não quer passar tempo com a filha e a despacha para outros fazerem o seu papel sim acho que é má mãe.

Por essa ordem de ideias achas que uma toxicodependente que não cuida da filha pode ser uma boa mãe? mas coitadinha ela só tem um vício... que por acaso é também considerado uma doença do foro psicológico. Mas será que irias considerar que uma toxicodependente que se esquece de alimentar a filha porque está numa onda tão boa que nem disso se lembrou não a está a mal tratar?
Epah se vamos extrapolar vamos extrapolar em grande!

Trazer as questões de pernas partidas ou cancro é meramente idiótico da tua parte... é extrapolar o que disse para outros cenários que nada têm a ver. Tal e qual como este ultimo exemplo que te dei.

A questão aqui é que eu percebo que tu te estás a focar-te na questão da doença da mãe da mila, e eu estou a tentar que percebas a parte da mila...
Achas justo para ela? Crescer com estes traumas?

Alguma vez me viste a menosprezar a questão das doenças do foro psicológico? Lol acabei de te dizer que infelizmente passei por isso e conheço muito bem o cenário, nunca iria menosprezar ou ignorar algo deste género.

Apelido pessoas doentes de porcaria...não... mais uma vez não... estou a dizer-te que como mãe da mila ela é uma porcaria sim e direi quantas vezes quiser e me apetecer e independentemente de quantos atestados me apresentes da doença dela.

A diferença é que compreendo onde tu queres chegar mas posso optar por concordar ou não...
A mãe que estava a pinar no jardim a frente da filha.. coitadinha só tinha uma necessidade... doença não sei mas talvez também tivesse por diagnosticar... e é por isso que não lhe vou chamar de porcaria de mãe? Não.

E sabes que mais... o mais feio no teu extrapolar e te borrifares a tentar perceber outros pontos de vista é que infelizmente nunca sabes se a pessoa com quem estás a falar, não trabalha na área/não passou por isso/não acompanha alguém que passou/e se por isso pode ou não ter inputs que possam ajudar a mãe da mila de alguma forma...

Os meus ouvidos ouvem os teus olhos é que só escolhem ver o que queres... Eu não projectei/ou escrevi nada do que ali puseste... isso foste tu que escolhes-te ver e de forma errada!

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De M.J. a 05.07.2016 às 15:22

não preciso de extrapolar nada. foste tu que disseste:

"a mila devia ser tirada a essa porcaria de mãe."
"E ao ser uma pessoa com uma doença deixa de ser possível classificá-la com uma porcaria de mãe?"

respondendo às tuas perguntas:
"achas que uma toxicodependente que não cuida da filha pode ser uma boa mãe?"
se a toxicodepende entregar a filha à mãe que é competente para o fazer, não cuidando ela próprida filha, é boa mãe sim. alias má mãe seria se, estando sob efeito da droga quisesse cuidar dela."

"Achas justo para ela? Crescer com estes traumas?"
não. nunca o disse em lado nenhum. tentei foi compreender o lado da mãe. tu apelidaste-a de porcaria.

acho que não perguntaste mais nada.

disseste que a mãe da criança, que por acaso sofre de uma doença mental é uma porcaria de mãe.
eu acho que quem julga doentes mentais, sobretudo depressões pós-partos, é uma porcaria de pessoa.
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De O Mundo da Marta a 05.07.2016 às 15:35

ahahahah e se me eu me preocupasse com o que tu achas tinha feito que nem uma carneirinha abanado a conversa e focado apenas no teu ponto de vista e acabou...
Ja te disse que compreendo que te estejas a focar na doença da mãe... eu estou a focar-me na mila e nas consequências do comportamento de tão boa mãe terá no crescimento dela...

