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resumo

por M.J., em 19.09.16

1. em decorrência das minhas dúvidas existenciais, merdas do passado, falta de inteligência emocional e stress pós traumático de um tempo em que ninguém devia sentir stress, tive uma merda de uma doença que me pôs de cama uns meses, fechada ao mundo e à vida, rezando a um deus que não acredito para não acordar.

não resultou e os cabrõezecos dos dias amanheceram sempre para me provar que as coisas são como são e não como eu quero.

uma consumição.

 

2. tive tanta pena de mim que nem o gustavo santos nu, crente nas suas capacidades de animação, me poderia ajudar com as suas larachas. verdade seja dita nem o gustavo santos amordaçado e totalmente à minha disposição seria capaz de me fazer sentir menos miserável, tétrica e deprimida.

 

3. exigi dos outros o que eu própria nunca dei. confundi lealdade com fidelidade, amizade com apoio às minhas merdas mais ridículas, o querer bem com passar a mão pelo pelo (sempre quis pelo pelo pelo) e mandei patadas a torto e a direito convencidíssima que o meu ego era pequeno quando podia explodir de tão inflamado.

acabei por ficar mais só, mais pobre e com a consciência pesada.

nunca dei, ainda assim, o braço a torcer e não creio que dê.

 

4. atirei charme a torto e a direito por onde desse, convencidíssima que não viveria muitos anos. acabei por conhecer uma pessoa que recolheu as balas, segurou-me na mão e me disse estar disposta a aturar aquilo que aos outros parecem birras.

partilhamos a vida sem papel e usamos o papel para as minhas dúvidas mais tétricas.

se há quem não saiba o que é o amor deveria perguntar ao meu marido. só o amar incondicional poderia suportar quem sou. 

resta saber se a paciência não tem limites.

 

5. por não saber lidar com o pretensiosismo, a doutorice, o pedacito de bosta debaixo do nariz, a exploração e afins fui escorraçada do que decidi apostar há sete anos: por mim própria.

acordei um dia de manhã (depois de muitas noites sem dormir) e decidi que chegava. cada um é para o que nasce e eu não nasci para suas excelências, doutores por extenso e sem extenso, anéis de curso, risadas falsas e gente armada ao pingarelho. problema meu. desde aí tornei-me muito mais eu do que algum dia fui.

só é pena não saber o que é esse eu.

 

6. aposto as minhas cartas todas num projecto novo e diferente. os meus dias passam entre o ego e a desgraçadinha e tenho a certeza da viabilidade da coisa. resta saber se não me saboto com as minhas merditas, birrices, impaciências e incapacidade de lidar com a frustração traduzida em pessoas.

 

7. li "os maias" todos os anos durante nove anos seguidos.

este ano tentei o primeiro capítulo e não consegui: quando sabemos de cor tanta coisa torna-se chover no molhado e apesar de ser mulher de chuva, posso acabar por ficar gripada.

 

8. sou um bicho estranho, depressivo quase crónico, com incapacidade social e inabilitada na vivência com os outros. 

 

9. assim seja.

publicado às 10:45


11 comentários

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De Maria Mocha a 19.09.2016 às 11:33

Um bicho estranho (palavras tuas) que escreve muito bem!
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De M.J. a 19.09.2016 às 14:58

não podiam ser só defeitos, né? :)
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De Uma moradora a 19.09.2016 às 13:36

10. Inspiras tanta gente!
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De M.J. a 19.09.2016 às 14:59

inspiro nada.
aquilo que escrevo não pode ter, de forma alguma, possibilidade de inspirar.
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De sarabudja a 20.09.2016 às 10:13

Shhh... Ouve e cala. Manias de respondona. Inspiras e pronto. Antes inspirar que constipar.
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De Uma moradora a 21.09.2016 às 15:44

Vou para aí na quarta tentativa de ter um blog. Começo, canso-me, desconheço-me, irrito-me, recomeço de novo. Tenho ideias, tenho algum jeito (modéstia à parte), mas falta-me o meu conflito interior.

No entanto, lá vou persistindo em voltar a tentar, mas um ponto em comum com todas as tentativas frustradas, é o teu blog.

Escreves tão mas tão bem, e sempre dos assuntos mais interessantes de todos, que são aqueles que não interessam a ninguém em particular nem em geral. Se calhar até nem é bem assim, mas é da forma que eu vejo, e todos que frequentam a tasca se calhar têm outra visão das coisas que escreves.

No entanto, cá estamos todos, e somos muitos, a ver o que a dona da tasca tem para nos oferecer no dia de hoje, sendo certo que o que oferece amanhã é fresco e não uns resquícios do hoje.

Por isso sim, inspiras tanta gente!

Um beijinho, de alguém que já foi um Bom Idiota, numa demagogia de bolso qualquer, e que agora tenta ser só um morador a frequentar esta tasca :)
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De sarabudja a 22.09.2016 às 09:08

Cá beijinho por este pedacinho de bons sopros à ÊmeDjay. Gostei!

"No entanto, cá estamos todos, e somos muitos, a ver o que a dona da tasca tem para nos oferecer no dia de hoje, sendo certo que o que oferece amanhã é fresco e não uns resquícios do hoje." - Coisa para quase me ter atado um nó matinal na garganta. Sou uma lamechas tonta. Mas isto é "benite".
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De Maria Araújo a 19.09.2016 às 15:43


" cada um é para o que nasce e eu não nasci para suas excelências, doutores por extenso e sem extenso, anéis de curso, risadas falsas e gente armada ao pingarelho."

Excelente, MJ.
És das minhas.

" sou um bicho estranho, depressivo quase crónico, com incapacidade social e inabilitada na vivência com os outros. "

Achas?!
Não penso dessa forma. Mas também deves ter os teus dias.

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De Joana B. a 19.09.2016 às 15:44

no meio do resumo o que eu consigo ver é uma declaração de amor da tua parte para ele e acho que ao escreveres este texto consegues constatar o amor que ele sente por ti.
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De VeraPinto a 19.09.2016 às 18:25

Acho que foi a primeira vez que te ouvi chamar marido, só isso vale o texto todo :)
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De Quarentona a 20.09.2016 às 08:10

Tão bom, Émejóta :)))
Agora vamos lá trocar o ponto 9 em relação ao ponto 8 por um "não tem que ser assim" ;)))

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