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isto é uma indignação com cocós

por M.J., em 28.08.19

é inevitável: só quando passamos por elas é que nos apercebemos delas.

ou só quem está no convento sabe o que lá vai dentro.

ou pimenta no cu dos outros é refresco. 

pois é.

 

nunca tinha pensado na necessidade que é de haver fraldários nos vários espaços públicos. na verdade, quando pensava era que a sua existência era espaço desperdiçado: eu era assim. falar em crianças e coisas de crianças causava-me urticária. não estava dentro do convento e não aprecio pimenta.

faz parte.

uma vez li uma bloguer - não faço a mínima ideia quem - a queixar-se de que numa estação de serviço não existia um fraldário na casa de banho masculina. achei aquilo uma queixa tonta. tanta coisa na vida para nos queixarmos e a senhora estava indgnada pela ausência de um sítio onde limpar cocó de uma criança? 

claro.

até que tive um bebé. e esse um precisa de ser mudado de vez em quando. vá-se lá entender: dá uso ao rabinho. que despaupério um bebé fazer cocó. sobretudo fora de casa.

mas faz.

farta-se de fazer.

e tal como o meu sono ficou levíssimo - acordo com o som de uma aranha na parede, se for preciso - também o meu olfato apurou desde que a criança nasceu. juro. sou capaz de cheirar cocós a quilómetros de distância. é como se material radioativo saísse das entranhas do miúdo e eu fosse um daqueles aparelhos que o deteta. pela minha saúde se não é assim. 

ah e tal, se ele faz em espaços públicos pode esperar um bocado para ser mudado quando chegar a casa.

era o esperavas.

temos um nojentinho como bebé. à primeira cagadela (perdoai a linguagem mas é o que é) a criança berra, reclama, grita, um ai jesus. e depois o cheiro, meus senhores, incomoda. alguém quer estar a enfardar leitão com cheiro a cocó ao lado? ou fazer uma viagem de horas com perfume a caca no carro? pois claro que não. e ainda que quisesse: a pobre da criança tem mesmo de estar toda suja? com risco de assar? por acaso nós adultos andamos borrados por aí? (os que andam que tenham vergonha). 

por isso sim, temos que o mudar quando é preciso. 

e é aqui que a porca - ou porco - torce o rabo (perfeitamente propositado, dado o tema): há uma grave falha no que toca a fraldários nos espaços públicos:

1. ou simplesmente não existem;

2. ou existem só na casa de banho das mulheres.

e isso chateia-me sobremaneira. porque só estarem na casa de banho das mulheres é tão grave como não estarem de todo.

bem: juro que já deixei de tentar perceber quem acha que os bebés têm mais ligação com as mães do que com os pais. na verdade, não tenho a mínima paciência para mães que se queixam que os pais das crianças não as ajudam (ajudar como? é uma tarefa conjunta, não é um que faz e outro que ajuda) mas depois não deixam que eles façam seja o que for (deixa que eu faço, está tudo mal feito, não tens jeito nenhum) e pior, ficam muito orgulhosas quando os miúdos só as querem a elas (mas depois acham estranho estarem tão cansadas). enfim. cada um com as suas e isso é com elas. pouco se me dá.

agora o que me chateia é que a sociedade ache que tem de ser assim em todas as dinâmicas familiares. e que impinja que mudar o cocó do miúdo em espaços públicos tenha de caber 90% das vezes a mim porque, simplesmente, não há fraldários em espaços comuns ou no wc dos homens.

porquê? hã? porquê?

quer dizer que o meu marido se for sozinho passear com o miúdo tem de entrar na casa de banho das senhoras para mudar a criança? não vem daí mal ao mundo mas entendo o constrangimento.

quer dizer que o meu marido, enquanto pai, não pode ir sozinho jantar com o meu filho?

parece que, segundo a lógica de quem faz a coisa, das duas uma:

1. os bebés só cagam com as mães;

2. os pais nunca vão sozinhos com bebés de fraldas a lado nenhum;

3. esta coisa de haver casas de banho para mulheres e para homens desaparece quando há crianças e vai tudo à das mulheres.