Quando aprenderes a abrir o teu leque e palas laterais avisa... estou por ali no meu cantinho até lá sim... foca-te na mãe da mila... e na doença da mãe da mila... a mila desgraçada que continue a viver a vida a ser acompanhada com os avós (felizmente que eles podem tratar dela), sem uma mãe presente, sem uma mãe que queira efectivamente interagir com ela MAS QUE É UMA EXCELENTE MÃE!!... E que ninguém se atreva a dizer o contrário porque realmente é obvio que assim o é!
O que era giro seria daqui a 20 anos perguntares à mila o que ela teria preferido... se assumirem a 100% que a mãe não tem condições para a criar e que a pessoa x ficaria encarregue do bem estar dela e dar-lhe segurança estabilidade emocional e física.. em vez de estar nessa jigajoga... ou se estar assim no limbo e num ambiente ideal claramente para uma criança e que a faz sentir importante, amada e desejada... PORQUE É CLARAMENTE ISSO QUE ELA TEM DA MÃE DELA... não sejamos estúpidos claro...

Prefiro ser uma porcaria de pessoa do que ser como tu... mente fechada e que nesta história toda... fechas-te sequer a pensar no que esta mãe está a fazer à garota!
Cada criança deve ser valorizada pelo que é... como é... em toda a sua plenitude... uma criança nunca deve ter como ponto de referência uma mãe que seja porque razão que seja, não quer estar com ela, não quer tratar dela...
O papel de mãe assumido pela avó temporariamente vai efetivamente colmatando essa falha mas cria certamente uma instabilidade emocional pela falta de quem tem efectivamente o titulo tem.
Preocupar-me com o bem-estar da criança... a pessoa que menos culpa tem nisto tudo... se isso faz de mim uma porcaria de pessoa então que seja sou uma pessoa bem resolvida comigo mesma e se essa é a razão pela qual me chamas porcaria de pessoa... é para o lado que durmo melhor... pior seria se fosse como tu já viste?
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De M.J. a 05.07.2016 às 16:04

vamos pôr um ponto de situação:
primeiro eu não fui ao teu blog insultar-te. alguém tão bem formado como tu devia tentar fazer o mesmo.

depois não disse que eras uma porcaria por defenderes crianças. disse que eras uma porcaria por apelidares de porcaria pessoas que sofrem de doenças mentais. algo que afirmaste, voltaste a afirmar e ainda disseste, como se alguém te fosse impedir, que dirias as vezes que quiseres. claro que sim! podes dizer as vezes que quiseres que uma mãe que sofra de depressão pós parto é uma porcaria de mãe. tal como eu posso dizer que uma pessoa que diga isso é uma porcaria de pessoa.

por fim, provavelmente seria pior que fosses como eu sim.
mas nunca o escondi. nunca me levei muito a sério, nunca disse que era grande coisa e sempre escrevi, neste blog a que vieste de livre vontade, que tenho mais defeitos do que virtudes.
no entanto, nunca escrevi, assumindo mesmo assim os meus defeitos, que alguém doente é uma porcaria.

podes tentar justificar-te da forma que quiseres. nada invalida o facto de apelidares uma mãe com depressão pós parto de porcaria.

agora não te dês a tanto trabalho. se dormes tão bem, se és tão bem resolvida, se são tantas as tuas virtudes por que raio te dás ao trabalho de frequentar um blog assumidamente mal educado e com alguém que escreve com tantos defeitos? sobretudo porque te dás ao trabalho de o comentar?
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De Sarah a 05.07.2016 às 16:32

Epah!!!!! Caramba, serei eu uma futura porcaria de mãe tendo em conta o post que acabei de fazer??? Oh com a breca!

(e depois fazer posts de mão a bater no peito e juras à bandeira sobre opiniões e cenas.....)
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De M.J. a 05.07.2016 às 16:36

só serás uma porcaria de mãe se sofreres de DPP.
se não acontecer acho que não.
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De Sarah a 05.07.2016 às 16:38

okok. vou ligar para a senhora das cartas da SIC a perguntar se vou ser uma dessas com DPP. se à senhora que levava tareias do marido ela mandou amá-lo, o que irá sugerir para mim? Enfiar a cabeça em óleo quente? Esfregar-me no meu recém-nascido?
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De O Mundo da Marta a 05.07.2016 às 17:13

