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ontem, depois de jantar, deitada no sofá a olhar uma racha de tinta no tecto e a ponderar na estupidez da vida, senti uma forte pontada no lado direito da cabeça. ainda sinto, pensando nisso, o exacto ponto onde foi numa espécie de um raio ou uma chicotada. 

levantei-me lentamente a tentar perceber o que se passara. a fenda continuava no tecto e tinha aquela zona da cabeça a latejar, como se tivesse sido aberta e escorresse qualquer coisa. juro que pus a mão e tudo, convencidíssima ao género de filme, que sairia dali sangue. 

nada.

um minuto depois, nova pontada no mesmo sítio.

abri a net sem pensar duas vezes. é assim. a net tem tudo desde truques para limpar vidros a respostas para sintomas de doenças que acabam quase sempre em cancro. 

no primeiro site que escolhi alguém escrevia que a dor de cabeça não deve ser ignorada e que as pontadas fortes, como a que eu tivera, aliadas a enjoos e tonturas poderiam ser sinais de aneurisma.

aneurisma: aquela coisa que entope a veia e acaba por rebentar, acho, dando cabo dos miolos e dos sonhos. 

pois nesse exacto momento, a leitura dos sintomas ainda a meio, o que é que me aconteceu? assim, de uma forma abrupta, quase como se eu estivesse a pedir?

a visão turvou-se-me, o estômago embolou, comecei a ver a fenda no tecto a andar à roda, as coisas tremiam-me como gelatina e soube, meus senhores pois soube, que um aneurisma ia-me rebentar com a cabeça toda, assim, zás de uma vez só e eu ia morrer antes dos trinta sem ter cumprido uma data de coisas.

sem ter alcançado nadinha.

um chavelho furado.

sem ter uma carreira que se recomende, sem ter um filho que propagasse o meu mau feitio como praga e sem ter uma conta bancária recheada a pontos de consolar os que cá ficam.

uma miséria.

no entanto, no meio do mundo a rodar e do estômago a ameaçar vómito, confesso que não me importei com o nada cumprido mas antes com a possibilidade de parar de respirar, de deixar de acordar todas as manhãs e de não poder voltar a comer talhadas de melão fresco, na varanda, nas tardes longas de verão com um livro no colo.

 

diz-me o rapaz que foi tudo auto-sugestão e que sou uma piegas lingrinhas.

lembrei-o que desmaiei a experimentar lentes de contacto antes de casar por isso ele sabia bem ao que ia.

deus!

não quero imaginar o drama quando descobrir que tenho algo a crescer dentro de mim que não gordura.

ou bolo fecal. 

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publicado às 10:30


16 comentários

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De Maria João Marques a 30.06.2016 às 10:35

Não sejas piegas mulher ! Olha pelo menos já foste a banhos lá para os lados de cabo verde , vê lá já agora se fazes um seguro de saúde, assim, como assim ....
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De M.J. a 01.07.2016 às 11:58

é hipocondrice. não pieguice :D
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De Gaffe a 30.06.2016 às 10:45

:))))
Não é um aneurisma.
Acontece e pode mesmo ser da tua tensão arterial. Uns exames peqeunitos não vão fazer mal e descansam-te.
Seja como for, não é um aneurisma. Não estavas aqui a descrever o teu pânico se fosse.
;)
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De M.J. a 30.06.2016 às 10:49

uf!
estava convencida ainda hoje que a coisa podia explodir a qualquer momento.
sou tão piegas!!!!!!
como é que alguém que diz desprezar tanto a sua vida tremelica tanto perante a possibilidade de?
oh idiota!

(obrigada minha querida).
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De Gaffe a 30.06.2016 às 11:02

:)
Seja como for, se continuar deves consultar um médico e sobretudo medir a tensão arterial.

Se tivesses visto umas luzinhas a cintilar antes da dor aparecer e a dor tivesse aumentado brutalmente passados alguns minutos ao ponto de deixares de conseguir abrir os olhos - não é fotobobia - poderia ser uma enxaqueca - mais "enxa" que "queca" - que pode começar dessa forma. Assim, não creio que seja preocupante.
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De M.J. a 01.07.2016 às 11:58

não. foi só mesmo picadas. intensas.
acho que já passou :)
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De Gaffe a 30.06.2016 às 10:52

E não deves ir à net consultar estas coisas!
Metade do planeta estava morto se padecesse do que a net diagnostica e a outra metade estava moribunda.

