Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




nunca mais é janeiro?

por M.J., em 03.09.18

que a gravidez pode ser um estado de graça para muita gente... não há dúvidas.

se perderem vinte minutos a consultar instagrams da moda de gente prenhe, blogs e afins, vão ver sempre grávidas muito luzidias e radiosas, a comer morangos (é que ninguém parece ter problemas com a toxoplasmose a não ser eu, caramba), com roupas muito bonitas que fazem com que a barriga não pareça um pequeno pipo e as ancas estejam em plena proporção ao corpo.

pronto.

 

se a vida nunca foi um presente de natal para mim, não havia motivo para ser diferente neste estado.

estou de 6 meses.

os primeiros três foram um pequeno pesadelo, uma desgraça em 3 atos: cama, enjoos, incapacidade de me manter de pé, vertigens, total apatia e impossibilidade de fazer outra coisa que não fosse morrer aos poucos.

não foi bonito.

passar dias e dias numa cama, a ver as horas arrastarem-se, enquanto se pondera em mortes menos dolorosas não se compadece com anúncios glamorosos de gravidez, histerismo acrescido pela boa nova ou avisar todos os familiares e amigos que, se tudo correr bem, se vai pôr mais um ser humano neste mundo triste. 

foi isso. 

já os três meses seguintes não foram tão maus.

arrisco-me mesmo a dizer que seriam normais, na continuidade da minha vida de antes, se não houvessem estas putas (sim, estou grávida, é permitido dizer palavrões outra vez) das hormonas.

meus senhores, a sério, há hormonas e hormonas e as minhas são de um raça da merda.

de repente transformei-me numa espécie de menina sensível que é capaz de chorar porque alguém matou uma formiga sem querer.

oh a dor.

o puto demorou cinco minutos a mexer-se? chora!

o rapaz não atendeu o telefone porque estava ocupado? chora de preocupação!

acordaste a pensar na mamã e tens uma onda de saudades inexplicável? chora como se o mundo estivesse a ser dominado pelos nazis outra vez (em boa verdade...).

chora, ri, chora e ri. lindo serviço, coisa mais com graça do estado das coisas.

 

pronto. na verdade, até mesmo a isso uma pessoa se pode habituar, sobretudo se para compensar for comprar uns babygrows com ursos e coelhos para o puto e se perder a ver calças de ganga para recém-nascidos.

habituo-me a tudo, podia ser o lema, menos ao filho de mil pulgas sifilíticas do calor. 

 

meus senhores: maldito calor, verão, sol, raios ultra violetas, transpiração e merdas do género.

ODEIO calor.

ODIAVA calor.

mas ultimamente esta merda deste tempo tem-me desgraçado a coisa a pontos de não conseguir controlar a minha própria temperatura. a pontos de quase desmaiar, sentir vertigens, ver tudo turvo e ter de beber mais água do que uma pessoa fitness a mostrar-se no instagram (#nopainnogain). 

 

juro. é uma consumição sem fim.

como se me colocassem dentro de uma gaiola ao sol, ainda que esteja à sombra, e me deixassem ali a secar. o corpo desregula-se, acha-se no deserto do saara e toca a transpirar, braços, pernas, cabeça, sobrancelhas, pés, orelhas e todo o pedaço de pele. 

sexy, não é? altamente bonito!

 

o calor é tanto - juro, juradinho - a transpiração também que, em poucos minutos, vêm os sintomas de desidratação e vai aqui da moça se encharcar em água: água pó bucho, água pó estômago, água pá cabeça. água. enfarda água. depois corre para a casa de banho largar a água.

mas isto tem algum jeito?

mais - e a pergunta que se impõe nas verdadeiras necessidades de uma gravida deste tempo:

que raio de fotografia posso tirar a isto para pôr no instagram a anunciar o meu estado de transpiragraça? (viram o trocadilho? culpa das hormonas).

 

estou fartinha, fartissima, fartirrima.

e se alguma (ou algum, que isto nestas coisas hoje em dia nunca se sabe) está a pensar emprenhar... façam bem as contas de modos a que os seis meses vos apanhem ali por novembro:

é que poupam no aquecimento (qual aquecedor? basta ficarem no meio de uma sala que aquecem a casa toda):

poupam na roupa (neve? é só vestir uma t-shirt);

poupam na água (à quantidade que tenho bebido posso bem ser considerada culpada de um pouco da seca extrema dos próximos anos).

 

não se aguenta. 

nunca mais é janeiro?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:29


3 comentários

Imagem de perfil

De A rapariga do autocarro a 03.09.2018 às 14:41

Prontos, vou meter nojo, sim, sou das que vivi o verdadeiro estado de graça, mesmo parecendo uma orca assassina, tudo o que via queria comer, mas achas que eu me via gorda??? Qual quê, vivia feliz e contente, hoje vejo as fotos e pergunto-me, mas quem é esta lontra, com as bochechas do esquilo que acabou de roubar 2 dúzias de nozes!!! Foram assim as minhas 38 semanas!! Comer e rebolar!!!
Imagem de perfil

De Anita a 03.09.2018 às 15:20

Eu grávida também sentia muito calor, mesmo em janeiro!!!
Vá... pensamento positivo... tudo compensará quando vires o teu menino.
Beijinhos
Imagem de perfil

De amarquesademarvila a 04.09.2018 às 15:46

Já eu adoro calor... mas se te serve de consolo (claro que eu sei que não serve nada, mas é uma forma de eu vir aqui botar discurso de forma educada ), eu estive grávida... espera, super-mega-grávida (a aspirante nasceu no início de Novembro), no famoso Verão de 2003. Aquele que foi o mais quente dos últimos 80 anos... aquele em que houve malta a ir dormir para o quintal, varandas e afins... foi péssimo... mas comigo não poderia ter sido de outra forma! Se tivesse passado pela gravidez no Inverno, com certeza seria o mais chuvoso dos últimos 400 anos para eu poder ir a boiar pelas ruas de Lisboa!

Comentar post



foto do autor