Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




não percebo

por M.J., em 01.07.16

quando alguém afirma que adora ser gay fá-lo por que motivo?

pelo desafio das sua afirmação?

ou porque, sabendo que essa é uma parte de si, se torna a parte mais importante, a pontos de ser imprescindível assumir ao mundo que é a parte que mais se gosta?

gostamos de nós pelas nossas orientações ou pelo conjunto?

gostamos de ser hetero ou gays porque isso faz parte do que somos ou simplesmente gostamos do que somos porque também somos hetero ou gays?

assumir que adoramos ser qualquer coisa, apenas porque não podemos, na maior parte das vezes, optar por essa coisa (adoro ser baixo. adoro ser negro. adoro ter nascido com um problema de saúde que me obriga a ser gordo. adoro ter o nariz torto. adoro ser loira. adoro ser inteligente. adoro ser manca. adoro ter mamas grandes) transforma-nos apenas nessa característica? ou é só aquele desabafo de que, assumindo o que sou gosto assim de mim? mas somos só essa característica? não somos um conjunto tão grande, onde ela se insere, que nos transforma em nós?

posto isto: porque raio de motivo temos necessidade de assumir que adoramos ser apenas um pequeno pedaço do que somos? 

é aquele que mais nos orgulhamos?

ou é o nosso ego a dizer-nos que não tem mal sermos assim?

mas se somos assim porque motivo haveria de ter mal?

publicado às 14:00


17 comentários

Sem imagem de perfil

De sarabudja a 01.07.2016 às 14:22

Talvez porque vivemos a dizer disparates e a não devido valor e peso às palavras, saem coisas como essa, e os que nos ouvem ou quando ouvimos os outros, tendemos a achar esses orgulhos verdadeiras afirmações de consciência e de sei lá eu o quê com o que se é.

Vamos inverter as coisas. Vamos imaginar que eu afirmo: sou hetero e adoro.
Tenho exactamente os mesmos direitos e deveres de expressão que o meu amigo homossexual, mas se o disser, serei catalogada de leviana, homofóbica e mimimimi.
Eu afirmo: sou preta e adoro. E todos acham que é positivo.
Eu afirmo: sou branca e adoro. E haverá quem me chame de racista, nazi ou outra etiqueta que nada tem que ver com o que sou ou penso.
Se disser: sou gorda e adoro. Pertenço aos bem resolvidos e bem dispostos.
Sou magra e adoro. Estou a ofender os gordos, é a apologia à anorexia, ninguém tem culpa de ser gordo e mimimimi.

Vivemos num mundo onde todos são invejados, mas ninguém admite ter inveja. Afinal, quem pode ser invejado se não houver inveja.
As pessoas não se dão conta de que somos assim-assim.
Sabes, eu sou muito totó e não sei maquilhar-me. Chego a ser parola. Sempre que tento alterar e refinar, o lado simplório acaba por ganhar. Eu não adoro ser assim. Muitas vezes, tento ser de outra maneira, mas convivo melhor do que há uns anos.
Da mesma forma, sei que sou muito engraçada às vezes e naturalmente. Também não me sinto especialmente apaixonada por esta característica, mas da-me muito jeito.

Tendemos a ser, cada vez mais, uns bacocos que se consolam com características e marcas de nascença. Fazem disso bandeira.
Sem imagem de perfil

De sarabudja a 01.07.2016 às 14:38

*... e a não dar o devido
Sem imagem de perfil

De OKaede a 01.07.2016 às 15:46

(Não leias a minha resposta com um tom agressivo, só estou a dispor o que penso. gostava depois de uma resposta).

Uma que convictamente eu não percebo:
(1) Não estás a dar um uso leviano às palavras com os teus próprios exemplos? Existe uma linha muito ténue entre essas características e marcas de nascença que referes e as características e marcas de nascença que há pouco tempo eram desculpas para remover direitos a muita gente?
É verdade que as características/ marcas de nascença dão jeito para andar a mexer com aqueles problemas filosóficos da identidade.
Mas penso que há certas características modificáveis ou não modificáveis em que podíamos ser mais sérios e não empacotar tudo na mesma caixinha de "qualidades da pessoa" que determinam uma identidade..
Há afirmações que foram necessárias porque há comportamentos sociais que corromperam os direitos de determinados indivíduos.


(2) Neste segundo ponto acabo por concordar contigo, em relação ao ser assim-assim, mas apenas em parte, e só queria realçar algo que constantemente deparo-me:

Este tipo de pensamento:
" Vamos imaginar que eu afirmo: sou hetero e adoro. Tenho exactamente os mesmos direitos e deveres de expressão que o meu amigo homossexual, mas se o disser, serei catalogada de leviana, homofóbica e mimimimi."
-Está exactamente em voga na internet. Porque já ouvi:
"Sou homem branco e adoro. As pessoas respondem que sou machista e afins.", como um argumento é, de facto, falacioso. (quando se fala de feminismo)
Não é preciso ter sempre os dois lados da moeda quando falamos destas características.
Realmente não percebo o porquê disto: o outro lado da moeda, quando está cheio de ouvir sobre o assunto, tem que usar a sua parte para se exprimir de forma irónica e andar ao ataque contra o que moralmente aceita. É algo tão estúpido como aqueles LGBT (só para dar o reverso da moeda) querem promover a heterofobia -.- ou algo do género.