 

e depois, como se isto já não bastasse, a maior parte dos fraldários são uma espécie de tampo que se puxa da parede, no meio do corredor das casas de banho, ficando um pessoa ali a empancar o trânsito para todas as mulheres que precisam de passar.

e é um ver se te avias onde pões o saco com a tralha do miúdo, a tua mala com as tuas coisas, as toalhitas, a fralda limpa, a fralda suja, o creme, etc e tal.

é uma tarefa chata que exige - sobretudo quando a criança decide explorar com as mãos tudo o que encontra, incluindo o rabo sujo - a presença de dois adultos para ser mais rápida e eficaz. mas que não pode ser porque só há fraldário - ou tampo branco - na casa de banho das senhoras. 

porquê? se foi por política de espaço então porquê nas senhoras? os papás têm mãos cortadas? têm tanta caapcidade de segurar a pila para fazer xixi mas depois não conseguem segurar a pila dos filhos para os limpar? a sério?

 

juro que isto é motivo para uma petição. 

se as crianças hoje em dia nas escolas podem ir ao wc com que se identificam mais, era bom que os bebés pudessem ser mudados nos wcs onde os pais se identificam mais, não?

é um assunto de merda, bem sei, mas só quem está no convento sabe o que lá vai dentro.

e no convento, meus senhores, também se caga.

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publicado às 13:33


11 comentários

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De Ana a 28.08.2019 às 13:47

Concordo em absoluto
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De M.J. a 02.09.2019 às 10:36

vamos fazer uma petição?
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De Maria Araújo a 28.08.2019 às 13:50

100% contigo.
Desde que passei a cuidar do meu sobrinho neto, verifico isso.
Há uma loja onde existe um fraldário no WC masculino, e sabes qual é.
Beijinhos
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De M.J. a 02.09.2019 às 10:36

por acaso não sei... o ikea, talvez?
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De imsilva a 28.08.2019 às 15:46

Conheço um restaurante que resolveu bem o problema, tem uma casa de banho para crianças, com fraldário incluído. Às tantas andam os pais à procura dos filhos e eles na sua casa de banho a inventar, agora é chichi, agora é cócó, ou é lavar as mãos...
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De M.J. a 02.09.2019 às 10:38

isso parece-me bem pensado. eu já nem peço tanto. já só queria que o tampo que chamam de fraldário fosse ou nas duas casas de banho (masculina e feminina) ou numa onde fossem os dois (destinadas a pessoas com deficiência, por exemplo). mas nem isso.
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De Alguém a 28.08.2019 às 17:20

Eu ainda não tenho filhos, mas o meu companheiro o que diz é, se eu sair com os nossos filhos e tiver de entrar na casa de banho das mulheres para trocar a fralda que entra, (e é bem capaz de o fazer, já o vi fazer isso só porque a dos homens estava toda suja), mas no outro dia fui ao centro comercial do Montijo e goste do que vi, wc só para crianças em que lá estava o fraldario, e outro das mulheres sem fraldario e claro o dos homens
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De M.J. a 02.09.2019 às 10:39

eu também não vejo grande mal em o homem entrar na casa de banho das senhoras para mudar a criança. mas entendo que ele se sinta constrangido. e também entendo que as senhoras que lá estejam sintam o mesmo.
mas se tiver de ser, não é? que remédio.
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De M. a 01.09.2019 às 21:18

Por acaso aqui por Lisboa tenho reparado precisamente no contrário: encontro fraldários em todo o lado (e cadeiras de papa em todos os restaurantes/hotéis também), na maioria das vezes até na casa de banho destinada a deficientes, por isso pode ser usada tanto pela mãe como pelo pai (ou até por ambos ao mesmo tempo, o que torna a tarefa mais rápida e fácil). Também já mudámos muita fralda no carro e no carrinho da nossa filha, tem sido fácil :)
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De M.J. a 02.09.2019 às 10:40

lá está: tudo começa na capital do império :)
na provincia ainda não somos afortunados a esse nível :D

eu confesso que uso o carrinho para mudar fraldas com xixi. mas quando em causa estão presentes mais mal cheirosos não é boa ideia que ele mexe-se como se tivesse pulgas e os acidentes podem ser demasiado castanhos. :D

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