A única vez que fiz uma "consulta" internáutica", foi para retirar uma receita de bola de carne que me aventurei a fazer.
A Bórgia vomitou durante dois dias.
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De M.J. a 30.06.2016 às 12:36

foi da receita ou da cozinheira? :D
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De Gaffe a 30.06.2016 às 13:31

Acredito que tenha sido da cadela...
Vamos acreditar que foi do pobre monstro.
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De sarabudja a 30.06.2016 às 11:14

Depois de leitura atenta, eis que surge o diagnóstico.
Reparei no título: "vá, se calhar é hoje que bato a bota"
Sou um Dr. House, um cientista do CSI Terras Pequenas de Portugal, uma Patologista de cabelos mais curtos, volumosos ou mesmo comentadora de um programa da manhã dos ensurdecedores canais nacionais.
O teu problema reside no calçado. Quando tenho os pés quentes fico com o nervosinho alterado. É ver-me ficar sem pensamentos e incapaz de juntar três palavras e formar uma frase.
Se vais bater alguma coisa, experimenta sandálias. Se, como eu, és comedida da divulgação dos pés, experimenta alpercatas, mocassins, sabrinas... Botas com estas temperaturas é coisa, para com toda a certeza, te descompor até à cabeça. Porque o pé é membro mais tímido, discreto, resignado, por vezes até. Já a cabeça ferve e explode. Implode, caso seja aneurismático o problema.
Isto são muitas temporadas de sérias da treta. Já preenchi o requerimento, apresentei testemunhos de três pessoas isentas e idóneas e aguardo equivalência a qualquer coisinha no ramo da medicina tradicional e gastronómica portuguesa. É o que dá querer misturar alhos com tripas.
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De Gaffe a 30.06.2016 às 11:55

Curioso!
Será que detecto uma pequeno ferrão neste cometário?!
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De sarabudja a 30.06.2016 às 12:40

Ferrão? E, já agora, dirigido a quem?
Como as palavras e os entendimentos podem ser tão dados ao início de triste mal entendido.
Não passava isto de um conjunto de graçolas que, verifico, não encontraram o caminho para a missão a que se propunham à nascença.
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De sarabudja a 30.06.2016 às 12:52

Atentei novamente na leitura: do texto da Êmedjay e depois nos comentários.
O que escrevo é fruto do imediato.
Percebi que também misturei a medicina com culinária, mas porque medicina tradicional me pareceu especialmente ridículo para cruzar com a palavra gastronómico, não a propósito do comentário, mas por causa dos cursitos tontos e formações bacocas que proliferam.
Só isso.
Insurjo-me, raras vezes, mas as batalhas são outras. O vir aqui, a casa alheia tratar mal convidados e clientes da tasca está para lá do que eu sou e faço.
Gaffe, Sarabudja tem especial estima por Êmedjay, que percebo tratar-te bem. Jamais faria tamanha parvoíce. Acresce ainda o facto de não encontrar no teu comentário pontinha por onde se lhe pegue para chatear.
Vá, jogamos à pesca ou à bisca, depois do pastelito de bacalhau?
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De M.J. a 30.06.2016 às 12:43

não.
apenas humor :)
sarabudja é pessoa acima dos ferrões. não repara, tal como tu, na maior parte das maldades do mundo. sorri com ela e com as pequenas coisas da vida e é demasiado gentil para dar ferroadas.
podes acreditar.

ainda não leste as histórias de sarabudja?
tens de ler: adoro.
http://eagoraseila.blogs.sapo.pt/fiz-sopa-no-domingo-a-noite-956889#comentarios
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De Gaffe a 30.06.2016 às 13:10

Deve ser do calor.
Estou irritada com tudo e com todos.
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De Maria Araújo a 01.07.2016 às 19:41


MJ, foram inúmeras as vezes que senti isto, " senti uma forte pontada no lado direito da cabeça. ainda sinto, pensando nisso, o exacto ponto onde foi numa espécie de um raio...", mas do lado esquerdo da cabeça. Senti a mesma preocupação, li, desisti de ler, continuei a minha vida.
Esforço? Cansaço?
Não sei.
Deixei de me preocupar, há bastante tempo que não sinto.
Não penses demais, mas age se achares que deves consultar o médico.
Beijinho



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