Sem imagem de perfil

De OKaede a 01.07.2016 às 14:38

É isto " somos um conjunto tão grande, onde ela se insere, que nos transforma em nós".
-Mas houve um ponto na história que ser mulher era ser muito menos. Até que algumas mulheres tiveram que andar na praça pública a demonstrar o seu orgulho.
-Mas houve um ponto na história que ser negro era ser muito menos. Até que alguns negros tiveram que andar na praça pública a demonstrar o seu orgulho.
-Mas houve um ponto na história que ser gay/lésbica bissexual assexual /transexual é/era ser muito menos. Até que alguns que se inserem tiveram/tem que andar na praça pública a demonstrar o seu orgulho.

Temos que perceber que no mundo ainda há reinos medievais, e não é tudo bonito como o nosso cantinho português. E que no cantinho português também existem pessoas que não utilizam o cérebro da mesma forma que nós o usamos.

Há pessoas que afirmam que adoram tal traço específico porque ainda existem famílias, amigos que cortam laços, que ameaçam de morte e exprimem violência física e psicológica. Existem países, mesmo desenvolvidos, que ser LGBT é desculpa para ser despedido ou completamente destruir a tua carreira profissional ( e isto é o menos)
No passado achava que os exageros das prides parades e atitudes muito femininas/ muito masculinas prejudicavam a comunidade LGBT . Contudo, no presente, acredito que é o contrário, que essas atitudes podem ser utilizadas para normalizar.
Para ti, é algo normal, para muita gente não é.
A mudança de mentalidades a respeito da orientação sexual é algo deste século, como no século passado também o foram a luta das mulheres e a luta dos negros. Este paradigma vai continuar até que essa gente mude.

Respondendo à tua pergunta inicial:
-Um gay (lésbica/transexual...) fá-lo porque, colectivamente, está a ajudar à normalização do assunto, que devido aos contextos histórico, social e cultural, sempre foi considerado um assunto infame.
-Um gay (lésbica/transexual...) fá-lo porque, individualmente, visto que ao longo de anos encontrou-se "aprisionado" e porque provavelmente (bem vistas as coisas), andou a reprimir uma parte emotiva, que tende a piorar ao longo dos anos.

Ao resto das tuas perguntas não consigo responder, porque não tenho validade para isso.

P.S: Espero não estar a dar um comentário incoerente ou estranho sobre o assunto.
Sem imagem de perfil

De sarabudja a 01.07.2016 às 14:44

E "adora ser assim" ou "convive bem com esta característica"?
Sou hetero e adoro. Porquê? Para mim, tanto se me dá (neste contexto, esta expressão é estranha :) )como se me deu. Não sei ser de outra maneira. É-me tão natural que não lhe ligo nada. Não há forma de a mudar...
Sem imagem de perfil

De OKaede a 01.07.2016 às 15:59

Acabei de ler o teu comentário agora :) Não sei se a pergunta é aberta ou diretamente para mim (peço desculpa pela burrice), mas eu tentei responder ao post de forma generalista. Portanto, respondendo à pergunta: qualquer característica no meu comentário não reflete o que eu sou, apenas o que apoio (sei lá, provavelmente assexual). Um pouco contraditório do que eu defendi, mas eu não gosto de andar com "marcas" na testa para me identificar, mas respeito e apoio aqueles que o fazem e afirmam para promoverem a normalização. Talvez o que eu esteja a dizer é que também não ligo nada a "marcas" e é algo natural como referiste

P.S: com este teu pequeno comentário admito que vou parar para pensar mais um bocadinho sobre o assunto :)
Imagem de perfil

De Maria Alfacinha a 01.07.2016 às 15:04

Excelente comentário. Digo eu, claro :-)
Imagem de perfil

De M.J. a 01.07.2016 às 15:06

temos aqui dois pontos de vista absolutamente excelentes, em dois excelentes comentários.
e o melhor é que ambos acabam por ter a tónica no que realmente interessa: cada é uma como é.

confesso que, apesar de tender a concordar com os dois, tenho mais aptência para o primeiro.
Sem imagem de perfil

De sarabudja a 01.07.2016 às 17:21

Já li, mas não prestei a atenção que me merece. Prometo cá voltar e responder, quanto mais não seja, pela cordialidade como me abordas.
Sem imagem de perfil

