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uma semana e uns dias depois

por M.J., em 21.12.18

percebi os motivos que levam a que a licença de maternidade contemple cinco ou seis meses - pagos integralmente pela segurança social - quando ontem adormeci, literalmente, com a cara em cima do teclado, os óculos à banda e a uma poça de baba em cima das teclas hjkl.

foi o rapaz que me veio encontrar naqueles preparos.

reparem, no meu caso, quem não chora não mama ou melhor, quem não trabalha não ganha. e por diversas questões, ocasiões e outras coisas acabadas em ões não entra, no meu caso, a licença de maternidade que entra no caso do rapaz. por isso - e para sentir (também) que controlo a minha vida - comecei a trabalhar aos bocejos mal cheguei da maternidade.

 

não é que dom rapazito seja particularmente exigente.

com barriga cheia e cu limpo não há menino. é certo que já começa a acordar de três em três horas para comer, contrariamente aos primeiros dias (quem ouvir há-de dizer que estes não são os primeiros dias), numa espécie de relógio afinado. come do leite da mãe (que sou eu, para que fique assente) e leite em pó, numa mistura recomendada na maternidade tendo em conta que, nos primeiros dois dias, perdeu quase oito por cento do peso com que nasceu.

confesso que é um alívio.

continua a comer do meu leite mas não preciso de estar duas ou três horas com ele agarrado às mamas (a moça que estava no mesmo quarto que eu na maternidade começava a amamentar às duas e parava às seis, minha santa engrácia) e sinto que tenho autonomia para continuar a vida.

é aquela coisa das expectativas: ele não veio parar a minha vida como a conhecia mas sim juntar-se a ela sendo possível, através de uma série de coisas que vamos aprendendo, conjugar tudo sem simplesmente sentir que sobrevivo apenas para o nutrir.

e o certo é que recuperou o peso todo e mais algum.

o rapaz diz que ele está agora mais para leitãozito do que frango de churrasco e eu concordo.

continua a presentear-nos com jatos de urina nas trombas quando lhe mudamos a fralda (a propósito, se alguém souber de algum truque para evitar a coisa agradeço) e chora com vontade quando sente os pés ao leu ou tem cólicas. sinceramente, nunca pensei ficar tão feliz por ouvir alguém dar puns ou sentir o cheiro a cocó no meu colo (e que fedor. não é verdade que os filhos cheiram sempre bem aos pais).

 

e no meio disto tudo começo a recuperar a vida que ficou lá atrás (não está esquecido o relatar do episódio de como decidiu nascer mais cedo).

é certo que tenho tido ajuda.

a mamã passou por cá umas quatro vezes a arrumar, lavar e passar toda a roupa (e se era roupa senhores, e se já há aí roupa senhores); a empregada limpou a casa que estava numa espécie de pandemónio depois de eu ter estado 4 noites fora (o pobre rapaz só cá vinha dormir e mal tinha tempo para outra coisa); e nós conseguimos sair umas três ou quatro vezes deixando-o com a mamã em casa, muito contente, numa espécie de festival de alegria, por ter um bebé para olhar. sinceramente, olha mais para ele do que eu, com ar de satisfação, de quem encontrou um tesouro há muito perdido. 

 

agora que estou cansada disso não restam dúvidas.

e quando o cansaço aperta já sei que, emocionalmente, começo a ficar numa espécie de montanha de emoções. perco a perspetiva em relação a tudo e as hormonas dominam-me. como naquela noite em que o rapaz nos foi encontrar aos dois a chorar, o miúdo com cólicas, eu sem saber o que fazer para o acalmar, duas horas depois de ter começado.

resultado? fui mandada para cama e a criança parou de chorar em cinco minutos, numa espécie de "vês? até é simples".

 

a vida vai retomando o seu curso.

pensei a esta altura estar louca, descabelada, desequilibrada, a chorar dias inteiros e a sentir que tudo se escapava entre as mãos. pensei estar mais gorda que a popota e dar-me por satisfeita por dormir uma hora diária. no entanto, visto as mesmas roupas que vestia antes da gravidez e enquanto as piores consequências forem adormecer ao pc e encher o teclado de baba; chorar dez minutos porque ele chora; e dormir noites de dez horas com duas ou três interrupções de 30 minutos... parece-me que tudo vai bem no reino da dinamarca onde ele, sendo rei e senhor (não fosse dom rapazito) se entrosou connosco, numa harmonia totalmente inesperada.

assim seja.

ámen. 

publicado às 15:38


6 comentários

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De Carla Godinho a 21.12.2018 às 15:58

Fralda de pano (camisola, body, pijama, o que quiseres) em cima da pilinha mal se descola a fralda descartável, evita alguns banhos de urina 😉
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De Anónimo a 21.12.2018 às 16:20

Colocar uma toalhita em cima da pilinha assim que a colocas ao léu. Faz o xixi na mesma assim que se sente livre mas não te vai parar à cara.
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De Quarentona a 21.12.2018 às 17:15

Cá tens a resposta, eu usava um dodot a tapar a pilinha :))))
Beijoca grande de Boas Festas :))))
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De Mia a 21.12.2018 às 17:18

Fico mesmo contente com este texto, isso de dormir no teclado vai acontecer mais vezes, tenha ele 6 meses, 6 ou 16 anos. Beijinhos a todos. (o que o pessoal diz nos comentários, é mesmo assim, tapa assim que tiras a fralda)
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De Anónimo a 23.12.2018 às 06:35

Uma compressa de tecido não tecido para por em cima da pilinha mal antes a fralda evita uns acidentes...
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De Anónimo a 28.12.2018 às 18:56

Normalmente os bebés perdem até 10%. 8/10 dias, menos o parto, foram aí todos os dias limpar e saíram 4 vezes sem o recém nascido portanto. Lol.

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