Primeiro: tal e qual como tu tens o direito de me chamar o que for eu tenho o mesmo direito.. liberdade de expressão é uma porcaria qualquer que inventaram...
tens um blog publico optas por aceitar ou não comentários... não o faças se não queres... eu tenho o direito de comentar o que eu quiser...
Não vou deixar de ter uma opiniao própria porque tu não concordas com ela.. não é defender-me é expressar-me...
Segundo: eu nao fui ao teu blog insultar-te.. chamei a uma porcaria de mãe uma porcaria de mãe... se és tu a pessoa que descreveste aí sim fui ao teu blog insultar-te caso contrario chamei uma porcaria de mae á mae da mila, não a ti e não te insultei até me teres chamado porcaria de pessoa. facto que depois resumi facilmente dizendo que pior seria se fosse como tu...
Terceira: se nunca te levaste muito a serio melhor para ti... eu não sou assim e mais uma vez ainda bem que as pessoas são diferentes.
eu não me vou calar simplesmente porque queres ou tens uma opiniao diferente... o ideal é as pessoas trocarem pontos de vista e tentarem perceber que existem outras opiniões e outros contributos...
tu por outro lado podes optar por ignorar e não aprovar os comentários e estás no teu direito e eu só teria que respeitar caso o fizesses.. e sim durmo optimamente sou muito bem resolvida isso nao faz de mim uma vendida e alguém que se assusta facilmente com formas incorrectas de expressão como as tuas.
Vinha ao teu blog até hoje porque nunca tive razão para não o fazer... mas também podes ficar descansada que já o tirei da minha lista de leituras porque não me interessa ler post de uma pessoa que não tem capacidade para aceitar que há outras opiniões no mundo e que seria certamente interessante tentar compreende las antes de as julgar...
E quanto a isto acho que não tenho muito mais a dizer... e acho que até já me estou a repetir um bocadinho mas porque tu insiste no mesmo... ahhh disseste que alguem com depressao pos parto é uma porcaria.. ahh julgas as pessoas que estão doente... ah vai te crucificar porque tiveste a lata de dizer tal coisa... quando a unica coisa que eu disse foi essa mãe é uma porcaria de mãe para a mila... e se eu me pusesse aqui a dizer ahh mas tu nao queres saber da criança... ah mas a coitada da criança sofre com isto... ah mas as criancinhas nao deviam ser protegidas acima de tudo neste mundo? Elas que não se conseguem defender porque lá está são crianças? já viste que triste seria trocarmos ideias viradas de costa cada uma para sua parede a bater literalmente lá com a cabeça... neste momento parece-me que é o que tu fazes... o resto do mundo não existe... só aquele bocadinho de parede... e a tua opinião...
repetitivo e sem interesse... sem dúvida.
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De M.J. a 05.07.2016 às 17:16

é verdade: a partir do momento em que dizes que uma mãe com depressão pós parto é uma porcaria de mãe, seja ela quem for, eu ou a maria genoveva, deixo de ler ou assumir qualquer outro argumento que digas.
a partir do momento em que insultas alguém doente deixo de querer saber o que tens mais a dizer.

o resto, tens razão.
estou a ser rídicula.
a conversa acaba aqui.
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De M.J. a 05.07.2016 às 17:32

não vale a pena continuares a comentar que não aprovo.

já disse que a conversa acabou e aqui, feliz ou infelizmente, mando eu.

assim como assim, e lembrando eu a tua argumentação solene e pujante de que me retiraste das leituras, acho que devemos acabar esta conversa ao som de algo verdadeiramente bonito:

https://www.youtube.com/watch?v=FBjUH8nT2pg
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De M.J. a 05.07.2016 às 17:41

continua.
escreve para aí.
está uma tarde agradável, temos tempo, a música é bonita e prefiro ter todos esses defeitos do que concordar com alguém que apelida uma mulher com DPP de porcaria de mãe.
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De O Mundo da Marta a 05.07.2016 às 18:12

fogo mas ainda não percebeste que genuinamente não é pirraça... que é simplesmente fazer-te ver que eu tenho direito a uma opinião e que no minimo poderias tentar perceber?