De PR a 01.07.2016 às 20:05

Não são excelentes os comentários. São exibicionistas. São narcisistas. Não valem nada. Não adiantam nada. São insufláveis e incham apenas o ego de quem os fez. São bons para passar uma noitada entre amigos, logo a seguir a sessão de cinema. Sai sempre a treta do costume:
- Tenho todo direito de esmiuçar ou dissecar, concordando ou discordando, aceitando ou condenando, a sexualidade dos outros, porque o faço de forma a atirar para o erudito, como meia dúzia de frases lapidadas e todas giraças. Não sou homofóbico, sou culto e penso muito. Não falo da vontade instintiva que sempre senti de ser violado numa esquina por um desconhecido badalhoco porque isso só a mim me diz respeito, ora o caralho.
“Ter todo o direito” é uma treta que já conhecemos, uma treta linda que tem dado os resultados que estão à vista.
Soa a homofobia tapadinha com a capa do intelectualóide.
Não existe esse direito. Não existe o direito de debater as panaleirices como se fossem “objecto” capaz de ser colocado na mesa de observações, preso por alfinetes e cortado às postas em nome da ciência e da compreensão entre os povos.
Atrevem-se a discutir o que não conhecem, o que não sentem, o que não os move, o que não comem, o que não olham, o que não lhes diz respeito, o que não fodem. Estão tão longe desta “coisa dos homossexuais” como eu de entender o latir dos bichos.
Quando tu não sentires que tens de fazer este post, quando não houver gente que se debruça sobre a “problemática das paneleirices” discursando estas merdas balofas e muito trituradas, coadas por palavras enfeitadas, então estamos todos entendidos e desaparecem as paradas.
E se estivessem calados, hum?
Agora vou-me embora. Desculpa qualquer coisinha.
Sem imagem de perfil

De sarabudja a 04.07.2016 às 09:31

A PR - Cá pela terra, costumamos entregar a "bicicleta" ou a "taça", a quem chega com palavras cortantes, manda uma série de bujardas ao ar e se passeia com a coroa de "rei da razão". Pois que assim seja. Fique lá com a taça, a bicicleta e até com a razão.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 04.07.2016 às 11:46

Comentário apagado.
Sem imagem de perfil

De sarabudja a 04.07.2016 às 12:49

Apesar de adorar os excessos do calor, não se me apraz derreter-me em mil explicações. Com tanto o que foi escrito, "bujardas" foi a única coisa que ocorreu questionar?
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 04.07.2016 às 13:04

Comentário apagado.
Imagem de perfil

De M.J. a 04.07.2016 às 13:14

minhas queridas:

as perguntas retóricas deste post são já de sexta e hoje é segunda:
podemos debater não o que servi antes do fim de semana mas os petiscos frescos de hoje?

http://lya.chris.blog.uol.com.br/images/Puss.jpg
Sem imagem de perfil

De Cristina a 04.07.2016 às 14:53

o gatinho é lindo, MJ. a boa vontade também. :-)
Sem imagem de perfil

De sarabudja a 04.07.2016 às 14:06

Não fizesse eu o tratamento direitinho e imaginaria que, de repente, ou não, lateja uma comichão com meu nome.
Coroamo-nos todos em diferentes circunstâncias. Há sempre espaço para cabeas coroadas a papelão. Resta-me a consciência de que fui bem menos bélica do que o antecedeu e bem menos viperina do que o que sucedeu.
As sintonias e as melodias podem fazer-me descompassar vocábulos duros, mas raramente atiro a primeira pedra. E se a atiro, não escondo a mão por trás de asas de querubinzeco.
Tivesse tido eu uma formação mais abnegada e saberia dar a outra face, assim basto-me com etiquetas e adjectivos atirados em janela alheia em jeito de defesa de ideias. Valha-me serem simples e de sentido único, sem pouco espaço para desvios de sentido.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 04.07.2016 às 18:23

Comentário apagado.
Sem imagem de perfil

De sarabudja a 05.07.2016 às 09:58

Havia prometido não alimentar este seu desamor (é que se me desgasta ao nível da mandíbula), todavia, e dado que sou senhora para não gostar nada de publicidade enganosa e, desde ontem, que tenho a caixa de mensagens cheia, resolvi, pois, não tirar nadinha do que foi escrito por si, num momento de discernimento, mas soprar mais termos e sentenças naquilo que poderá, perfeitamente, vir a ser o meu epitáfio.
Por tudo isto quero dizer que acredito que seja funcionária do Registo Civil, do Tribunal Civil ou até mesmo, das Secretas. Assim penso porque conseguiu descrever-me com alguma exactidão. Ou será que Maya, é a menina (?) que resolveu deixar as cartas e vai de ler nos comentários em blogs?!!! Todo um acompanhamento das novas tecnologias, hein?!
Porém, e embora fique muito feliz porque não seja de leitura fácil, devo acrescentar que nem sempre cheiro bem dos pés.
Pronto, agora sim, posso ir palitar os dentes depois do bilharaco de bacalhau.
Sem imagem de perfil

De Cristina a 02.07.2016 às 17:00

e só para dizer que ainda não tinha falado. aqui. neste post.

Comentar post



foto do autor



e agora dá aqui uma olhada