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resumo

por M.J., em 11.07.17

fiz uma pausa nos blogs, nos bolos, na leitura e nas saídas.

não vi grande tv e passei largas horas na varanda a ouvir a noite. vi os vizinhos irem de férias, voltarem de férias e usarem o berbequim às onze da noite de uma sexta. achei que seria festa mas era só parvoeira. a fulana da rua que anda de pijama todos os dias às onze da manhã, com um cão pela trela e dois soltos, continuou a vir todos os dias pela rua, cigarro na boca,  gritando aos cães como se fossem pessoas e obrigando o trânsito a parar na rua principal, porque um dos cães se senta a meio e não há quem o arranque de lá. há dias fiz uma aposta comigo mesma para ver qual dos cães era passado a ferro primeiro.

até agora estou a perder. 

a empregada veio uma vez e outra não pode. tenho um monte de roupa por arrumar, dentro de um cesto. pus-lhe um urso de peluche gigante em cima, a ver se passa como decoração mas não estou muito certa disso. deixei de me pesar e meço diminuições e aumentos através da roupa. para grandes males grandes remédios e entrei em desamizade com a balança.

era a rutura de relações ou a morte dela. decidi ser suave.

comi melancia, mirtilos e pêssegos. tentei que jantássemos na varanda, a ver a noite chegar mas o rapaz chamou-me de louca, no medo pelos mosquitos. se o visse pela primeira vez ia achar que, em alguns aspectos, era um menino bem nascido e criado na cidade em vez de na aldeia. mas bem, depreendo que as pessoas se moldam, não é?

 

um dos gatos da mamã desapareceu, o outro engordou. deduzi que o que talvez tivesse comido o irmão mas ninguém me deu atenção. vi casas para mudar, fosse arrendamento ou compra e desisti. sou a pessoa mais picuinhas da face do universo e não há casa que se adeqúe ao que procuro. talvez compre um campo de futebol, no meio de um campo escondido e mande construir uma mansão. até lá convivo com vizinhos loucos e gente amalucada. 

acho que vou acabar os meus dias na serra, num lugarejo desabitado.

não nasci para multidões.

és muito comichosa, disseram-me, e concordei em pleno. sou sim senhores. demasiado espaço quando crescia. uma personalidade moldada no silêncio da leitura e nos campos com vento e pássaros. a vida é melhor quando podemos ouvir os nossos pensamentos e não somos obrigados a ouvir os passos das pessoas que não conhecemos mas que dividem a mesma caixa de fósforos montada do que nós. 

 

tenho uma coisa muito importante para acabar que me tem moldado todos os bocaditos do dia. passo ainda mais tempo sentada e compramos uma cadeira decente que a outra estava a dar-me cabo das costas. carinha que deus me livre mas confortável que só visto.

vou passar o próximo fim de semana numa pousada de portugal. não da juventude, deus me livre, antes dormir num carro fechado que partilhar beliche.

até lá pondero seriamente desligar novamente. 

publicado às 11:15



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e agora dá aqui uma olhada