NAO PENSAS NA CRIANÇA NAO PENSAS NA CRIANÇA NAO PENSAS NA CRIANÇA NAO PENSAS NA CRIANÇA NAO PENSAS NA CRIANÇA

Achas que se fizesse como tu e dissesse só isso iamos a algum lado?
Queres o que que concorde com o que dizes só por concordar...
fica lá com a taça... só tenho pena que não tenhas uma mente suficientemente permeável a ter uma "discussão" saudável de troca de ideias....
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De M.J. a 05.07.2016 às 18:20

quanto a isso do não pensas na criança, eis o que diz o meu texto:

"a amiga que me contou isto não entende a doença.
eu entendo.
e tenho pena da mila."

estaria aberta a discussão saudável se admitisses que te excedeste quando chamas a alguém doente uma porcaria de mãe. não o fazendo infelizmente as minhas limitações impedem-me de conseguir ver mais argumentação.
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De Gaffe a 05.07.2016 às 13:38

O nome da heroína é tão propenso a trocadilhos parvos!
Se os fizeres, minha querida, verás como tudo se torna muito simples!
Experimenta e usa o mesmo truque nos belíssimos comentários que te fizeram e que não sei complementar.
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De M.J. a 05.07.2016 às 13:51

de facto... "a pila deveria ser retirada à porcaria da mãe" fica bonito.
mais bonito se fosse "a pila deveria ser retirada à porcaria da mão!"
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De Gaffe a 05.07.2016 às 14:04

Como vez, até a maternidade é uma questão de ... perspectiva.
:)*
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De M.J. a 05.07.2016 às 16:04

de pilas, portanto!
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De Gaffe a 05.07.2016 às 16:14

Sem dúvida que também.
:)
Mas em questões de maternidade não tenho, nem terei, como e com que opinar.
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De Maria Alfacinha a 05.07.2016 às 15:22

Eu tenho pena da Mila :-)
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De M.J. a 05.07.2016 às 16:04

eu também.
mas tenho mais da mãe dela.
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De Maria Alfacinha a 05.07.2016 às 17:05

Não consigo medir penas, desculpa :-)
A mãe está doente e, pelos vistos continuará a estar, ou talvez um dia se cure.
Mas a Mila cresceu sem mãe. Se calhar até correu bem. Talvez a avó tenha sido (esteja ainda a ser) uma mãe. Mas a Mila nunca mais vai ser bebé. E isso não se cura :-)
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De M.J. a 05.07.2016 às 17:06

tens razão.
falei a quente no afogueamento da tarde.
não se medem penas.
lamentam-se situações.
lamento. as duas. as dores das duas.
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De Maria Alfacinha a 05.07.2016 às 17:07

Assim compreendo.
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De Ana Rita 🌼 a 05.07.2016 às 15:41

Fiquei na dúvida quando li este post se seria uma história sarcástica ou uma coisa mais séria.
Se calhar é algo entre uma coisa e outra, mas vendo pelos comentários que vão sendo feitos já vi que estás empenhada em defender a Mila mas também a mãe.

Quando somos pequenas é-nos incutido os valores da maternidade de uma forma muito cor de rosa e azul. Os desenhos animados para meninas, os bonecos e toda uma panóplia de coisas nos levam a querer que a vida da mulher só faz sentido se em adulta transportares na barriga e no colo uma duas três crianças.

A DPP é uma doença muito complicada, ela existe e está presente em muitas famílias.
Tenho pena da Mila e desejo sinceramente que os avós consigam (em parte) colmatar a falta que a mãe lhe faz.
Mas também compreendo a mãe...uma DPP não diagnosticada arrasta-se por anos e anos e pode ter consequências brutais.

É triste mas...é uma realidade!!
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De M.J. a 05.07.2016 às 16:06

é triste.
para ambas. mãe e filhos, familia, avós, pais.
mas isso não significa que a deonte seja uma porcaria como mãe, como alguém quis defender.
assumo que a criança sofre. aliás, incialmente até ia escrever o post com o enfoque na criança.

nem toda a gente pensa como tu.
uma pena.
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De Ana Rita 🌼 a 05.07.2016 às 16:33

MJ vindo de ti que és uma pessoa sarcástica por natureza...é dificil não pensar!

Mas não essa mãe não é um monstro, nem merece ficar sem a filha como alguém fez o favor de dizer.
Essa senhora precisa de ajuda!! Eu também tive DPP e não sou nem um monstro nem maluca...é uma coisa que acontece!!

