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regresso à creche

por M.J., em 07.10.19

depois de praticamente uma semana e meia em casa o miúdo voltou à creche hoje.

por mim não ia mais.

não que a culpa tenha sido da creche, em si, mas o miúdo nunca teve a mais leve doença até aos nove meses. assim que entrou na creche foram 15 dias de febre, com quatro deles a chegar aos 39.8, em períodos de 5 em 5 horas.

já senti pânico na vida mas nunca na dimensão daquele em que ele começava a tremer no aviso da febre. 

o diagnóstico foi comum, segundo o pediatra: adenovírus respiratório.

sa foda se é comum.

pôs a minha criança com otite, amigdalite e conjuntivite.

esteve a uma fresta de ser internado (só não foi porque, contrariamente à maioria dos miúdos, com febre fica ainda mais elétrico que o normal e a impressão clínica era boa), tiraram-lhe sangue daquela mãozita gorducha, tendo agora duas marcas ainda negras para mostrar ao mundo. 

lindo serviço.

por isso, por mim não ia mais à creche e a discussão foi séria ontem. só não rolaram pratos no meu histerismo porque ele estava a dormir. e porque até gosto dos pratos. pronto. 

o pai quer que ele vá. tanto quer que foi. diz que é absurdo agora fechar-se a criança em casa porque teve uma virose.

pois tudo bem, se fosse assim mesmo. só que, ponham isto na cabeça, não foi uma virose, meus senhores, foi a virose.

vamos lá ver: já algum de vocês teve febre 15 dias seguidos? foi bom? gostaram? se pudessem evitar ir ao sítio onde a apanharam o que é que faziam? iam lá novamente lamber o chão? é que eu tive de o levar hoje outra vez. e estava tão nervosa que gaguejei mais a dar os recados do que a joacine vai gaguejar no parlamento. 

e depois vem toda a gente com o discurso usado nestas merdas: que é bom, para ele ganhar defesas. gente, nem o centeno usaria tal argumento. 

a sério, se isso é verdade ou não, não sei, que nunca li estudo algum sobre a coisa. mas a mim soa-me sempre à mesma treta que sai da boca do andré ventura: é bosta. a sério. para mim é uma tentativa falhada de os pais não se sentirem tão mal por deixarem os miúdos 8 horas num sítio com outros miúdos e, em contrapartida, ainda ficarem doentes.

é a cena do "também estão verdes, não as comia". eu comia. como sempre. 

enfim, dizem que sim senhora, que ele tem de ganhar defesas (e febre, pelos vistos muita) e que estou a ser histérica. quase tanto como a catarina martins. 

pudera. cheguei a ter pânico dos termómetros. e estou a dois passos de pesquisar uma ama, com menos putos (quantos putos pode ter uma senhora em casa?) onde não haja dez miúdos a lamber o mesmo brinquedo. 

com mil demónios. 

e a verdade é que, vendo bem as coisas, com isto tudo trabalhei menos do que se ele estivesse em casa comigo. tive de rejeitar trabalho porque ele estava doente, atrasei e-mails porque estava no hospital com ele, deixei de dar respostas porque na minha cabeça havia febre de 5 em 5 horas para ser combatida. 

foi pior o soneto que a emenda, adianto já. ou a ementa, como diz uma senhora da minha terra. 

 

enfim, o miúdo está na creche.

acredito que esteja aos berros enquanto lambe qualquer coisa cheia de bicheza para, logo à tarde, me chegar novamente a casa repleto de animalada que o ataca em pulmões, boca, olhos, nariz e orelhas.

e claro, num altruísmo sem fim, vai passar depois aquilo para mim e para o pai fazendo-me ter noites de febre (sim, duas, duas inteirinhas em que transpirei meio quilo de suor de hora a hora e abati umas gramas de banha) e obrigando-me a lavar 58 máquinas de roupa num só dia.

alguém sabe o que é cuidar de uma criança com 40 graus de febre quando se tem, também, 40 graus de febre?

se não convido-vos a experimentar avançando desde já o adjetivo que me ocorre: supimpa. ou só pimpa. como quiserem.

 

por fim, uma nota de algo que vi nestes dias e me deixou a sentir pior do que a febre:

mães atrasadas mentais que deviam ter as trompas laqueadas para todo o sempre.

o caso é simples e conto em dois minutos: enquanto esperava o resultado das análises no hospital, um miúdo de 2, 3 anos, em tronco nu, com evidentes problemas mentais, corria pela sala de espera, ia de encontro às coisas e às pessoas, lambia o chão do hospital (sim, lambia, literalmente, com a língua que deus lhe deu, o chão da sala de espera, as cadeiras, as paredes, os vidros. lambia, meus senhores, lambia o hospital) e a mãe, uma catraia com pouco mais de 20 anos, berrava ao telefone com alguém acerca de problemas de dinheiro ignorando completamente a criança que, repito, lambia o chão do hospital. e tanto ignorou que, quando a criança caiu e rasgou o lábio, não parou de telefonar, nem sequer a olhou, acabando por ser uma senhora a pegar-lhe e chamar a enfermeira.

há crianças condenadas à nascença, não há?

por que caralho há um ira para animais e não há um ira para crianças?

se houver, aviso já, faço campanha de maneiras a que daqui a 4 anos o partido que o apoie tenha mais assento parlamentar que o partido da finada cristas, que a deus a tenha, ámen.

 

pronto, agora vou só ali imaginar a quantidade de bicheza que o meu filho está a guardar no corpo para ganhar aquilo que os estudiosos da matéria me dizem ser imprescindível para a vida: defesas. 

ao menos, se as ganhar, que tenham mais capacidade de intervenção que os seguranças do costa quando ele quer bater em velhinhos.

publicado às 10:12


3 comentários

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De Psicogata a 07.10.2019 às 12:21

Olá,
As amas licenciadas pela segurança social podem ter até 4 crianças, em condições excepcionais, como cobrir a ausência de uma ama da rede podem ter 5, podes ir à Segurança Social e perguntar se na tua área de residência tem alguma ama com vagas abertas, o valor a pagar é financiado ou não de acordo com os rendimentos dos pais como nas creches das IPSS.
Este tipo de amas diminuiu porque apertaram as regras e as condições.
No nosso caso, após pesar pós e contras, optamos por uma ama, só passaram duas semanas completas, mas não ficou para já doente.
O número reduzido de crianças e uma maior proximidade com a cuidadora, o tipo de laço que se cria é diferente, deixam-me menos ansiosa.

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