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tem nada.

M.J. só bufa, pragueja e maldiz esta praga deste calor enquanto limpa o suor a um pano esquecido.

 

publicado às 09:32


3 comentários

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De sarabudja a 28.06.2016 às 10:18

Sabes que a Lourença, filha do Sr. Teotónio e da D. Teresinha, uma vez também andava apoquentada com o calor.
Aqui, onde a gente mora, entre as serras e o mar, tem dias em que o calor faz crescer os cabelos aos sapos e dentes nas costas das minhocas. (uma vez veio cá um cientista especialista doutor em coisas estrambólicas, que disse ao Presidente da Junta, que também é o Presidente da Associação do Rancho e Presidente da Direcção do Grupo dos Matraquilhos e defensor das causas todas da terra, que isto devia ser resultado de uma experiência que o Julinho fez enquanto estava de férias da universidade).
Adiante.
Estava um calor daqueles muito quentes. A Lourença era moça para uns 15 ou 16 anos. Pediu à mãe para a deixar vestir uma batinha mais fresca e descalçar o soquete. D. Teresinha não acedeu aos lamentos da gaiata. Lourença fingiu um amuo, depois soltou uns gritinhos. D. Teresa manteve-se espartana na decisão até porque esta traduzia o seu pensar.
Lourença acabou os seus afazeres depois do almoço e sentiu um calor, que lhe pareceu insuportável, nos delicados pés, de menina de boas famílias, em que tudo cresce nas devidas e frágeis proporções, até mesmo os cabelos jamais se rebelam contra a boa aparência.
Onde eu queria chegar, Lourença transpirava e lacrimejava, condenada a sofrer o flagelo do sol destapado em céu ausente de nuvens e de ventos que haviam pedido transferência para as praias, onde inquietavam muito mais gente, com certeza. O rostinho lindo coberto de água, o suor que se fundia com as lágrimas e apanha o primeiro trapinho que se lhe chegou às mãos, visto que a vistinha padecia com tanto cloreto de sódio que de lá saía e caía em catarata da suada testa. Vai que se tenta aliviar daquele jorrar de h2o abundante, mais o cloreto, mais uns quantos elementos da tabela periódica tão bem escritos e descritos pelo Dr. Rómulo de Carvalho, com o paninho e mesmo antes de sentir o cheiro intenso que dele emanava, passou-o por toda a face.
Um drama, um verdadeiro drama se deu naquele quarto: Lourencinha passou o paninho do pó, pejado de óleo de cedro naquela carinha desenhada a régua e compasso por anjos arquitectos e docemente decorada por dois olhos de azeitona e uma boca de cereja em ano quente.
Já foi convidada para vários circos e outras festas e romaria, a Lourença do Teotónio. Poderia viver da sua condição de Menina com Carinha de Cera.
D. Teresa, desde então, mudou o seu pensar e faz as vontadinhas à menina, que se tornou mulher e é frequentadora da Associação do Rancho. É vê-la agora calçar sandália e batinhas de seda selvagem, não vá o calor assomar-lhe as carnes os os membros e ela ter necessidade de se socorrer de paninho impregnado de substância que lhe retire aquele brilho.
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De M.J. a 28.06.2016 às 10:22

"Vai que se tenta aliviar daquele jorrar de h2o abundante, mais o cloreto, mais uns quantos elementos da tabela periódica tão bem escritos e descritos pelo Dr. Rómulo de Carvalho, com o paninho e mesmo antes de sentir o cheiro intenso que dele emanava, passou-o por toda a face. Um drama, um verdadeiro drama se deu naquele quarto: Lourencinha passou o paninho do pó, pejado de óleo de cedro naquela carinha desenhada a régua e compasso por anjos arquitectos e docemente decorada por dois olhos de azeitona e uma boca de cereja em ano quente."


AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHA
TÃO BOM!
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De sarabudja a 28.06.2016 às 10:28

Acho que o fim de junho, principio de julho costuma trazer historietas cá da terra à lembrança e à escrevança.

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e agora dá aqui uma olhada