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medos

por M.J., em 06.04.16

há uns tempos uma amiga minha, de quem gosto muito, doutorada e a dar aulas numa faculdade que não interessa, teve um relacionamento com um fulano. nada de extraordinário. nem sequer o facto de o moçoilo ter o nono ano e trabalhar num talho. sinceramente, sem qualquer sarcasmo, eu nem sabia da profissão do rapaz, assunto que nunca veio à baila de todas as vezes que tomamos café. era giro que se fartava, agradável à vista, interessante no falar e com um sentido de humor extraordinário. um dia descobri-o a cortar bifanas num supermercado e desatamos os dois a rir. 

na verdade, parece que assinalar o facto demonstra exactamente o contrário do que quero dizer mas é que se torna importante para o desenrolar da história.

a relação prolongou-se. davam-se bem, entendiam-se às mil maravilhas e nunca a diferença de habilitações literárias veio como assunto dar cabo do que existia. até que semanas depois, a minha amiga, num café nocturno em que bebemos um pouquito mais do que o costume, confidenciou-me com voz embargada da comoção (e do álcool) que estava a pensar terminar aquilo tudo.

- ora essa, porquê? perguntei, numa indignação de semi-embriagada, bramindo o copo no ar. ora ali estava uma incompreensão. um rapaz tão giro, tão interessante, tão sem a mania do costume, tão despretensioso, tão bem-humorado e ela assim, a pensar deixá-lo!

- é que... - a voz dela cada vez mais sumida, ar de vergonha indignada - é que, bem, estávamos a falar de feriados e ele disse, sem estar a gozar, que o vinte e cinco de abril foi quando mandamos os espanhóis embora! e isso, acredites ou não, aleija-me o coração. 

acabaram pouco depois apesar de não voltarmos a tocar no motivo da rutura. 

 

e eu tenho um medo terrível que nas nossas diferenças, eu toda letras, livros e leis, ele todo números, engenharias e códigos nos desencontremos um dia destes, num futuro qualquer, e nos aleije o coração as ausências de conhecimento de cada um nas áreas que abundam no outro.

e queira-se ou não queira já vi divórcios por menos!

oh vai ver ali:

publicado às 13:53


7 comentários

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De Just_Smile a 06.04.2016 às 14:14

Ai... sempre Ele disse que as Pirâmides do Louvre (ainda antes de irmos a Paris) que apareceram na televisão eram aquelas que apareciam no Código Da Vinci sem saber onde era e ao que pertencia...
Sabes? Às vezes penso nisso, eu tudo letras e saúde, ele tudo engenharia e números. Em gostos somos muito diferentes e tenho receio que toda essa diferença um dia se venha a refletir na relação... Mas sabes? Não vale a pena 'sofrer' por antecipação, pode ser que esse dia nunca chegue e que continuem a construir em conjunto muitas outras coisas que dêem base e sustento àquilo que têm juntos :)

(Arre que revi-me nos teus pensamentos!)
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De marrocoseodestino a 06.04.2016 às 14:17

Tu ganha juízo!
Letras e números? Perfeito!
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De Vitória a 06.04.2016 às 14:18

As diferenças completam uma relação
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De Mula a 06.04.2016 às 14:31

Acho que se fossemos todos iguais então é que não resultaria mesmo... Partilhar a vida com alguém que concorda com tudo o que dizemos imagino que deva ser uma grande seca.

Olha... eu sou toda letras e educação, ele todo números e economias... eu adoro praia e mar... ele prefere a cidade e odeia estar estendido ao sol. Eu toda preguiça, sofá e tv, ele todo genica que adora andar, andar, andar até o sol nascer. Eu toda sorrisos, ele todo má disposição. Encontramo-nos - valha-nos isso - nos gostos musicais, no gosto por viajar, no ódio pela espécie humana... São mais as diferenças que as semelhanças, mas a verdade é que até agora, tem resultado bem, e não vejo motivos para deixar de resultar....
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De Olívia a 06.04.2016 às 14:53

é certo que as pessoas se separam por menos, agora imagina que numa conversa sobre o tema "eng. e números" tu mandas uma resposta capaz de envergonhar o rapaz... ele deixava-te? E se fosse ao contrário? Deixavas o rapaz por causa de coisas de letras e papeladas? Ou riam os dois do sucedido?
Acho que é aí que está o meu segredo... eu com curso de contabilidade e fiscalidade e o meu marido com o 9º ano, pedreiro a remodelar apartamentos...
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De José da Xã a 06.04.2016 às 16:53

Ao fim de 30 anos de casado posso dizer uma coisa?
O que interessa numa relação não são as qualidades... mas os defeitos!
É aqui que as coisas se estragam. Deves perceber quais os defeitos da outra parte e se consegues conviver com eles.
E ele a mesma coisa...
Percebes o que quero dizer?
E o que custa são os primeiros 25 anos...eheheheheheh!
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De Me a 06.04.2016 às 17:43

Olha, como dizia a outra (não me lembro, uma merda qq do Herman), a menina quer levar um estalo!!???
Tá parva?? Mas qual desencontro qual carapuça.

As coisas podem sp correr mal. Isso é um ponto assente. É tipo a lógica do, para morrer basta estares viva. :D

Podem correr mal em 3 meses ou ao fim de 30 anos. Com pessoas iguais ou opostas. Do mesmo sexo ou de sexos diferentes. Da mesma idade ou com 20 anos a separa-los...and so on.

Eu tenho um gajo de letras em casa, de leis mais propriamente. Eu sou de números (embora n de engenharia), já lá vão 15 anos.

Além disso, creio que ser de nr não é bem a mm coisa que dizer q no 25 de abril corremos com os espanhóis...

Ali, quer gostemos ou não, havia um fosso cultural. Não é liquido que ele exista apenas pela falta de escolaridade. Conheço mtos meninos na faculdade que...upa upa. Mas por acaso considero q esse é mm um fosso mta complicado de transpor.

(Pá, desculpa lá o testamento) ;)

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