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rotinas

por M.J., em 25.09.20

de modos que a minha vida é isto:

  • acordar às 7 da manhã, descer as escadas, entrar no escritório e trabalhar até às 8.20 (basicamente responder a e-mails, organizar coisas e tratar de burocracias);
  • levantar o miúdo, vestir o miúdo, dar o pequeno almoço ao miúdo (não sei dos vossos mas este bebe leite de fórmula e come uma torrada de pão de centeio), abonecar o miúdo e dizer adeus ao miúdo enquanto o pai pega nele e o leva para a creche.
  • tomar o pequeno almoço enquanto passo os olhos pelas notícias do diário de aveiro (ah pois, recebo o dito). 
  • entrar novamente no escritório e trabalhar até ao meio dia e meio. 
  • almoçar, tomar café no pátio e voltar a trabalhar por volta da uma e pouco.
  • parar de trabalhar às cinco para ir buscar a criança.
  • ficar à disposição do catraio por hora e meia depois disso. tal pode implicar ir à praia, andar de triciclo no pátio, mexer na terra na horta, passear em frente à ria ou, simplesmente, brincar em frente à tv.
  • dar banho à criança e fazer o jantar enquanto o pai da criança alimenta a criança e a deita.
  • jantar com o marido - que por sinal é pai da criança, que não haja dúvidas - e discutir o sexo do anjos enquanto vemos star trek.
  • trabalhar até à uma da manhã.

no dia seguinte... mais uma voltinha, mais uma viagem.

 
 
 
 
 
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Juro pelo corona: sentei-me às duas da tarde naquela cadeira em frente ao pc ligado e levantei-me às 17.15, precisamente. Imóvel duas horas seguidas que nem uma múmia. Mais concentrada que a o ronaldo a marcar um penalti. Não bebi água. Não mexi as costas. Não fiz o xixi. . Fiquei a tranalhar esquecida da pandemia, das minhas costas, da roupa suja acumulada pela chuva ou da minha falta de exercício. . Vivo perigosamente: se não me matar a tosse seca e a febre, mata-me o excesso de trabalho. Pelo menos não estive fechada 6 horas num wc como se tivesse a peste. . . . . . #work #trabalho #trabalhando #escritorio #escritoriosbonitos #homeoffice #escritoriosmodernos #escritorioemcasa #excessodetrabalho #officedecor #decoracaodeescritorio #eagoraseila #salvemme #quenemumamumia #cansaço #cansaco #arre

Uma publicação compartilhada por Maria João (@emedjay) em

 

parece uma pobreza de vida, bem sei.

leio isto e ponho-me nos olhos de quem eu era antes, naqueles dias em que que tinha tempo para ler, para escrever, ver lixo na tv, sair depois de jantar para tomar café, tomar longos chás na esplanada a meio da tarde e caminhar no jardim em dias de outono. 

agora, como se viu (bem visto, quase ao detalhe) pouco mais resta que eu, ele e a criança (um título parolo de um pseudo filme).

no entanto, na parolice e pequeninice da banalidade da minha vida retenho que:

1. adoro o que faço - não podia dizer isso em tempos;

2. o horário é minha escolha e não imposto. não sinto por isso, o agrilhoar da prisão que era um emprego com horários que outros definiam para mim.

3. não perco horas no trânsito.

4. não preciso de ter conversas de chacha com colegas de trabalho, lidar com má educação dos outros ou aturar histerismos de chefes malucos. aturo os meus e bem que chega.

5. tenho pelo menos uma hora e meia seguidinha para o meu filho, sem interrupções, sem mais nada, só nós (incluindo o pai, pois claro). 

6. todos os dias sinto algo novo que não julgava ser possível: um orgulho por uma palavra dita; uma angústia por uma lágrima de birra; uma gargalhada pelas gargalhadas inocentes que ouço. 

7. e, sobretudo, não há um único dia em que sinta que poderia ser mais feliz não sentindo, não vivendo, não existindo. ora só quem está neste tasco desde o início sabe a grandeza que isso significa na pequenez que é a minha vida. 

publicado às 10:00


3 comentários

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De Andreína Monteiro a 26.09.2020 às 01:49

Uauu tão bom de se ler, de te ver bem e feliz com as pequenas coisas que a vida te proporciona e pelas quais batalhaste. É preciso coisas tao simples como a nossa família, a nossa liberdade e gostar do que se faz.

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e agora dá aqui uma olhada