A maternidade/paternidade não é um mar de rosas...é uma das tarefas mais difíceis que alguém pode passar...olhando cruamente estás a criar (bem ou mal) um ser humano que vai viver e socializar e andar por cá claro que tentamos que seja da melhor maneira mas nem só isso depende de nós pais e educadores.
Nós não nascemos para ser mães/pais ... esses valores são-nos incutidos!
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De M.J. a 05.07.2016 às 16:36

sou sarcástica sim, tens toda a razão e talvez por isso nem sempre se perceba a dita linha que separa isto daquilo.
minha culpa.

mas é por comentários e relatos como os que acabas de fazer que percebo - também - que vale a pena continuar a escrever.
nem toda a gente assume a DPP. há ainda muita vergonha, muito estigma, muito medo, muito temor de se ser apelidada de porcaria de mãe.
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De Ana Rita 🌼 a 05.07.2016 às 17:12

Lá está é como te digo a DPP afecta uma grande percentagem de mulheres, é difícil admitir isso numa sociedade em que a mãe é vista como quem alimenta, cuida, tratas e tal e tal...e a solidão?? 5 meses em casa a viver única e exclusivamente para um bebé...as rotinas, os horários o voltar à vida de casal.+

A nós mulheres é-nos quase exigido que sejamos fortes pelas nossas crias, mas nem sempre isso é possível...chamem-lhe hormonas ou o que quiserem não é fácil.

Hoje em dias sim, os pais já começam a aparecer como ajuda nesta tarefa mas, ainda vivemos numa sociedade completamente machista, o GRANDE bolo pertence às mulheres.
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De Olívia a 05.07.2016 às 15:56

bem, isto vai uma animação... não consegui ler os comentários todos... e cá vai a minha humilde contribuição: eu nasci para ser mãe, sei que sim. Foi a minha (nossa) opção e assim aconteceu. Fui mãe de duas ao mesmo tempo... uma de onze anos outra recém nascida. Precisei de levar um abanão grande para sair do esgotamento em que caí, precisei de um marido/companheiro ao meu lado, precisei de tratamento, sim, pensei que nunca seria mãe outra vez, não dá para dar palpites, quem já esteve nesse buraco sabe como é. Fiz o melhor que sabia e o melhor que podia, tive ajuda da minha mãe, tratei-me, sobrevivi, as minhas filhas são felizes, agora fui mãe novamente... aquilo teve por um fio, eu consegui não voltar a cair na depressão outra vez, luto contra ela todos os dias, como posso... ser mãe também é isto, lutar, continuar, não baixar os braços e ter um ombro forte para nos apoiar, sim, onde está o pai da menina?
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De M.J. a 05.07.2016 às 16:07

alguma vez nessa depressão, que ultrapassaste felizmente, achaste justo que te apelidassem de porcaria de mãe porque estavas doente?

é só porque passaste por isso. talvez possas dar um testemunho mais interessante e válido a uma das comentadoras acima.
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De sarabudja a 05.07.2016 às 16:16

Ninguém me perguntou nada, mas quantas vezes é que por se sentirem menos capazes, mais "porcarias" do que todas as "perfeitas" mães é que os primeiros sintomas ganham espaço numa recém-mãe? Há um conjunto de factores físicos, mas há uma frustração fruto de expectativas exageradas nossas e do mundo em relação à maternidade que podem desencadear pequenas labaredas que encontram solo para arder ou não, dependendo de cada um no seu todo.
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De M.J. a 05.07.2016 às 16:20

a questão é essa:

esta merda só acaba (desculpa o palavrão) quando as pessoas assumirem de uma vez por todas que não há mães perfeitas!
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De sarabudja a 05.07.2016 às 16:29

