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vai haver casório #21

por M.J., em 04.04.16

fomos ontem comprar o vestido para a madrinha, a amiga-irmã que tenho e que adoro do fundo da alma - se é que a alma tem fundo.

havíamos já corrido uma série de sítios sem encontrar nada decente até que entramos em "A loja". não é que "A loja" tenha sido muito melhor do que as outras mas simplesmente as funcionárias de "A loja" respeitaram as nossas opiniões e não nos olharam com o mesmo ar de coitadas-olha-estas-pobretanas-que-não-têm-onde-cair-mortas-a-brincar-aos-casamentos.

que parece que há tradições a manter, muitas mais do que eu pensava, nisto dos casórios. por exemplo, a noiva não deve sabe do fato (o fato = roupa cara dos convidados de casamento) da madrinha. diz que deve ser uma surpresa para o dia. só faltava dar azar, sei lá!

(o tanas! não basta ter posto a rapariga em andanças desnecessárias e gastos torpes para ainda lhe deixar a triste tarefa de andar horas às compras sozinha? há cada ideia!)

nas primeiras lojas ("mas por que não mandam fazer o vestido?" dizia a mamã muito séria, sem entender) quando começámos a ver uns quaisquer, trapinhos há tantos e a gente não semos esquisitas, fomos abordadas inicialmente por umas quantas vendedoras que, dois minutos depois perdiam a compostura e nos deixavam sozinhas, na procura de clientes mais vantajosos. até entendo. estávamos completamente mal vestidas para os sítios onde entrávamos, mal penteadas e com ar serrano de quem ainda não aprendeu a viver na cidade ou a usar a postura necessária para pisar semelhantes tapetes e respirar em tamanhos santuários de moda.

muito educativo.

começávamos por dizer que era um vestido para casamento e traziam uma série deles, alguns mais elaborados, outros mais simples, que a rapariga vestia com ar de dó. depois, quando por algum motivo dizíamos que ela era "A madrinha" o discurso mudava: "ah é a madrinha?" perguntavam estupefactas, não entendendo o motivo de não termos seguido o conselho da mamã "mas por que é que não mandam fazer?" e a roupa mudava. éramos encharcadas com vestidos shining, shining, shining, a brilhar de tanto brilhante a que nem as tipas dos casamentos ciganos do tlc faziam frente. de nada valia dizermos que não queríamos uma coisa daquelas, que aquilo era um pouco... exuberante demais (para não dizer parecido com os trapinhos dos chineses). o discurso era sempre o mesmo "vão ver que a noiva vai a-do-rar, a sério."

era nessa altura que confessávamos, quase envergonhadas, que a noiva era a fulana que estava a fazer companhia à madrinha, de cabelo despenteado e espigado nas pontas (que é que foi? vou fazer o treino do penteado daqui a dias, não me apetece andar sempre nos cabeleireiros, a minha vida é mais do que esta merda), com umas calças largas onde cabiam duas (não vale a pena andar sempre a comprar roupa se continuo a emagrecer e as calças do mês passado já me estão que nem sacos) e um ar pelintríssimo. "ah é a noiva?", nova interrogação de espanto. "mas a noiva não devia ver o fato da madrinha antes do casamento!", voz solene, quase pedinchona, enquanto murmurávamos que não queriamos muito saber dessas tradições.

pois!

minutos depois desistiam de nós, planando pela loja que nem abutres na procura de melhor clientela, o julgamento feito e sentença dada acerca das duas personagens que éramos, sem querer saber quanto estávamos dispostas a gastar.

muitíssimo interessante

enfim, já desgastadas encontramos uma loja, a um canto, quase esquecida. na primeira meia hora que lá passamos tivemos três vendedoras a avaliar o rabo, as mamas, a altura, a gordura ou a ausência da mesma da minha amiga. opiniões certeiras. esse faz-lhe o rabo grande, esse não lhe valoriza o peito, esse fá-la mais baixa. seria muito divertido não fosse a ideia de que elas estavam ali para vender. será talvez uma nova técnica de venda, não sei, apresentar-nos dezenas de vestidos que criticam até impingir O vestido que por sinal poderá ser um qualquer igual aos outros todos mas para o qual não apresentaram defeitos.

sei lá!

sei que quando vestiu O eleito percebemos que era aquele e que sim, vai fazer sombra à noiva que por acaso sou eu e que quando fui fazer a prova do meu vestido no sábado percebi que as mamas continuam a diminuir e o dito vai ser alterado novamente e que assim sendo, devo ter um cancro qualquer a comer-me as mamas todas que não se entende que o resto do corpo se vá mantendo mais ou menos e as ditas diminuam como uma bulímica em dias de natal.

seja como for, as vendedoras ficaram absolutamente felizes por ajudarem a noiva-e-a-madrinha-pelintra, pediram fotos do casamento para verem depois como iam as suas meninas favoritas e horas mais tarde, quando lá passamos para uma questão válida relacionada com "o fato" tinham a loja cheia de mulherio, altura em que nos explicaram que a hora a que fomos era a mais propícia a compras pois que os fregueses estavam invariavelmente a almoçar e tinham mais tempo.

saiu-nos melhor a encomenda do que esperávamos.

isso e o dinheiro da conta! 

(dela, que é uma querida e sabe que mais dia menos dia entro em insolvência).

 

oh vai ver ali:

publicado às 13:00


1 comentário

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De Just_Smile a 04.04.2016 às 14:20

Mas porque raio a noiva não pode ver o vestido da madrinha, não é o noivo que não pode ver o da noiva? ?

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e agora dá aqui uma olhada