Primeiro, adorei esse pedido de desculpas pelo palavrão. Desde quando é que o Padre Joaquim faz atendimento ao balcão neste estabelecimento?
Segundo(s), não há cá perfeitinhos em nada. Nada! Podemos mascarar, filtrar, passar por cima dos defeitos e erros, mas estão lá.
Das coisas melhores que me aconteceram para não me arrastar tantas vezes pelo chão da vida, foi perceber a condição humana dos meus pais. Aquela coisa que te vendem dos pais heróis, das mães anjo fez, tantas vezes, que eu achasse que era muito má por encontrar coisas de que não gostava nos meus pais, e ainda assim gostar de ser a filha deles.
Saber-me imperfeita como mãe também foi uma descoberta dolorosa para um ego que se queria polido a palminhas e elogios. Melhoro umas coisas, parto-me toda noutras. Já avisei Sarabudjapetizes que isto não é um concurso de misses e a mãe nem sempre faz os melhores desfiles ou diz coisas comoventes.
Sou daqueles que faz um bolinho para eles, mas também me alapo no sofá e rezo muito para adormecerem mais cedo, de vez em quando. E outras verdades escabrosas que jamais admitirei neste tasco.
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De M.J. a 05.07.2016 às 16:32

estou um bocadinho afogueada e histérica com a troca de comentários e talvez seja por isso que pedi desculpa.
nem sempre consigo ser idiota. às vezes sou uma idiota chapada que ainda leva a peito gente que aponta os cinco dedos a doenças mentais.
fico sempre aos gritinhos, toda vermelha e a querer esbujardar tudo o que me vem à cabeça a esse tipo de comportamentos.
depois passa e percebo que estou a ser uma tremenda rídicula.
pronto. já bebi água, já passou.

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De sarabudja a 05.07.2016 às 16:38

Pronto, pronto. Vi o padre a passar na motoreta e ia para casa do Sr. Ramiro, por causa da apanha de qualquer coisa que cresce na terra e se come. Fico mais descansada por não teres empregados novos na tasca.
Olha lá, onde anda a história de eu ser mosca e saber transformar-me em pirilampa em alta definição? Pois que submeti candidatura para contar na escrita tal proeza e não se me aparece diante dos olhinhos de insecto esse meu afago de ego...
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De M.J. a 05.07.2016 às 16:41

mandei-te email por isso, logo depois de almoço.
no meio dos achincalhamentos (acho que não se escreve desta forma, mas ataquei a cerveja) que recebi por este post, apaguei-o junto com os outros, sem dar conta.
só percebi pela notificação do mail.
vais ter que o escrever outra vez.
isso ou garudá-lo para outra posta de pescada que sirva.
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De sarabudja a 05.07.2016 às 16:51

Servirá sempre que o motivo forem as altas definições e a criação de blogs. Por enquanto, sinto que a veia já não se me lateja.
Achincalhamento parece-me bem. Não sou dada à cevada e leveduras porque sofro com os gases, mas parece-me bem.
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De Olívia a 05.07.2016 às 17:12

Vês como tu sabes?
Não há mães perfeitas e esta geração quer-nos fazer acreditar que sim... um dia, se essa for a vossa opção, prepara-te. Sério, prepara-te bem. Com todas as armas que conheces, porque quando "ela" espreitar vão aparecer milhentas pessoas com milhentas teorias de a, b e c, e tu vais-te abaixo... mas se já souberes, lutas contra isso e ninguém nunca te vai chamar "porcaria de mãe", nem mesmo tu!
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De Olívia a 05.07.2016 às 17:07

Eu nem vou ler os comentários porque não tenho mesmo tempo, de todas as formas, nós sentimos que estamos a ser uma porcaria de mãe, de esposa e de dona de casa... chaparem-nos com isso na cara é maldade. Muita maldade.
É preciso sim que nos digam que vamos conseguir, que o amor pelos nossos filhos vai aparecer e crescer, que precisamos de acreditar em nós mesmas.
Hoje consegui ultrapassar aquilo porque também aprendi a relativizar as coisas, deixei de ser picuinhas com a casa e com pormenores e dediquei-me mais ao conjunto de toda a família. Sinceramente gostava de saber que a amiga da amiga tem realmente alguém COM ela, porque sozinha é difícil... e rodeada de pessoas que não compreendem o que é a depressão... é impossível!
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De sarabudja a 05.07.2016 às 16:09

Apesar da doença ser vivida por cada um e, por isso, à sua maneira, concordo em absoluto que o meio contribui muito para o que se vai passando. Isto é, os apoios do pai da criança, da família, a forma como lidam com as exigências inerentes a uma depressão, acompanhamento que dão à mãe enquanto mulher e mãe...

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